Exposição histórica na Câmara propõe olhar sobre povos e lutas que ajudaram a moldar a capital federal
"Outras Brasílias: memórias sensíveis e contranarrativas" é resultado de ações de pesquisa e extensão desenvolvidas pela UnB, com apoio do Iphan. Mostra pode ser visitada até 29 de abril, no Espaço do Servidor, no Anexo II
01/04/2025 - 08:38
Para marcar os 65 anos da inauguração da capital federal, o Centro Cultural Câmara dos Deputados exibe até 29 de abril, no Espaço do Servidor, "Outras Brasílias: memórias sensíveis e contranarrativas", uma mostra de textos, mapas, vídeo e fotos que propõem o reconhecimento da diversidade de povos e lutas que moldaram e continuam a moldar a cidade. O trabalho é fruto das ações de pesquisa e extensão desenvolvidas pelo projeto na Universidade de Brasília (UnB), com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A professora Cristiane de Assis Portela, coordenadora do projeto e curadora da exposição, explica que as histórias oficiais sobre transferência da capital para o interior do país eram a de uma ideia antiga, viabilizada por condições políticas favoráveis e amplos estudos para a escolha da sua localização. Essa versão pode dar a entender que, em meados do século XX, o Planalto Central era um território completamente vazio. No entanto, povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos já habitavam o local muito antes da construção de Brasília e se faz necessário legitimar sua presença e história.

Contradições sociais
Além disso, a professora aponta que a construção de Brasília nos anos 1950 ocorreu em meio a desigualdades e contradições sociais. Na década de 1960, por exemplo, enquanto a elite política do Plano Piloto pedia o retorno da capital para o Rio de Janeiro, a população de Taguatinga, Núcleo Bandeirante e Ceilândia lutava por moradia, comida e trabalho. A exposição revela contranarrativas dessas histórias por meio de eventos marcantes, como o Massacre da Guarda Especial de Brasília em 1959, a luta das mulheres de Taguatinga por água em 1960, a luta dos Incansáveis da Ceilândia por direito à moradia, em 1978; o violento incêndio ocorrido na Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante) no mês seguinte à inauguração de Brasília; e a manifestação de trabalhadores apelidada de “Badernaço”, em 1986.
Cristiane enfatiza que a história de Brasília vai além das conquistas dos líderes políticos e heróis populares. É também a história de trabalhadores, mulheres negras, comunidades periféricas, indígenas, professores e estudantes que buscam reconhecimento e justiça. Ao contar essas histórias diversas, acredita-se que a exposição possa contribuir para a educação e a democracia.
Exposição Outras Brasílias: memórias sensíveis e contranarrativas
Visitação: de 3 a 29 de abril de 2025, de segunda a sexta
Horário: das 9h às 17h
Local: Espaço do Servidor — Câmara dos Deputados, Anexo II