Economia Direta

Eliminação do Brasil reduz consumo, mas comércio não diminui otimismo com vendas para a Copa do Mundo

06/07/2026 - 08h00

  • Entrevista: assessor econômico e tributário da Fecomércio/DF Daniel Soares

A Copa do Mundo deste ano vai movimentar em torno de R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro. A estimativa é do assessor econômico e tributário da Fecomércio do Distrito Federal, Daniel Soares. A estimativa traz, inclusive, um crescimento real comparado à última Copa de 2022.

Daniel Soares diz, no entanto, que esse potencial tende a se reduzir agora, que o Brasil foi eliminado da Copa Do Mundo. “É claro que alguns setores vão ser impactados porque, evidentemente, a demanda pelas camisetas, pelos acessórios, vão diminuir”. Mas, segundo ele, “o varejo já se organizou fazendo as compras e os estoques. E fazendo também a parte da decoração. De certa forma, tudo isso já foi absorvido”, diz. “Eu acredito que, na final, vai mobilizar ainda boa parte das famílias brasileiras”. Afirma.

A Copa do Mundo impacta diretamente o varejo e, basicamente, os serviços voltados para alimentação, bares e supermercados, além de vestuários, artigos esportivos, turismo e transporte. Segundo Daniel Soares, o impacto se dá por “compras associadas à convivência, à confraternização e ao lazer”. Ele cita como exemplos: bebidas e carnes para churrasco, “especialmente nos dias que teve a participação do Brasil”.

Daniel Soares destaca a mudança do perfil do consumidor, que antes comprava aparelhos de TV em véspera de Copa, e agora “frequenta bares e serviços com o consumo mais imediato”. Daniel afirma que isso ocorreu devido ao endividamento das famílias, resultante dos juros elevados. “A taxa de juros elevada tende a reduzir as linhas de crédito. O crédito mais caro coíbe um pouco as pessoas de fazerem esse investimento e tem efeito direto no consumo das famílias para esses bens duráveis”, afirma.

Daniel Soares afirma que a Copa estimula ainda a contratação temporária de pessoas, devido ao aumento da demanda em alguns setores – principalmente em bares e restaurantes. Mas o aumento do consumo não tem força para impactar os índices de inflação, por exemplo, porque - segundo Daniel Soares – o efeito é sazonal, temporário, por compreender um curto espaço de tempo. “A inflação depende de fatores de longo prazo, macroeconômicos, entre eles a taxa de juros, câmbios, choque de oferta”, explica.

Daniel Soares não vê impactos negativos na Copa, decorrentes de expediente mais curto ou pontos facultativos. “Essas práticas são absorvidas pelo mercado e isso, de certa forma, já têm uma certa previsão. Então, o setor produtivo se organiza diante dessa dinâmica”.

Apresentação: Mauro Ceccherini

Toda segunda-feira, no programa "Painel Eletrônico". Mande sua sugestão pelo WhatsApp: (61) 99978.9080.