Internautas criticam tese de que transponder foi desligado
28/05/2007 - 19:35
Em bate-papo promovido pela Agência Câmara com o relator da CPI da Crise Aérea, deputado Marco Maia (PT-RS), controladores de vôo e pilotos de aeronave criticaram as investigações da Polícia Federal que apontam a possibilidade de os pilotos do jato Legacy terem desligado o transponder da aeronave. A maioria acredita que um piloto desligar intencionalmente o equipamento seria um atitude suicida.
O internauta Márcio questionou por que um piloto desligaria o transponder mesmo sabendo que sua vida correria risco. Marco Maia afirmou que também não entende a razão, mas lembrou que as investigações comprovam que o equipamento foi desligado. O deputado explicou que, ao analisar os dados sobre o acidente, não conseguiu identificar como o transponder poderia ter sido desligado involuntariamente. "Por isso estamos convocando os pilotos americanos para depor na CPI. Talvez eles possam nos dar elementos que nos permitam acreditar nessa afirmativa de que o transponder foi desligado involuntariamente."
O relator explicou que a CPI está analisando todas as informações relativas ao acidente com o avião da Gol. "Vários fatores contribuíram para a colisão, até mesmo porque um acidente como este não ocorre apenas por um erro, mas sim por uma seqüência de erros. Nesta seqüência, é possível, sim, identificar responsabilidade nos pilotos americanos."
O internauta Georgerock perguntou ao deputado em quais dados ele se baseia para afirmar que o transponder do jato Legacy foi desligado. Marco Maia afirmou que suas declarações estão baseadas nas perícias realizadas tanto pelas empresas quanto pela Polícia Federal. "O transponder do Legacy não tinha defeito e, portanto, fora desligado".
Problemas técnicos
Georgerock lembrou, durante o bate-papo, que a National Transportation Safety Board (NTSB) - entidade internacional da área de segurança de vôos - emitiu recomendações para que haja aviso evidente em caso de desligamento de transponder e do sistema de alerta de tráfego e evitador de colisão (TCAS). Marco Maia afirmou que a preocupação do internauta é pertinente, pois, até o momento, o transponder não dispõe de um sinalizador em caso de falha ou desligamento. "Esta é uma recomendação que está sendo dada, inclusive aos fabricantes, para que introduzam nos novos transponders um sistema de aviso sonoro para esses casos".
O internauta apontou outros problemas, como panes em TCAS, transponders e rádios, que vêm ocorrendo desde 2005; o uso de silicone não-condutor de eletricidade em terminais de conexão do transponder, o que poderia prejudicar o funcionamento do equipamento; e informações incorretas nos computadores de bordo. Marco Maia afirmou que essas são informações novas, que serão analisadas tecnicamente. "O que posso lhe afirmar é que as condições técnicas, tanto da Polícia Federal quanto da Aeronáutica, estão adequadas para a análise dessas informações. Muitas dessas análises estão sendo ou foram realizadas nos Estados Unidos ou no Canadá. Portanto, você pode ter certeza de que nós teremos informações muito precisas sobre o funcionamento dos equipamentos e as condições das aeronaves no momento do acidente."
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Edição - Patricia Roedel
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