Economia Direta

Educação financeira é fundamental em país com quase 82 milhões de inadimplentes, alerta especialista

06/04/2026 - 08h00

  • Entrevista - Especialista em Educação Financeira da Serasa, Aline Vieira

A especialista em educação financeira Aline Vieira, da Serasa, alertou sobre as altas taxas de inadimplência no Brasil e deu dicas de como evitar que uma dívida acabe negativando o nome do consumidor. Vieira participou do Economia Direta desta segunda-feira (6).

Dados recentes da Serasa mostram que o brasileiro atingiu recordes de inadimplência, quando uma dívida sai do prazo de pagamento e negativa o nome da pessoa. Em fevereiro, foram quase 82 milhões de inadimplentes no país, após 14 meses consecutivos de alta. Desde o início do levantamento pela Serasa, há dez anos, é o mês com maior número de inadimplentes registrados.

“Um dado desse estudo que chama muita atenção - e é preocupante - é a reincidência. Então, nós vimos que 34 milhões de brasileiros estavam inadimplentes lá atrás e continuam inadimplentes mesmo após 10 anos. O que mostra isso? Que é preciso mudar essa relação com o dinheiro e não somente procurar oportunidade de renegociar. As renegociações facilitam muito a saída dessa situação, mas também (devem ser) oportunidade de organização financeira,” disse Aline Vieira.

Sobre o perfil dos inadimplentes, Aline Vieira afirmou que as mulheres passaram a ser maioria, com 51%, contra 49% dos homens. Ela relacionou essa mudança a um conjunto de fatores e destacou a maior participação das mulheres nas finanças da casa. Disse ainda que muitas delas são as únicas responsáveis financeiras do lar.

Quanto à faixa etária, o levantamento da Serasa mostra que pessoas entre 41 e 60 anos têm a maior participação entre os inadimplentes, com 35,6%. Mas chama atenção também os dados dos inadimplentes com mais de 60 anos, com 19,8% do total.

“É aí temos a questão de empréstimo, que pode ser facilitado para esse público mais velho também; então a gente tem uma mudança na oferta do crédito para esse público. Com relação a golpes também, então a digitalização, assim como ela vem para ajudar com relação à educação financeira, que os jovens têm bastante acesso, ela também acaba levando muitas vezes a fraudes,” alertou.

A especialista disse que leis como a de combate ao superendividamento (Lei 14.181/2021) e programas governamentais recentes, como o Desenrola, ajudam no combate à inadimplência. Mas, mais uma vez, reforçou a necessidade de educação financeira para evitar dívidas sem capacidade de pagamento dentro do orçamento familiar.

Apresentação: Ana Raquel Macedo

Temas de política econômica explicados de forma direta e didática.

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