Câmara anuncia as vencedoras do Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós de 2025
11/09/2025 - 18:43
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados anunciou as vencedoras do Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós 2025. O diploma homenageia mulheres que contribuíram para o exercício da cidadania, a defesa dos direitos femininos e as questões de gênero no Brasil.
As escolhidas na edição deste ano são:
Anna Maria Rattes - Deputada federal de 1987 a 1991, participou da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição Federal de 1988. Na ocasião, coordenou a Bancada Feminina e foi autora de mais de 100 emendas aprovadas no texto constitucional, entre as quais muitas em defesa dos direitos das mulheres. Também foi presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro, sendo responsável por várias ações de defesa dos direitos da mulher, além de lançar o Projeto Memória Viva, destinado a rastrear e divulgar a trajetória, os avanços e a história da mulher brasileira que atua na área política, social, cultural ou econômica, lutando por sua cidadania e pela construção do país.
Sueli Maxakali - Liderança do povo Tikmũ’ũn, mais conhecido como Maxakali – povo indígena originário de uma região compreendida entre os atuais estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Sua trajetória destaca-se pelo resgate da memória e pela reinvenção contemporânea dos saberes do seu povo, com ênfase nas práticas, cosmologias e lutas das mulheres e meninas Maxakali. Além de liderança, Sueli é educadora, fotógrafa e cineasta da Arte Indígena Contemporânea.
Elaine Matozinhos Ribeiro Gonçalves - Delegada de polícia em Minas Gerais, atuou na criação de estruturas especializadas e consolidação de políticas públicas de proteção à mulher. Em 1985, inaugurou a primeira Delegacia de Defesa dos Direitos da Mulher em Minas Gerais (a segunda no Brasil). Em 2009, elegeu-se vereadora, apresentando durante seu mandato projetos voltados à moralidade e proteção no setor público. Também atuou no Conselho Nacional e na Organização dos Estados Americanos (OEA), influenciando a construção jurídica da Convenção Interamericana para Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, marco para a Lei Maria da Penha.
Sueli Carneiro - Filósofa, feminista e ativista antirracista do Movimento Negro brasileiro. Em 1987, coordenou o Programa Mulher Negra do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), órgão do Ministério da Justiça, em Brasília, onde realizou o projeto Tribunal Winnie Mandela, que abordou o centenário da abolição da escravatura sob a perspectiva de mulheres negras. No ano seguinte, fundou, ao lado de outras militantes negras, o Geledés – Instituto da Mulher Negra, que denunciou as violências e discriminações sofridas pelas mulheres negras no Brasil, além de construir ferramentas de resistência, como projetos de advocacy, ações jurídicas e iniciativas educativas.
Elda Coelho de Azevedo Bussinguer - Professora da Universidade Federal do Espírito Santos, atuou em projetos ligados à defesa dos direitos à Saúde, Educação e Meio Ambiente. É líder do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Políticas Públicas, Direito à Saúde e Bioética, um dos primeiros Grupos de Pesquisa registrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a ter a extensão em seu título e prever ações concretas de atuação junto à sociedade.
A cerimônia de outorga do diploma será realizada no dia 29 de outubro em local e horário ainda a serem divulgados.
Carlota Pereira de Queirós
Médica, escritora, pedagoga e política, Carlota Pereira de Queirós (13/02/1892 - 14/04/1982) nasceu na cidade de São Paulo e foi a primeira mulher brasileira a votar e ser eleita deputada federal.
Formou-se médica pela Universidade de São Paulo em 1926, com a tese Estudos sobre o Câncer. Interna da terceira cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e chefe do Laboratório de Clínica Pediátrica (1928), Carlota foi assistente do professor Pinheiro Cintra. Foi comissionada pelo governo de São Paulo em 1929 para estudar Dietética Infantil em centros médicos da Europa. Membro da Associação Paulista de Medicina de São Paulo, "Association Française pour l'Étude du Cancer", Academia Nacional de Medicina e Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires, fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, em 1950.
Eleita pelo estado de São Paulo em 1934, fez a voz feminina ser ouvida no Congresso Nacional. Participou dos trabalhos na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935. Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças, trabalhava por melhorias educacionais que contemplassem melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira. Ocupou seu cargo até 1937, quando o Congresso foi fechado.