Militares do Brasil criaram operação Condor, diz advogado
O fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre, advogado Jair Krischke, afirmou que o Brasil é "o pai e a mãe da Operação Condor". Segundo Krischke, é preciso lembrar que a "doutrina de segurança nacional", que embasou as ditaduras sul-americanas, nasceu no Brasil com o golpe de 1964. Foi a partir daí, segundo o advogado, que começou a "trágica caminhada da institucionalização da tortura e dos assassinatos políticos na América do Sul". Ele afirmou que os crimes da ditadura brasileira ainda estão por ser desvendados. "Os militares da ditadura brasileira têm um dom fantástico, não deixaram suas impressões digitais nos crimes que cometeram".
Krischke acusou a ditadura brasileira de ter apoiado o golpe militar do general Hugo Banzer na Bolívia, no início dos anos 70, enviando aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), com material bélico, à cidade de Santa Cruz de la Sierra. Ele disse também que a ditadura brasileira preparou, em 1971, a "Operação 30 Horas" - um plano para invadir e ocupar o Uruguai, se o candidato de oposição, general Líber Seregni, vencesse as eleições daquele ano.
Segundo Krischke, a embaixada brasileira no Chile também participou ativamente do golpe do general Augusto Pinochet. "Na noite do fatídico 11 de setembro de 1973, o prédio da embaixada brasileira em Santiago estava todo iluminado, em festa; o nosso embaixador na época era chamado de quinto homem da Junta Militar chilena, ao lado dos comandantes do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e dos Carabineros", afirmou Krischke.
Recursos de amparo
A advogada chilena Fabiola Letelier Del Solar, militante dos direitos humanos, irmã do ex-ministro Orlando Letelier, assassinado em Washington em 1976, disse que nos anos seguintes ao golpe de Pinochet impetrou "milhares" de recursos de amparo - pedidos de informação sobre os desaparecidos. Nenhum obteve qualquer resposta do Ministério do Interior chileno. "Mas eles serviram para constituir a memória da repressão política no Chile e, hoje, são um ponto de apoio importante na luta pela abertura dos arquivos e pela revelação do que ocorreu com os desaparecidos", disse ela. Reportagem – Luiz Claúdio Pinheiro
Edição – Paulo Cesar Santos
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