Deputada diz que consumismo causa violência juvenil
11/07/2007 - 16:08
A presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Erika Kokay (PT), atribui o aumento da violência juvenil ao Estado mínimo e à lógica do consumismo. Segundo ela, pesquisas revelaram que, quanto maior a exposição dos jovens à televisão, maior será a tendência de que adotem comportamento "com viés de violência".
Durante audiência pública sobre a redução da maioridade penal, promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Erika Kokay afirmou que a televisão estimula o consumismo, mas o desemprego estrutural impossibilita que o jovem adquira os bens que são ofertados pela publicidade. "A sociedade diz: `Tenha isso para eu te respeitar`", destacou. O jovem, porém, não tem condições de viver conforme os imperativos do mercado, a não ser que parta para a violência, na avaliação de Erika Kokay.
A deputada distrital ressaltou que 87% dos internados no Centro de Atendimentos Juvenil Especializado (Caje), em Brasília, estão ali em razão de crimes contra o patrimônio.
Por outro lado, Erika Kokay considera que o Estado mínimo não responde ao problema da violência entre os jovens com políticas públicas adequadas, que deveriam inclusive ter um caráter cultural e educativo.
Adolescência encurtada
A presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Carmen Silveira de Oliveira, por sua vez, disse que, enquanto a adolescência na classe média tem sido alongada, com "trintões" vivendo na dependência dos pais, em outros segmentos da sociedade procura-se encurtá-la. "A gente quer ver encurtada a juventude pobre", denunciou.
A deputada Erika Kokay afirmou ainda que "não há nada que justifique a redução da maioridade penal". Ela lembrou que a reincidência de menores egressos de unidades de internação de jovens é de 20%, enquanto que a reincidência dos egressos dos sistemas prisionais está em torno de 60%.
A audiência prossegue no plenário 9. Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Marcos Rossi
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