Mário de Oliveira nega ter mandado matar Carlos Willian
08/08/2007 - 20:59
O deputado Mário de Oliveira (PSC-MG) depôs nesta quarta-feira no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e se disse inocente e tranqüilo a respeito das acusações que pesam contra ele. Ele responde a processo por quebra de decoro parlamentar, movido pelo PTC, devido à acusação de que teria contratado um pistoleiro para assassinar o deputado Carlos Willian (PTC-MG), numa tentativa que foi frustrada.
A pedido da relatora do processo, deputada Solange Amaral (DEM-RJ), Oliveira colocou o seu sigilo telefônico à disposição do conselho.
O acusado ressaltou que desconhece a motivação política, ideológica, religiosa ou financeira para a denúncia feita por Odair da Silva, "obreiro credenciado" da Igreja do Evangelho Quadrangular, cujo conselho nacional é presidido pelo deputado.
Contratação do pistoleiro
Odair disse à polícia de Osasco (SP), onde foi preso, que teria contratado, sob orientação de Oliveira, o pistoleiro conhecido como "Alemão" para assassinar Willian. De acordo com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o assassinato teria sido planejado para o dia 21 de junho, em Belo Horizonte, quando Willian chegaria de um vôo de Brasília. O crime não ocorreu, segundo a polícia de São Paulo, porque Willian mudou sua rotina no dia, ao pegar carona no avião do presidente Lula.
Oliveira afirmou que, depois de ter feito a acusação, Odair ligou de São Paulo duas vezes para ele pedindo perdão, mas o deputado não quis conversar e disse que não era hora de falar sobre o assunto. O parlamentar declarou também que Odair não está sob sua guarda, como foi divulgado pela imprensa, e que não sabe onde ele está.
Armação
Para Oliveira, a situação toda foi "uma surpresa". Ele disse que é possível que seja tudo uma armação. "O ser humano é imprevisível, e quem trai a gente é o amigo, e não o inimigo", ressaltou. O deputado disse ainda que o relatório da Polícia Civil de São Paulo sobre o caso tem 21 itens contraditórios que ele pretende apresentar no decorrer do processo. O conselho já solicitou uma suposta gravação de uma conversa que teria ocorrido entre Odair e Alemão.
Oliveira afirmou que conhece Willian desde 1982, quando foi candidato a deputado federal pela primeira vez. Segundo o deputado, a Igreja do Evangelho Quadrangular foi a responsável pelas campanhas de Willian para vereador, em 2001, e também para deputado federal, em sua primeira candidatura. No entanto, em 2003, explicou, devido a um incidente nos cultos, Willian se desligou da igreja por discordar do disciplinamento imposto pela instituição religiosa. O parlamentar destacou que desde 2005 não conversa com Willian, e que não há nenhuma dívida ou questão financeira pendente entre os dois.
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Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Marcos Rossi
Com informações da Assessoria de Imprensa do Conselho de Ética
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