Brigadeiro diz que avião de Lula não pode voar sem reverso

08/08/2007 - 21:16  

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito, afirmou nesta quarta-feira que o avião da Presidência da República não pode operar caso o reverso não esteja funcionando. A informação foi dada em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea. O reverso ajuda a frear as aeronaves, invertendo o ar que sai das turbinas. O equipamento da turbina direita do Airbus da TAM estava travado no acidente do último dia 17, que deixou quase 200 mortos. Segundo a TAM, o procedimento não é proibido no País, uma vez que a Airbus, fabricante da aeronave, permite vôos com o reverso pinado (travado).

O presidente interino da CPI, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que os vôos comerciais deveriam observar o mesmo procedimento adotado pela Aeronáutica, responsável pela segurança do avião presidencial: "Se o avião do presidente da República não pode voar com o reverso pinado, a recomendação de segurança deveria ser adotada pelo fabricante e pela companhia aérea que faz, como disse o próprio brigadeiro, a manutenção pesada do próprio avião do presidente da República."

Crise
Saito rejeitou a hipótese de que a crise no setor aéreo ou no controle de tráfego tenha influenciado nos acidentes com o Boeing da Gol, em setembro de 2006, e do Airbus da TAM, no mês passado. "Um acidente não tem nada a ver com o outro", ponderou.

O tenente-brigadeiro reafirmou que o prazo previsto para conclusão dos trabalhos de investigação do acidente com o avião da TAM deve ser de quase dez meses. Ele disse que só poderá falar sobre o caso após o relatório final com todos os fatores que contribuíram para a tragédia.

Juniti Saito também justificou o pedido de suspensão da liminar concedida ao Ministério Público Federal para apreender registros de ocorrência nos aeroportos de Congonhas e Cumbica, em São Paulo, e no Cindacta 1, em Brasília. O pedido foi atendido ontem pela Justiça Federal de São Paulo. O motivo alegado pelo brigadeiro para pedir a suspensão é de que informações mal interpretadas poderiam causar conseqüências muito graves. Apesar de declarar que foi "surpreendido" com a operação, o comandante negou que a Polícia Federal tenha agido com abuso de poder.

Medalhas
O comandante da Aeronáutica ainda justificou a entrega da medalha Mérito Santos Dumont a dois dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A cerimônia ocorreu três dias após a explosão do Airbus da TAM, no aeroporto de Congonhas, que deixou 199 mortos. As medalhas foram recebidas pelo presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e pela diretora Denise Abreu.

Saito explicou que a concessão de medalhas segue um ritual. O trabalho para a escolha dos agraciados leva cinco meses. "Não foi de um dia para o outro que a comissão decidiu conceder as medalhas", observou. "Como comandante, tenho obrigação com esse pessoal, para que tenhamos a agência que queremos, fiscalizadora e experiente. Eles [a Anac] não têm a experiência da Aeronáutica, mas temos trabalhado juntos: a Aeronáutica, a Anac e a Infraero."

Agenda
A CPI ouvirá nesta quinta-feira, às 9 horas, quatro controladores de tráfego aéreo que trabalhavam no dia do acidente com o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas. São eles: Eduardo Pires Dayrel; Ziloá Miranda Pereira; Luana Morena Maciel Araújo; e Celso Domingos Alves Júnior. Às 14 horas, vai depor o vice-presidente de Segurança de Vôo da Airbus, Yannick Malinge.

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Reportagem - Idhelene Macedo/Rádio Câmara
Edição - Francisco Brandão

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