Rádio Câmara

Reportagem Especial

Passeios ecológicos e de aventura em Minas Gerais e Distrito Federal (08'22'')

  • Passeios ecológicos e de aventura em Minas Gerais e Distrito Federal (08'22'')

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De dimensões continentais e com sete biomas diferentes, o Brasil oferece ao turista inúmeras opções de roteiros naturais. A diversidade da nossa fauna e flora é apontada como diferencial da Copa de 2014 no país.

Mas nem todos os destinos ecológicos são igualmente conhecidos. Se o Pantanal, a Amazônia, as praias do Nordeste e as Cataratas do Iguaçu costumam ser lembrados com facilidade, o mesmo não se pode dizer em relação ao Cerrado.

Brasília e Belo Horizonte, no entanto, sabem que a região tem potencial para mostrar ao turista um Brasil diferente. E a aposta em roteiros rurais e ecológicos ganha destaque nos preparativos das duas cidades como sede dos jogos do mundial.

A capital federal, por exemplo, abriga um dos mais bem estruturados parques brasileiros, o Parque Nacional de Brasília, com piscinas naturais e trilhas de pequena dificuldade.

E, a apenas 260 quilômetros do Distrito Federal, em Goiás, está o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, declarado pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural, por suas cachoeiras, nascentes, formações geológicas de rara beleza e rotas preservadas de antigos garimpos.

A ideia, de acordo com o secretário de Turismo de Brasília, Luís Otávio Neves, é convencer o turista da Copa a permanecer, pelo menos, uma semana na capital e seu entorno.

"A gente está trabalhando o turista que vier para ficar em Brasília, ficar sete noites, por exemplo, que em Brasília ele fique três, quatro noites aqui na cidade e, depois, ele possa ir aqui para perto mesmo, onde nós temos bons lugares para ir de turismo rural e ecoturismo e, também, tem Pirenópolis, que está aqui perto. A pessoa pode ir lá e passar duas noites em Pirenópolis, isto é, fazer um roteiro integrado."

A estruturação de roteiros ecológicos diversificados e a capacitação profissional do setor de turismo de aventura na região também são tarefas ainda não concluídas.

Dono da empresa Itakamã Ecoturismo e Aventura, em Brasília, Maurício de Faria Júnior reclama da falta de incentivo do governo federal e das administrações do Distrito Federal e de Goiás para aumentar o potencial do turismo ecológico na região.

"A gente vê regiões belíssimas, inclusive, que o dono não dá a mínima p´raquele lugar. (...) Acho que o Ministério do Turismo, hoje, está em Brasília e, infelizmente, não tem ideia do potencial turístico que tem de ecoturismo e turismo de aventura. Acho que eles se preocupam mais com o turismo de eventos, aqui dentro do Distrito Federal em si do que do turismo do entorno, que é muito belo. (...) Tem que haver uma integração maior talvez do governo do Goiás com o governo do Distrito Federal até para almejar isso."

Guia de turismo de aventura no Distrito Federal, Leandro Valente critica a falta de qualificação e fiscalização na formação dos condutores de aventura.

"Dentro dessa área, como não tem fiscalização, acaba que o pessoal que pratica turismo de aventura não são guias de turismo nacional e nem regional. Eles têm cursos dentro da área de resgate e salvamento, curso de técnicas verticais, de alto resgate, de escalada."

O Ministério do Turismo, em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura, Abeta, planeja capacitar, até 2013, oito mil profissionais de ecoturismo como parte do projeto "Bem Receber Copa".

Quanto à estruturação dos roteiros, o ministério, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, desenvolve um projeto de melhorias em 25 parques nacionais, para incentivar os turistas da Copa a conhecer as unidades de conservação próximas às cidades-sede dos jogos.

Mas o próprio diretor de Unidades de Conservação e Proteção Integral do ICMBio, Ricardo Soavinski, reconhece a necessidade de se ampliar a oferta de destinos.

"Tem um conjunto bem interessante de parques, mas, logicamente, a gente tem que ampliar essas ofertas, até pelos vários parques que a gente tem hoje criados e sem estrutura ainda. Existe um projeto e parte dos recursos previstos para que, nos próximos três anos, a gente esteja melhorando e abrindo novas áreas à visitação."

(trilha)

Dos 67 Parques Nacionais Brasileiros, apenas 31 podem ser visitados.

Minas Gerais abrange três bastante conhecidos: o da Canastra, o da Serra do Cipó e parte do Itatiaia.

O estado sabe do potencial de ecoturismo da região e se prepara para fazer dele um diferencial. Segundo a superintendente de Políticas de Turismo da Secretaria de Turismo de Minas Gerais, Jussara Maria Rocha, existem 17 empresas certificadas em turismo de aventura no estado.

"Nesse sentido, a gente vem qualificando os destinos que têm turismo de aventura e natureza, trabalhando muito a estruturação e a promoção dos parques, das unidades de conservação que são abertas à visitação, porque isso é uma tendência mundial dentro dos consumidores de turismo de aventura e ecoturismo: procurar as áreas protegidas que estão estruturadas para oferecer atrativos de natureza, com segurança e operação qualificada (...) Só de área protegida a gente tem esses três nacionais e os oito estaduais abertos à visitação."

Adepto do turismo de aventura, o jornalista José Carlos Oliveira, de Brasília, já andou por muitos parques e estradas do país, inclusive em Minas Gerais. Ele confirma que a situação tem melhorado em alguns parques, como o Itatiaia. Em outros, no entanto, o visitante ainda encontra dificuldades.

"Eu me lembro de ter ido ao Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas. Pode ser que eu tenha entrado pelo pior dos portais, porque eu fui, se não me engano, pela cidade de São Roque de Minas, que é uma das cidades principais de acesso. Quando fui, tem mais ou menos uns três anos, também não havia estrutura. O principal atrativo do parque é a nascente do Rio São Francisco, mas tem uma vegetação de cerrado que é interessante também. As estradas de acesso são muito ruins. Vi vários carros atolados pelo caminho. Eu, por exemplo, fiz o percurso de São Roque até o centro do parque, nascente do rio, de bicicleta. E São Roque de Minas, que é a principal cidade, não tinha nada, nem moto, nem esquema de aluguel de bicicleta para você ir. Tive dificuldade de achar guia, fiz esse percurso sozinho, que é uma coisa que pode ser perigosa e irresponsável, mas fui sozinho mesmo."

Apesar das dificuldades, o proprietário da Maritaca Turismo, na cidade mineira de Sacramento, Frederico Crema, confia no potencial da Copa de 2014 para atrair mais visitantes para a região.

"Como o Brasil é um país muito grande, a gente acredita que as pessoas que vêm para os jogos não vão ter capacidade de ver todos os jogos. Então, eles vão ficar na região onde o time vai jogar e, com isso, eles devem viajar bastante. O Brasil é conhecido como um país verde, até está sendo chamada a ´Copa Verde´. Então, a gente acredita que a procura pelo ecoturismo vai ser muito grande aqui nessa época."

Até a Copa, Minas Gerais também depende de melhorias no sistema de transporte para receber mais visitantes.

Tanto Belo Horizonte quanto Brasília devem, segundo o Ipea, enfrentar dificuldades para concluir as reformas de seus aeroportos até o mundial. A Infraero, no entanto, garante que todas as obras serão entregues a tempo.

De Brasília, Ana Raquel Macedo

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