Lançado na Câmara Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente

A publicação apresenta análises sobre as principais proposições legislativas referentes à infância e à adolescência que tramitam no Congresso Nacional.
Da Agência Câmara - 18/03/2015 - 22:22
Divulgação
Caderno Legislativo da Fundação Abrinq
O Caderno Legislativo pretende subsidiar o debate sobre 48 proposições que defendem ou reduzem direitos das crianças e dos adolescentes.

A Fundação Abrinq, que atua na promoção dos direitos de crianças e adolescentes lançou nesta quarta-feira (18) a segunda edição do Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente, com propostas que estão em discussão no Congresso Nacional.

A instituição acompanhou 1.015 proposições legislativas que tramitavam na Câmara dos Deputados e no Senado em 2014, mas a publicação destacou 48 sugestões consideradas prioritárias por promover impacto relevante na defesa dos direitos das crianças ou por representar risco, pois reduzem os direitos dos adolescentes.

Apresentação da 2ª edição do “Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente”. Representante da Fundação Abrinq, Carlos Tilkian
Carlos Tilkian: as análises são feitas entidades que conhecem e vivem a realidade das crianças e dos adolescentes. - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Entre elas, estão: a que prevê financiamento de creches públicas, a que cria o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas e a que torna obrigatório o "teste do olhinho" em todo o País.

Segundo o presidente da Fundação Abrinq, Carlos Tilkian, o objetivo é ajudar, por meio da análise técnica e crítica, o debate sobre os principais projetos em andamento. "Ao suprir com mais informações, com análises que são feitas não só pelo corpo técnico da Fundação Abrinq, mas por entidades que conhecem e vivem a realidade das crianças e dos adolescentes, é uma contribuição que nós damos para as duas Casas, para que os temas de crianças e de adolescentes possam ser melhor discutidos".

Educação, proteção e saúde

A publicação foi dividida pelos temas de educação, proteção e saúde. São discutidos assuntos como maioridade penal, desaparecimento de crianças e adolescentes, exigência de laudo pericial em crimes de exploração sexual, idade para ingressar no ensino fundamental, educação integral, pornografia infantil e crimes cibernéticos, bullying, trabalho infantil, uso de drogas e álcool, entre outros.

Apresentação da 2ª edição do “Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente”. Dep. Chico Alencar (PSOL-RJ)
Chico Alencar: deve se ter cuidado ao tratar desses temas para não haver retrocessos ou precarização de direitos e assim fazer leis contra o povo. - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Para a secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Angélica Goulart, o rebaixamento da maioridade penal e a redução da idade para o trabalho geram perdas para os direitos constitucionais já garantidos de crianças e adolescentes. "É um mito achar que a situação da segurança pública é responsabilidade de adolescentes. Adolescente pra gente é aquele entre 12 e 18 anos. O número de adolescentes que comete atos infracionais é infinitamente pequeno. Então, estamos mobilizando a sociedade para fazer uma mudança na Constituição, fazer uma intervenção de retrocesso de direitos por uma situação que não se justifica".

Para o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), deve se ter cuidado ao tratar de temas como esses para não haver retrocessos ou precarização de direitos e assim fazer leis contra o povo. "Há uma tendência forte de olhar a criança e o adolescente na perspectiva da criminalização. Portanto, em vez de escola, carinho e cuidado, se quer prisão, repressão e cadeia. Esse caminho é o do ódio, é do aprofundamento dos problemas e desprotege a sociedade".

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) avaliou que a proposta de redução da maioridade penal não vai diminuir a violência. “Muitos parlamentares e uma parte significativa da sociedade estão cansados da violência, querem uma solução e encontram esta que aparentemente poderia enfrentar a violência. Só que ela é falsa. A proposta de redução da maioridade penal terá uma força ainda maior para ampliar a violência. Vamos devolver os adolescentes ainda mais violentos.”

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