Rádio Câmara

Reportagem Especial

Ambientalistas alertam que temperatura do planeta deve subir 2,5 graus até o final do século

  • Ambientalistas alertam que temperatura do planeta deve subir 2,5 graus até o final do século (bloco 1)

  • Cidades emitem mais gases e serão as mais atingidas pelas mudanças climáticas (bloco 2)

  • Confira as principais propostas para reduzir impactos negativos das mudanças climáticas (bloco 3)

  • Pequenas iniciativas individuais podem reduzir o impacto do aquecimento global (bloco 4)

Com a redução no desmatamento da Amazônia, o impacto do aquecimento global nas cidades se tornou o principal foco das preocupações ambientalistas. Estudos indicam que, até o final deste século, a temperatura do planeta deve subir 2 graus e meio. Especialistas tentam apontar soluções, como taxar quem polui e estimular fontes alternativas de energia e o transporte coletivo. Este é o tema da reportagem especial desta semana, em 4 capítulos. Confira agora, com Luiz Gustavo Xavier.

Música: Terra – Caetano Veloso

Mudanças climáticas, aquecimento global, poluição, seca, desastres ambientais: a agenda sustentável do planeta precisa enfrentar esses desafios e de forma urgente. Especialistas e ativistas defendem a redução do consumo de combustíveis não renováveis; a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais; o desenvolvimento de fontes de energias alternativas; a adoção de metas mínimas de poluição e a proteção da biodiversidade. Esse foi o principal foco do seminário “Mudanças climáticas e o impacto nas cidades”, promovido pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.

As cidades são hoje o principal foco de preocupação da agenda ambiental brasileira, sobretudo, em razão das mudanças climáticas que todo o planeta enfrenta. Antes, todo o debate no País estava centrado no elevado desmatamento, principalmente na região amazônica. Com a redução considerável dos índices de desmatamento no Brasil nos últimos anos, nosso foco passou a ser o padrão de consumo energético, a ocupação desordenada dos espaços urbanos e, principalmente, os desafios da mobilidade urbana.

De acordo com a coordenadora da campanha de clima e energia do Greenpeace, Bárbara Rubim, a utilização do transporte individual no deslocamento diário das pessoas nos grandes centros urbanos é responsável pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

“As medidas que temos recomendado na questão do transporte é por meio do governo federal, que haja uma revisão da política do governo de incentivar a indústria automobilística, que o governo pare de agir de forma paternalista, concedendo tantos subsídios para essa indústria. A gente sabe que é uma indústria importante para o PIB brasileiro, mas aumentar as vendas não é a saída. A saída é investir em mais tecnologia do setor, por exemplo, com estabelecimento de metas de eficiência energética. No Brasil, a gente produz carros que são altamente defasados, se a gente for comparar com as tecnologias que existem em outras partes do mundo, e os nossos carros a gente poderia ter um consumo 25% menor se a gente tivesse metas de eficiência energética equivalentes as que já existem na Europa. Se a gente for pegar o setor de transporte, só o uso dos carros já é responsável por 50% das emissões que a gente tem nesse setor, e além disso uma política mais forte de incentivo ao uso de transporte coletivo e a melhoria desse transporte com qualidade e conforto para os usuários”

Diversos estudos da área apontam que, até o final deste século, a temperatura do planeta deve subir 2 graus e meio e essa situação pode ser irreversível. Para a representante do Greenpeace, a situação é alarmante.

“O que a gente tem lutado é tentar mitigar os efeitos para evitar que a temperatura suba tudo isso. Porque se a temperatura subindo meio grau, já enfrentamos as consequências, como o aumento do nível do oceano, o degelo superacelerado do Ártico e da Antártica e esses eventos extremos que começam a afetar o Brasil como a estiagem no sudeste, como a cheia histórica do rio Madeira, se a temperatura subir os dois graus a mais, como é previsto se a gente não reduzir as emissões de carbono a nível mundial, as consequências podem ser desastrosas.”

Música: Planeta Água – Engenheiros do Hawai

Para o diretor da organização Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, é preciso pensar em uma economia de baixo carbono. Segundo ele, uma saída é taxar o carbono para influenciar a inovação tecnológica no setor energético.

“Onde nós podemos avançar é a política tributária e, portanto, começar gradativamente a taxar carbono. Que significa fazer isso para todos, não pode fazer isso para energia e não para agricultura, ou para a agricultura e não para a construção. Todos os setores da sociedade tem que estar em pé de igualdade, portanto, em condições de competir em condições de transparência de maneira que, aos poucos, isso possa trazer para dentro dos preços o valor do carbono e, hoje, no mundo, começa a reconhecer essa abordagem como viável. Hoje o Brasil tem, por exemplo, como se inserir numa situação de taxação progressiva do carbono que começa a ser defendido hoje pelos maiores órgãos de imprensa do mundo.”

Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, o Brasil não investe o suficiente em modelos alternativos energéticos.

“A gente tem que trazer as mudanças climáticas para o debate sobre o modelo de desenvolvimento do País. A gente ainda está em uma zona de conforto e, muitas vezes, o País e o poder público se colocam em uma zona de conforto porque nossa matriz energética é mais limpa do que a de outros países e porque nós reduzimos as taxas de desmatamento da Amazônia nos últimos anos. Isso acaba nos prevenindo de ousar, de, por exemplo, fomentar a inovação tecnológica que vem surgindo em diversas frentes, na área de transmissão de energia, de armazenagem de energia, de geração de energia, na logística de transportes, em redes inteligentes na área de energia, melhor aproveitamento e maior eficiência nos meios de produção e a gente não vem fomentando isso de forma como poderíamos fazer.”

Para Rittl, é preciso enfrentar o problema das alterações climáticas com maior inovação tecnológica no setor.

“O Brasil tem todas as vantagens do mundo para fomentar uma energia mais limpa, para ousar mais na área de energia, por exemplo, energia solar. No Brasil, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o Brasil chegaria a 2 GW de participação em nossa matriz, e países como a China, só no ano passado acrescentou 13 GW de energia solar em sua matriz energética e deve chegar a 70 GW até 2017. A gente está usando pouco, a gente acha: ah, não, nossa matriz está limpa, então a gente pode beber até a última gota do pré-sal, e a gente também não precisa fazer mais em relação a redução do desmatamento, porque já reduzimos muito. Pelo contrário, a gente pode fazer mais: mitigar, reduzir emissões é melhor para o País, porque torna nossa economia mais eficiente, fomenta o desenvolvimento tecnológico e é mais barato do que não agir e não reduzir e ter que, lá na frente, quando o mundo for outro, quando o mundo exigir, economias que gerem menores emissões, a gente tem que se adaptar de uma maneira e ajustar nossa economia de maneira drástica.”

Música: Xote Ecológico – Luiz Gonzaga

De acordo com o governo, o Brasil foi o único país até agora a cumprir a meta de redução das emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao desmatamento assumidas há três anos na Conferência das Partes sobre o Clima de Durban, a COP-17, na África do Sul. E se prepara para participar ativamente e negociar este ano, na COP-20, em Lima, no Peru, os principais pontos chaves do novo acordo climático mundial que deverá ser assinado em Paris em 2015 e que entrará em vigor em 2020.

Confira, amanhã: as cidades emitem mais gases de efeito estufa e serão as mais atingidas pelas mudanças climáticas.

Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Gustavo Xavier

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h20 e 23h