Embraer nega falha e desligamento acidental de transponder
05/06/2007 - 15:28
O presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, afirmou hoje à CPI da Crise Aérea que não há nenhum indício de que tenha havido falha no transponder do jato Legacy, que é fabricado pela Embraer. Ele informou que o Legacy possui um segundo transponder de segurança para o caso de o primeiro falhar e considerou "altamente improvável" o desligamento involuntário do equipamento.
Para isso acontecer, explicou Curado, seria preciso apertar duas vezes o mesmo botão e "não se pode fazer isso com um esbarrão". Questionado se os pilotos do jato teriam desligado propositadamente o aparelho, Curado foi evasivo: "Isso só a investigação poderá concluir". A investigação à qual o executivo se refere está sendo feita pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico (Cenipa), subordinado à Aeronáutica. Com o transponder desligado, o jato ficou sem comunicação com as torres de controle e colidiu com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, em acidente que matou 154 pessoas.
Curado informou ainda que os pilotos americanos Joseph Lepore e Jean Paul Paladino, do Legacy, tinham autorização reconhecida internacionalmente para operar esse tipo de aeronave e que a empresa Excel Aire - que comprou o jato da Embraer - possui uma frota de "três ou quatro" aviões semelhantes, não sendo, portanto, um equipamento desconhecido para os comandantes.
Funcionários no jato
Dois funcionários da Embraer estavam no jato no momento da colisão. Segundo suposta degravação da caixa-preta do Legacy, obtida pelo deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), há registros de um desses funcionários - provavelmente Henry Yendle, que também é americano - conversando em vários momentos com os pilotos, inclusive fazendo orientações sobre como operar o Legacy.
Curado demonstrou desconhecimento sobre essa prática e afirmou que o funcionário americano estava no jato por ter sido o vendedor do avião e ser costume da empresa acompanhar o cliente até o fim da negociação. O outro funcionário da Embraer no jato era o gerente de comunicação e marketing da empresa, Daniel Bachmann, que prestará depoimento amanhã na CPI.
Bachmann acompanhou no plenário a maior parte do depoimento de Curado, mas foi obrigado a sair depois de o deputado Carlos Willian (PTC-MG) ter levantado questão de ordem lembrando que o Código Penal impede que uma testemunha acompanhe o depoimento de outra testemunha. O gesto foi considerado exagerado pelo relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), uma vez que se tratava de uma audiência pública.
Para Maia, o fato mais "estranho" relacionado à presença de Bachmann foi a declaração de Curado de que não conhecia o funcionário. Bachmann só foi identificado mais de duas horas depois de iniciado o depoimento, quando o deputado Ivan Valente (Psol-SP) indagou diretamente ao presidente da Embraer se Bachmann estava no plenário, e Curado pediu a ele que se identificasse caso estivesse presente. "Achei estranho ele [Curado] dizer que não conhece um funcionário que sofreu um acidente aéreo exercendo seu trabalho", comentou Maia.
Veja os depoimentos prestados até agora
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Edição - Patricia Roedel
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