Especialistas defendem Estado laico em seminário GLBT
O juiz de Direito Roberto Lorea afirmou que existe no Brasil um apartheid sexual, que divide a população em homossexual e heterossexual, resultado em parte de uma influência religiosa histórica na política. Lorea disse que a laicidade é o fundamento da democracia. "Ser laico é ser democrático. Não é ser anti-religioso, mas é garantir a pluralidade religiosa", afirmou.
O vencedor da 5ª edição do programa Big Brother Brasil, Jean Wyllys, também condenou o fundamentalismo religioso. Para ele, sempre que a história esteve nas mãos de fundamentalistas, a violência, a discriminação e o preconceito foram disseminados.
Uso da religião
O diretor de Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, criticou o uso da religião para condenar o homossexualismo na sociedade brasileira. Dentro da Bíblia, disse Balestreri, que é historiador e estudioso do assunto, "existem trechos que defendem a igualdade entre os homens, a compaixão e o amor". No entanto, disse, prevalece uma leitura das escrituras que esquece as manifestações de acolhimento de Jesus Cristo. "Jesus sofreu também uma condenação moral por parte da Igreja da época, justamente por acolher pessoas que eram execradas moralmente pela sociedade", lembrou o pesquisador. Balestreri defendeu a laicidade e disse que ainda existe no Brasil uma "contaminação teocrática" do Estado.
Traço cultural
A deputada Maria do Rosário (PT-RS), integrante da Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT, mostrou que a presença da religião nos Poderes ainda é um traço cultural brasileiro muito forte e deve ser respeitada. Por outro lado, ela disse que o Parlamento tem avançado na abordagem das diferenças.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, lembrou a parlamentar, disse na semana passada que não existe tema proibido para a Casa, ao falar de aborto e pena de morte. Rosário também lembrou a postura laica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a visita do papa Bento 16 ao Brasil, neste mês, e a aprovação pela Câmara, no ano passado, do Projeto de Lei 5003/01, que criminaliza a homofobia. Reportagem - Roberto Seabra
Edição - Regina Céli Assumpção
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