CPI: Caixa-preta reforça responsabilidade de pilotos

04/06/2007 - 18:27  

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou que a transcrição da caixa-preta do jato Legacy imputa aos pilotos americanos Joseph Lepore e Jean Paul Paladino a maior responsabilidade pelo acidente entre o jato e o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, que causou a morte de 154 pessoas.

Em audiência reservada para ouvir os controladores de vôo que estavam trabalhando no momento do acidente, o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) apresentou aos deputados a transcrição, até então inédita entre os parlamentares, que demonstraria desconhecimento dos pilotos sobre o funcionamento dos equipamentos do avião e negligência com os procedimentos básicos de segurança. "Foi a primeira vez que tive acesso à caixa-preta e, se pudesse apontar os responsáveis pelo acidente, seriam os pilotos", declarou Maia. Essa afirmação representa uma mudança de opinião por parte do relator, que no último dia 24 atribuiu aos controladores a maior responsabilidade pelo acidente.

Segundo Maia, em algumas passagens da gravação, os pilotos demonstraram a intenção de desligar alguns equipamentos e usaram a expressão "brincar" poucos minutos antes da colisão. Há suspeitas de que a "brincadeira" representaria fazer manobras com o avião em desrespeito ao plano de vôo da aeronave. "São informações novas que chegam ao processo e precisam ser consideradas", declarou.

Controladores de vôo
Os deputados da CPI ouviram nesta segunda-feira os quatro controladores responsáveis pelo controle aéreo no Cindacta 1 (Brasília) no momento do acidente. Um acordo entre o advogado dos controladores e os deputados transformou a reunião - que era aberta no início - em reservada, restringindo os depoimentos apenas aos parlamentares e aos funcionários da comissão.

O primeiro dos controladores a falar foi Lucivando Tibúrcio de Alencar, que leu um manifesto da categoria e responsabilizou os pilotos do jato e os equipamentos de controle de tráfego aéreo pelo acidente. Lucivando lançou uma série de dúvidas sobre os procedimentos dos pilotos e declarou que um engenheiro não identificado do Cindacta 1 teria analisado o Legacy no dia seguinte ao acidente e constatado na gravação dos radares a variação de mais de 4 mil pés no radar primário, "onde a variação normal é de 300 pés a mil pés".

Antes do início da sessão da CPI, cerca de 25 controladores de vôo fizeram um protesto silencioso em defesa do colega Jomarcelo Fernandes dos Santos, acusado pelo Ministério Público Federal de homicídio doloso eventual por ter deixado o posto de comando no Cindacta 1 no dia do acidente sem avisar seu substituto (Lucivando) de irregularidade na rota do jato Legacy. Os controladores carregavam placas com o nome de Jomarcelo penduradas no pescoço como forma de se dizerem iguais ao acusado. "Nossa intenção é demonstrar que todos os controladores são solidários com Jomarcelo", disse o 3º sargento Carlos Eduardo Alves da Silveira, um dos organizadores do protesto da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA).

Depoimento dos pilotos
A CPI ainda tenta ouvir o depoimento dos pilotos do Legacy nos Estados Unidos. Marco Maia informou que já foi enviado pedido aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores para que negociem o depoimento com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Para o relator, os pilotos devem apresentar a sua interpretação das conversas gravadas na caixa-preta.

Confira os depoimentos prestados até agora à CPI

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Reportagem - Rodrigo Bittar e Geórgia Moraes
Edição - Regina Céli Assumpção

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