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Parlamentares citados em depoimentos da Lava Jato reagem a acusações

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O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na noite de sexta-feira a abertura de inquérito contra 22 deputados federais - oito do PP, dois do PT e dois do PMDB.  Eles foram citados em depoimentos da operação Lava Jato como supostos beneficiários de recursos desviados da Petrobras.

No fim de semana, quase todos negaram as acusações e disseram que vão provar sua inocência: 17 deles publicaram notas em seus perfis no Facebook, três deram entrevistas, um não quis se pronunciar até conhecer a acusação e outro não foi localizado.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, divulgou nota oficial no sábado, em seu site pessoal e em redes sociais, na qual nega ter recebido recursos desviados da Petrobras. "Fui à CPI da Petrobras, que aliás ajudei a criar, para me colocar à disposição para esclarecer. Vou pedir ao presidente para comparecer [novamente] visando detalhar vírgula a vírgula dessa indecente petição", disse.

Na nota, Cunha acusa o governo de ter negociado com o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a inclusão do seu nome na lista das autoridades que deveriam ser investigadas. Ele argumenta que seu nome foi citado pelo doleiro Alberto Yousseff no mesmo depoimento em que este menciona o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), e na mesma situação - o doleiro teria ficando sabendo de pagamentos feitos por terceiros-, mas não tinha provas. Assim, segundo o deputado, o procurador só poderia incluir o nome de Anastasia na lista se incluísse também o seu.

Afonso Hamm (PP-RS) expressou "surpresa e indignação" pelo fato de seu nome estar na lista. "Rechaço veemente qualquer envolvimento ou participação no processo denunciado pela operação Lava Jato. Com tranquilidade, digo à sociedade brasileira, em especial aos gaúchos que sempre confiaram na minha trajetória política, e à imprensa, que não possuo relação com a corrupção na Petrobras. Neste momento, coloco-me à disposição das autoridades competentes para todos os esclarecimentos necessários."

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) afirma que nada tem a temer: "irei aguardar o momento oportuno para me pronunciar, só adianto que em 2010 eu era deputado estadual e nem era conhecido nacionalmente. Todavia, prefiro aguardar o teor do inquérito, não tenho nada a temer e acima de tudo defendo a investigação de todas as denúncias”.

Anibal Gomes (PMDB-CE) disse que iria contratar advogado para ter acesso à acusação. "Eu não sei ainda de nada, não tive acesso aos autos do processo. Quero ver o que consta contra mim e esclarecer para a sociedade que eu não estou dentro disso", afirmou. Ele negou que tenha intermediado negociações relacionadas à Petrobras para o presidente do Senado, Renan Calheiros. "Por que ele precisaria de alguém pra fazer interlocução pra ele?"

Arthur Lira (PP-AL) disse ter sido surpreendido pela inclusão do seu nome na lista. "Vamos esperar para ver o que vem de diligência. Não posso falar nada. Para mim é uma surpresa. Não tenho nada a ver com isso", afirmou. "Quero lembrar que é uma lista de réus confessos. Vamos ter que ver o que é isso", disse.

Dilceu Sperafico (PP-PR) afirmou que ficou surpreso ao ver o seu nome na lista dos políticos que serão investigados. "Acreditava jamais estar nesta lista. Até porque nunca tive nenhum contato com Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Nunca conversei e os conheço apenas pela televisão. Eu também nunca tive contato com nenhuma empreiteira porque não é o meu ramo. No congresso nacional eu trato do agronegócio brasileiro."

Eduardo da Fonte (PP-PE), por meio de sua assessoria, disse que só se pronunciará após ter acesso aos autos.

Jerônimo Goergen (PP-RS) afirmou que está indignado e surpreso. "ser citado por alguém que nem conheço é algo que me deixa completamente indignado. Como pode alguém citar algo e isto virar um inquérito? Provarei que nada fiz de errado e buscarei na justiça fazer com que quem me acusa comprove este absurdo. Se alguém em nome do partido progressista movimentou algum dinheiro ilegal, não pode envolver eventualmente pessoas que estão por fora destes trâmites criminosos", disse.

José Mentor (PT-SP) disse ter ficado estarrecido com a notícia sobre a inclusão de seu nome na lista de investigação da Petrobras: "repudio com veemência quaisquer tentativas de me ligarem com o objeto dessas investigações. Sobre as notícias veiculadas, vou procurar com toda a tranquilidade conhecer o que a mim é atribuído e, posteriormente, prestarei os esclarecimentos necessários."

José Otávio Germano (PP-RS) disse que rechaça qualquer vinculação do seu nome a esse escândalo: "não há hipótese de que algo desabonatório ao meu nome ou a minha conduta possa ser encontrado nas investigações da operação lava jato, causando-me indignação e repúdio eventual ilação. Como homem público e agente político, me coloco à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários, bem como para atender aos comandos eventualmente a mim dirigidos”.

Lázaro Botelho (PP-TO) informou que "está absolutamente tranquilo" e buscará mais informações para se posicionar sobre o assunto. O deputado afirma que se trata de um pedido inicial de apuração e que ele "confia na justiça" e "tem a certeza de que será provado que ele não tem nenhum envolvimento" com os fatos apurados pela investigação.

Luiz Carlos Heinze (PP-RS) disse que está sendo vítima de uma mentira: "como qualquer cidadão gaúcho eu também estou perplexo ao ver meu nome na lista da operação lava-jato, mas ao mesmo tempo estou com a consciência tranquila, pois sei que nunca me beneficiei desse esquema. Sempre defendi a moralidade, a clareza na política e repudio qualquer ato de corrupção. Apoiei todas as CPIs e a da Petrobras fui um dos primeiros a assinar. Sempre votei pela cassação dos deputados envolvidos em escândalos, inclusive de parlamentares do meu próprio partido - o PP."

Luiz Fernando Faria (PP-MG) disse que contesta "veementemente" as "insinuações" de que ele teria participa do esquema investigado na lava jato. A nota diz ainda que ele "nunca recebeu valores ilícitos de quem quer que seja e que sempre pautou sua longa e imaculada vida pública por princípios e limites éticos e somente irá se manifestar, após conhecimento dos pretensos fatos alegados".

Missionário José Olimpio (PP-SP) disse que foi "surpreendido com muita indignação" por seu nome estar no rol dos investigados na Lava Jato. Ele disse ainda que buscará ter acesso ao teor do inquérito para provar sua inocência. "Sempre pautei minha vida pública no princípio da legalidade e transparência. Não temo a nenhuma investigação".

Nelson Meurer (PP-PR) negou participação no esquema quando seu nome foi citado, no decorrer das investigações, mas ainda não foi localizado para comentar a inclusão do seu nome na lista de Janot.

Renato Molling (PP-RS) disse que está "profundamente indignado" com a citação do seu nome na lista da operação lava jato. "vou provar minha inocência. Também continuarei, como sempre fiz, praticando a boa política. Não vendo o meu voto e defendo o que é melhor para o país. O prejulgamento já aconteceu, mas com fé em deus e confiança na justiça, continuarei de cabeça erguida!"

Roberto Balestra (PP-GO) negou que tenha participado de qualquer irregularidade: "estou no meu oitavo mandato e sempre tive uma vida política transparente, sem qualquer ato que desabone minha conduta parlamentar. Tranquilizo a todos os meus eleitores e aliados. Não fiz nada que possa envergonhá-los ou constrangê-los. Meu envolvimento com a Petrobras é zero."

Roberto Britto (PP-BA) disse que, "de forma tranquila, orientou sua assessoria jurídica a fornecer todas as informações para auxiliar a justiça no que for de direito". Segundo a nota, o pronunciamento oficial do parlamentar sobre o assunto deverá ser feito após a apresentação do teor dos documentos que envolvem o seu nome: "a investigação é uma oportunidade do esclarecimento e, desta forma, acabar com julgamentos antecipados."

Sandes Jr (PP-GO) disse que repudia qualquer ato de corrupção: "estou surpreso e estarrecido com o meu nome citado na lista de suspeitos de participação no esquema de corrupção da petrobras da operação lava jato. Não conheço nem mesmo tenho qualquer contato com o doleiro Alberto Youssef muito menos com o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Estou tranquilo e estou à disposição da justiça para qualquer esclarecimento."

Simão Sessim (PP-RJ) afirmou estar surpreso com a notícia desde o primeiro momento em que ela veio a público: "desconheço as razões que levaram o ministério público a abrir a investigação. Por isso, constituirei um advogado para acompanhar o processo, com a consciência tranquila, de um homem público que ao longo dos seus mais de 40 anos de vida pública, nunca teve o seu nome envolvido com irregularidades de qualquer tipo”.

Vander Loubet (PT-MS) manifestou "extrema surpresa" com a citação de seu nome entre os investigados. "posso garantir que minha atuação político-parlamentar é pautada pela honestidade, seriedade e responsabilidade, especialmente com a população de Mato Grosso Do Sul - que me confia pela quarta vez o mandato de deputado federal."

Waldir Maranhão (PP-MA) afirmou que, em relação ao seu nome, por enquanto, há apenas um pedido de diligências, o que não obrigatoriamente culminará em abertura de inquérito, como já acontece com outros investigados na operação lava jato. "com a consciência tranquila e certo de que, ao final, a verdade há de prevalecer, manifesto minha disposição imediata de colaborar com as autoridades para o avanço exitoso da investigação."

Apresentação – Lincon Macário e Elisabel Ferriche

Programa ao vivo com reportagens, entrevistas sobre temas relacionados à Câmara dos Deputados, e o que vai ser destaque durante a semana.