10/01/2014 13:19 - Segurança
Radioagência
Relator denuncia inércia do governo do Maranhão para resolver violência em presídios
Relator da CPI do Sistema Carcerário, deputado Domingos Dutra, do Solidariedade do Maranhão, denuncia inércia das autoridades do estado para resolver o problema da violência nos presídios.
A onda de rebeliões comandada por facções criminosas de dentro dos presídios no Maranhão, já causou a morte de mais de 60 detentos desde o ano passado e de uma menina de seis anos durante um ataque a ônibus neste ano.
A crise dos presídios maranhenses foi diagnosticada pela CPI do Sistema Carcerário, que atuou entre 2007 e 2008. Na época, o colegiado percorreu penitenciárias de 26 estados e do Distrito Federal e fez um raio x das unidades prisionais brasileiras. No caso do Maranhão, os parlamentares chamaram atenção para as condições desumanas e a superlotação, onde o estado tinha um déficit de 3.542 vagas.
Para o deputado Domingos Dutra, trata-se de uma tragédia anunciada. Ele critica ainda o não cumprimento da legislação proposta pela CPI.
"São comunidades de gente. São milhares e milhares de homens e mulheres amontoados como lixo e esse pessoal se organiza para o bem e para o mal. Como o governo não cumpre suas obrigações, o crime organizado cumpre. Nós depois da CPI, nós aprovamos a lei que trata das medidas cautelares, onde o juiz tem várias opções que não seja só a prisão. Nós aprovamos a lei que estabelece que a cada três dias de trabalho e a cada três dias de estudo, o preso reduz um dia de sua pena. Quantos presos trabalham hoje em obras do PAC? Nenhum. Quantos presos trabalham produzindo alimentos para o consumo interno? Nenhum"
A escalada de violência nas penitenciárias maranhenses chamou a atenção de organismos internacionais que cobraram das autoridades brasileiras soluções concretas para resolver a crise na segurança pública vivida pelo estado.
Na quinta-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, anunciaram medidas para conter a crise. Entre os 11 pontos anunciados, ficou acertada a criação de um comitê gestor da crise no sistema carcerário, que deverá contar com medidas integradas dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário locais.
A Defensoria Pública, por exemplo, fará um mutirão para analisar a situação dos presos a fim de colocar em liberdade os que cumpriram suas penas, além de buscar alternativas penais, como monitoramento eletrônico, para os que forem de menor periculosidade e estão em condições de receber esses benefícios. Essas medidas poderão ajudar a desafogar o sistema prisional, que sofre com a superlotação.
O ministro e a governadora também anunciaram que, até a próxima semana, será organizada a transferência dos presos para presídios federais. O governo federal já havia oferecido as vagas a fim de retirar das unidades prisionais maranhenses os líderes das facções criminosas que deram as ordens para os atos de terror na cidade.


