Painel Eletrônico

Deputada Talíria Petrone: homenagem a Marielle marca resposta para a democracia após condenação de mandantes

11/03/2026 - 08h00

  • Entrevista - Dep. Talíria Petrone (PSOL-RJ)

A Câmara dos Deputados presta, mais uma vez, uma homenagem à memória da vereadora Marielle Franco e a seu motorista, Anderson Gomes. Uma sessão solene está marcada para esta quarta-feira (11/3), oito anos após o assassinato dos dois, no Rio de Janeiro. Desde as mortes, em 14 de março de 2018, a Câmara relembra o crime.

Em entrevista ao Painel Eletrônico (11), a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) disse que a solene ocorre em momento importante para a democracia, após a condenação dos mandantes do assassinato de Marielle pelo Supremo Tribunal Federal.

“É algo histórico, no banco dos réus, agentes públicos que sustentavam um setor da milícia do Rio de Janeiro e que foram condenados de forma contundente por essa execução política de Marielle, que culminou também na execução de um trabalhador, Anderson. Esse julgamento é uma resposta para nós, que amávamos Marielle. Mas ele é, acima de tudo, uma resposta para a democracia e uma afirmação de que não é possível aceitar que a milícia governe o Rio e outros 15 estados onde hoje a milícia está presente”, disse.

Amiga e colega de partido de Marielle, Talíria Petrone é uma das autoras do pedido da sessão em homenagem à memória da então vereadora pelo Rio de Janeiro e seu motorista. Ela relatou que, pelo trabalho feito no combate às milícias, também sofre ameaças e, por isso, está há anos sob escolta armada, assim como sua família.

“Se você olha o Rio de Janeiro, mais da metade do território da região metropolitana é comandada por milícias. A milícia determina o preço do gás, a milícia determina o preço do imóvel que vai ser especulado ali e isto tem a ver, inclusive, com a execução de Marielle. A milícia vende droga, se aliando a setores hoje do tráfico de drogas. E a milícia governa. A milícia só se sustenta porque há um poder político que sustenta o crime. Crime e política no Rio de Janeiro se associam de uma maneira inadmissível,” denunciou.

A parlamentar também comentou na entrevista o fato de a então vereadora ter sido escolhida como alvo pelo seu papel como mulher negra na política.

“Foi o corpo de uma mulher, de uma mulher negra, de uma mulher mãe, da favela. A fala da ministra Cármen Lúcia (do STF) mostra muito isso. A do relator (ministro Alexandre de Moraes) também. Era uma noção de que esse corpo era um corpo descartável, de que esse corpo não provocaria uma reação como foi a reação do mundo inteiro diante do horror da execução no meio de uma capital, 8 horas da noite,” destacou.

Ao falar de medidas legislativas, Talíria criticou respostas focadas apenas em aumentar penas e defendeu o uso da inteligência para seguir o fluxo de dinheiro das organizações criminosas. Ela defendeu uma mudança na Constituição para permitir a federalização de crimes de milícia e mencionou a PEC da segurança pública (PEC 18/2025), aprovada na Câmara, com referência ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

Apresentação: Ana Raquel Macedo

Jornal ao vivo com entrevistas e reportagens sobre temas em destaque na agenda da Câmara

De segunda a sexta, às 8h, ao vivo. Mande sua sugestão pelo WhatsApp: (61) 99978.9080.