Debatedores justificam infanticídio praticado por índios

05/09/2007 - 15:53  

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto Freitas Meira; e a representante do Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas (IDDI) Valéria Payê defenderam há pouco o direito às diferenças culturais. O presidente da Funai destacou que o Brasil tem 222 povos indígenas e que as culturas não são unificadas. "A análise requer cautela, pois o tema é delicado e complexo e não deve ser reduzido ao julgamento moral das práticas e tradições indígenas", declarou.

Valéria Payê complementou afirmando que os indígenas não podem submeter-se aos padrões morais e culturais dos brancos. "Eles têm direito a uma concepção própria de direitos humanos. Por que os povos indígenas deveriam aceitar a visão dos brancos sobre direitos humanos como a única correta?", questionou.

Por outro lado, citou exemplos de tribos do Pará, na região do Tumukumaki, que decidiram abolir o infanticídio. "Mas isso foi decisão deles, não foi imposição externa", disse.

Eles participam da audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para discutir a prática de infanticídio nas áreas indígenas. Segundo o autor do requerimento para a realização da audiência, deputado Henrique Afonso (PT-AC), há centenas de casos de crianças indígenas sacrificadas, envenenadas ou enterradas vivas, por terem nascido com algum defeito físico ou problema neuromotor, por serem meninas quando a família esperava um menino, gêmeas ou filhas de mães solteiras.

A comissão continua reunida no plenário 9.

Reportagem - Antonio Barros
Edição - Renata Tôrres

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