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Reportagem Especial

Vitamina D: os benefícios no tratamento da esclerose múltipla

  • Vitamina D: os benefícios no tratamento da esclerose múltipla

A Rádio Câmara apresenta, nesta semana, uma série especial de cinco reportagens sobre a vitamina D.

Hoje, na terceira matéria da série, você vai saber que doenças graves, como esclerose múltipla, têm sido tratadas com altíssimas doses da vitamina.A reportagem é de Renata Tôrres.

Quase 5 mil publicações científicas no mundo falam dos benefícios da vitamina D no tratamento da esclerose múltipla, uma doença que atinge vários pontos do sistema nervoso central. As manifestações da esclerose múltipla variam de acordo com a pessoa: umas perdem a visão, outras tem paralisia nos braços e nas pernas, algumas perdem também o controle da urina e das fezes.

A ciência ainda não conhece o que causa o problema, mas a esclerose múltipla é considerada uma doença autoimune, que ocorre quando o sistema imunológico da própria pessoa ataca e destrói os tecidos saudáveis do corpo.

Tomar sol é a forma natural para se obter a Vitamina D. Mas, para tratamentos de doenças como a esclerose múltipla, a substância tem que ser dada ao paciente por via medicamentosa, como comprimidos. Fazer um exame de sangue específico é a forma de saber o paciente tem ou não deficiência de Vitamina D.

O neurologista Cícero Coimbra, professor da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, já tratou, desde 2002, aproximadamente 1.400 pacientes com esclerose múltipla usando altíssimas doses da Vitamina D. As lesões que a doença causa no cérebro podem ser verificadas por meio do exame de ressonância magnética. Cícero Coimbra destaca a eficácia do tratamento:

"O resultado é simplesmente fantástico. A gente devolve a essas pessoas uma vida normal: elas não têm mais surtos, elas não têm mais lesões na ressonância, elas não têm perspectivas de ficarem cegas e paraplégicas, se tornando pessoas inválidas. Elas, simplesmente, olham para o futuro e têm um futuro normal. A única coisa que nós não sabemos ainda é por quanto tempo essas pessoas vão ter que manter essa dose de Vitamina D. Isso é uma pergunta ainda a ser respondida."

MÚSICA

O tratamento da esclerose múltipla com altas doses de Vitamina D não é reconhecido pela maioria dos especialistas, que o consideram experimental. Mas o neurologista Cícero Coimbra afirma que 95% dos pacientes dele apresentaram uma resposta muito boa ao tratamento. Esses resultados, segundo ele, indicam que está certo e que logo vai ser comprovado que a Vitamina D é a melhor e a mais barata forma para tratar a doença.

Um dos pacientes do doutor Cícero Coimbra é Daniel Cunha, de 28 anos. Há quatro anos, ele acordou com metade do seu rosto dormente. Com o passar dos dias, os sintomas foram piorando: ficou com o lado direito do corpo semiparalisado, tinha labirintite e visão dupla.

Depois do diagnóstico de esclerose múltipla, Daniel começou o tratamento convencional com injeções de interferon, remédio que controla a ação inflamatória da esclerose. Mas ele sofria com com os efeitos colaterais, como febre e mal-estar. Depois de seis meses de tratamento convencional, Daniel tornou-se paciente do doutor Cícero Coimbra, usando a Vitamina D:

"Desde que eu comecei a tomar, nunca mais tive absolutamente nada. Levo uma vida perfeitamente normal - tirando a dieta e tomar água, dois litros e meio por dia, que devia ser normal também. Então, está tudo lindo."

O maior efeito colateral de doses altas e inadequadas da Vitamina D é uma absorção excessiva de cálcio a partir dos alimentos, a ponto de calcificar os rins e fazer com que parem de funcionar. Se isso acontecer, a pessoa pode chegar ao ponto de ter que fazer hemodiálise.

O neurologista Cícero Coimbra afirma que o tratamento com as superdoses de vitamina D pode parecer simples, mas não é: exige um cuidadoso controle médico, exames constantes, dieta rigorosa e um delicado equilíbrio das doses. A dose ideal varia de pessoa para pessoa.

Outra paciente do doutor Cícero Coimbra é a geógrafa Ana Gabriela Ortiz, de 29 anos. Em maio deste ano, ela foi diagnosticada com esclerose múltipla. Como outra pessoa da família dela já tinha a doença em estágio avançado e era paciente do doutor Cícero Coimbra, Ana Gabriela conhecia o tratamento com Vitamina D:

"Quando eu fui diagnosticada, eu estava internada e eu pedi várias vezes, para vários médicos que iam nos plantões, o exame de Vitamina D. E eles fizeram todo tipo de exame que poderia ter - de aids, hepatite -, menos de Vitamina D. E quando eu pedia o de Vitamina D, eles riam de mim e falavam: 'Ai, outra pessoa pedindo esse exame de Vitamina D'. Fiquei internada 20 dias. Saí do hospital, fui em outros médicos e novamente pedi esse exame. Apenas insistindo muito, eu consegui que eles me prescrevessem esse exame. Esse exame é caro. Se você não tem a prescrição do médico para fazer no laboratório, você tem que pagar aproximadamente 200 reais. Além da minha ressonância magnética, que apresentou inúmeras lesões no cérebro e na medula, o único exame que deu alterado foi o de Vitamina D."

O doutor Cícero Coimbra afirma que quase nenhum neurologista pede exame de sangue para verificar o nível da Vitamina D nos pacientes com esclerose múltipla.

Por outro lado, parece que os médicos, de forma geral, estão fazendo mais solicitações desse exame. Levantamento feito pela Dasa - empresa proprietária de 25 laboratórios de análises clínicas localizados em 13 estados, entre eles o Exame e o Pasteur, no Distrito Federal - mostrou que até 2008, eram solicitados, em média, 4 mil exames de Vitamina D por mês. Em 2009, a média passou para 7 mil. Aumentou para 17 mil em 2010, e para 40 mil em 2011. Agora em 2013, até o mês de outubro, a média passou para 77 mil pedidos de exame de Vitamina D por mês.

Da Rádio Câmara, de Brasília, Renata Tôrres

Amanhã, na quarta matéria desta série especial sobre vitamina D, você vai saber que existe um projeto em análise na Câmara que obriga a adição de vitamina D nos alimentos industrializados.

Da Rádio Câmara, de Brasília, Renata Tôrres

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