Rádio Câmara

Reportagem Especial

Inovações Tecnológicas: Vanguarda (07'47")

  • Inovações Tecnológicas: Vanguarda (07'47")

TEXTO

Um foguete movido a laser. Quem busca levar essa tecnologia da ficção científica para a realidade é o Instituto de Estudos Avançados da Aeronáutica.

Segundo o coordenador do projeto, Paulo Gilberto Tôro, o objetivo é desenvolver um sistema de propulsão que permita a um veículo espacial voar sem carregar nenhum tipo de combustível. Isso aumentaria em dez vezes a capacidade de carga útil dos veículos lançadores de satélites.

Hoje, o combustível ocupa de 95% a 98% do peso e do volume de veículos como o ônibus espacial norte-americano e o VLS brasileiro. Paulo Gilberto explica como o Veículo Hipersônico Aeroespacial DVPL vai funcionar.

"O veículo está voando dentro da atmosfera, então o ar atmosférico passa da parte superior para a parte inferior através dessas entradas de ar. (...) Vai ser bombardeado feixe laser proveniente do solo, esses átomos e moléculas vão receber essa energia proveniente do laser, vai aumentar sua temperatura, vai expandir (...) e vai criar as condições para o veículo voar na direção desejada."

Outro projeto com objetivo de aumentar a capacidade de carga útil de veículos espaciais é o do Veículo Hipersônico Aeroespacial 14-X, batizado em homenagem ao 14 Bis de Santos Dumont.

Diferentemente do DVPL, que não precisará carregar combustível, o 14-X vai carregar apenas o hidrogênio. Os sistemas atuais demandam o transporte do hidrogênio e do oxigênio dentro da aeronave. Paulo Gilberto Tôro explica como funciona esse sistema de propulsão.

"Esse veículo, o 14 X, a própria geometria do veículo, quando estiver voando em velocidade hipersônica, vai comprimir o ar atmosférico. Esse ar atmosférico vai ser canalizado para uma câmara e nesta câmara vai ser injetado o hidrogênio, vai se misturar com o oxigênio do ar atmosférico, se ele estiver em condições adequadas, vai haver a ignição, vai haver a combustão, vai criar as condições para produzir os gases que vão se expandir na parte traseira do veículo, criando então a força necessária para o veículo voar."

Tanto o DVPL quanto o 14-X são demonstradores de tecnologia, o que significa que estão ainda no estágio de comprovação da viabilidade desses sistemas. Portanto, a algumas décadas de se tornar realidade. Mas demonstram a capacidade brasileira de inovar.

Segundo Tôro, o 14-X está sendo desenvolvido apenas com recursos e pesquisadores nacionais. Já no projeto do DVPL existe parceria com os Estados Unidos, mas o único país envolvido com a parte experimental em laboratório é o Brasil.

TRILHA

Além de colocar satélites em órbita, esses veículos inovadores poderão ser usados para transportar astronautas e turistas espaciais. Mas essas pesquisas também podem trazer benefícios para empresas e indústrias fincadas aqui na Terra.

Novos sistemas de combustíveis e de compressão e materiais que resistem a altíssimas temperaturas são alguns dos avanços que a pesquisa espacial pode trazer para outros setores da economia.

E a inovação tem ainda benefícios para além do fortalecimento da economia. Adenilson Rocha desenvolveu suas primeiras soluções tecnológicas tentando resistir à necessidade aparente de se mudar de sua cidade, no interior do Mato Grosso, para um grande centro comercial e industrial.

Hoje ele não é o único a desfrutar dos benefícios de trabalhar com tecnologia da informação sem deixar de usufruir as facilidades da vida em uma cidade pequena.

"Quando eles chegam de manhã felizes, contentes, sem ter aquele estresse de dizer que estava apertado no ônibus. (...) Muitos funcionários, um passa na casa do outro, outro vem de bicicleta, então, acaba não poluindo o meio ambiente. Seria diferente numa cidade grande em que o funcionário demora de uma hora a duas horas para chegar na empresa, chega estressado naquela empresa."

A empresa de Adenilson, Multiware Tecnologia, tem 22 funcionários e uma carteira de quase 500 clientes, espalhados pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai.

E o que permitiu que continuasse em Sinop, cidade de 115 mil habitantes localizada a 470 km de Cuiabá, foram os softwares que desenvolveu. Além de poderem ser gerenciados pelo próprio cliente, o que gera facilidade e economia para os dois lados, os sistemas podem ser monitorados à distância.

Assim, o cliente compra o produto e garante manutenção permanente em qualquer lugar em que estiver.

TRILHA

E para quem pensa que inovação envolve apenas tecnologias ligadas a engenharia e computação, mais dois exemplos bem brasileiros de sucesso.

Primeiro, a Fundação Dom Cabral, quinta melhor escola de gestão do mundo, de acordo com o Ranking de Educação Executiva 2011, publicado pelo jornal inglês Financial Times.

Segundo a gerente do programa de gestão estratégica de inovação da Fundação, Patrícia Becker, a Dom Cabral tem uma solução educacional inovadora, que coloca empresas de perfil semelhante, mas não competidoras entre si, para discutir e encontrar soluções para problemas em comum.

A escola tem ainda um núcleo de inovação, de onde saem novos conceitos e práticas para estimular a inovação nas empresas.

O outro exemplo são as tecnologias sociais. Elas saem um pouquinho do conceito padrão de inovação porque não visam apenas à criação de um produto, processo ou serviço que gere retorno financeiro a um empreendimento.

Mas as tecnologias sociais têm conseguido, sim, melhorar a renda de muitos brasileiros, como explica o gerente da área de Geração de Trabalho e Renda da Fundação Banco do Brasil, Júlio Caetano. A Fundação premia e apoia essas iniciativas e mantém um banco de tecnologias sociais.

"As tecnologias sociais reaplicadas pela Fundação preveem ou aumento de renda, ou segurança alimentar, ou preocupação ambiental. Nossa preocupação é que o agricultor familiar ou o catador de material reciclável tenham acesso a essas tecnologias com foco na inclusão social e na melhoria da qualidade de vida, na geração de trabalho e renda. Então, não é só a renda. Renda é uma das tecnologias que nós reaplicamos."

Segundo Caetano, as tecnologias sociais são produtos, técnicas ou metodologias desenvolvidos na interação com a comunidade. São soluções para pequenos problemas, ligados a saneamento básico, extrativismo ou agricultura, por exemplo, e que possam ser reaplicadas no País inteiro. Guardadas as devidas proporções, é o que faz também a Embrapa, outro exemplo brasileiro de sucesso na inovação.

De Brasília, Verônica Lima

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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