Mulheres de Palavra
A importância do voto feminino
01/10/2026 - 08h00
-
A importância do voto feminino
As mulheres são quase 53% do eleitorado nacional. Dos 158 milhões de eleitores, elas são 83 milhões.
A maioria feminina entre os eleitores não passou despercebida dos partidos e muitas legendas apostaram em mulheres para cargos ao Legislativo, especialmente senadoras. E, apesar de o número de candidatas a cargos no Executivo ser bem menor que o de candidatos, as campanhas destacaram pautas importantes para elas, como segurança pública, combate às bets e preço dos alimentos.
Neste episódio do Mulheres de Palavras, o último antes do primeiro turno, marcado para 04 de outubro, a jornalista Ana Raquel Macedo e a colunista e coordenadora do Observatório Nacional da Mulher na Política, Cristiane Bernardes, recebem como convidada a professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) Débora Thomé, para uma conversa sobre o papel das mulheres na eleição.
Débora lembrou que as regras eleitorais exigem não apenas um mínimo de 30% de candidaturas de mulheres como também o financiamento dos partidos para elas em percentual proporcional à participação na disputa.
“E isso é fundamental, porque, apenas tendo esse dinheiro, é possível que elas se tornem candidatas competitivas. As campanhas no Brasil são muito caras. Na prática, o que que a gente tem visto nos últimos anos? Os partidos não têm cumprido com isso e, ao não cumprir com isso, eles mesmos botam as suas isenções. Então, isso dificulta a vida de mulheres que são teoricamente competitivas, mas que acabam tendo muita dificuldade,” alertou.
A pesquisadora destacou que atualmente as mulheres representam apenas 18% do Congresso.
Um alerta importante, nestas eleições, é para o aumento de um discurso contrário ao voto feminino, apesar do espaço dedicado a elas nas campanhas e nas candidaturas de esquerda e direita. Cristiane Bernardes avaliou que esse discurso é semelhante ao que existia no fim do século XIX e início do XX e que levou ao movimento sufragista.
“Parece assim um retorno ao passado realmente. Quer dizer, os argumentos são quais? Que as mulheres votam mal, as mulheres não entendem de política, as mulheres não se interessam por política, elas deveriam continuar na pia e no tanque, cuidando dos seus filhos, interessadas na vida doméstica apenas e deixar a política com os homens,” criticou.
A colunista citou pesquisas que apontam diferenças ideológicas entre homens e mulheres. E estudos que demonstram como as mulheres estão mais expostas normalmente a situações como a responsabilidade pelo cuidado da família e a exposição à violência.
“Então acho que a gente tem muita margem para investigação, para pesquisa, para realmente identificar quais são as motivações sociais, econômicas e políticas que levam mulheres e homens a votarem de forma diferente. Agora, o que não cabe questionamento é o exercício inalienável e legítimo dos direitos políticos por todas as cidadãs e por todos os cidadãos que conformam uma comunidade política. Na democracia, não há espaço para a o questionamento sobre o exercício do livre direito de votar e ser votado, de votar e ser votada,” enfatizou Cristiane.
Apresentação: Ana Raquel Macedo