Rádio Câmara

Reportagem Especial

Os roteiros ecológicos nas cidades de Manaus e Cuiabá (09'33'')

  • Os roteiros ecológicos nas cidades de Manaus e Cuiabá (09'33'')

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A grande maioria dos turistas que vêm ao Brasil afirma que pretende voltar outras vezes e aponta a natureza e o povo como as melhores coisas que o país tem a oferecer, segundo a Embratur. Com a Copa do Mundo de 2014, a ideia do setor de turismo e das mais diferentes esferas de governo é aproveitar o grande evento para incrementar a circulação de turistas pelo país, estrangeiros e brasileiros. E claro que, entre as opções de roteiros, o ingrediente natural ocupa lugar privilegiado.

A capital do Amazonas, Manaus, por exemplo, venceu a concorrência para ser uma das 12 cidades-sede dos jogos em 2014 destacando-se como porta de entrada para a maior floresta tropical do planeta. Banhada pelo rio Negro, a cidade oferece ao visitante passeios de barco e cachoeiras, incursões pela vida selvagem, hospedagem em hotéis de selva e contato com culturas indígenas locais. Para quem gosta de um pouco mais de aventura, existem opções de visita a unidades de conservação como o Parque Nacional do Jaú, a seis horas de lancha de Manaus.

Mas, para aumentar o potencial de visitação até a Copa, Amazonas ainda precisa resolver alguns gargalos.

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O acesso a Manaus a partir de outros estados ou mesmo de outros países se faz, principalmente, por avião.

Segundo estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, as obras no aeroporto da cidade não devem ficar prontas até 2014, apesar de a Infraero garantir o contrário.

A opção de transporte fluvial, a mais usada na região, também apresenta problemas, como falta de segurança e acessibilidade. O alerta é dado pela presidente do Sindicato dos Guias de Turismo do Amazonas, Rocilda Oliveira da Silva.

"Vou te dar um exemplo de um navio que chegou com uns turistas franceses. A gente vai pegar o turista no porto para levar para um passeio fluvial. A dificuldade começa na hora em que você vai fazer o turista entrar no barco regional. Sai do navio para entrar no barco regional. O barco regional fica abaixo do píer do porto. Por si só, tem um pé direito baixo e o turista tem que se abaixar para poder entrar. Senão ele bate com a cabeça no primeiro andar do navio. (...) Quando vai subir para o primeiro andar do navio, com visão panorâmica, nem todas as velhinhas conseguem subir a escada porque é muito íngreme. Ficam embaixo. Desses que ficam embaixo, tem um motor do navio, um barulho horrível que ninguém consegue ouvir o outro falar. O velhinho tem que ir e voltar para o encontro das águas com esse barulho horrível na cabeça."

Presidente da Empresa Estadual de Turismo no Amazonas, Amazonastur, Oreni Campelo Braga da Silva reconhece o problema com alguns barcos usados para passeios em Manaus, mas diz que, aos poucos, a situação tem mudado.

"Nós temos excelentes barcos turísticos aqui, sim. É que, às vezes, as operadoras não têm condições de, por exemplo, alugar um barco desse. Aluga um barco mediano, entre o vip e o que atende a massa. Os barcos não foram construídos, não tinham essa concepção, assim como equipamentos públicos, da questão da acessibilidade. Seja para idoso, seja para pessoa com carência de uma necessidade especial. (...) É um problema em nível de Brasil, sobretudo na Amazônia, que você sabe que tem suas limitações. Vamos conquistando passo a passo."

Além dos problemas com transporte, a região amazônica apresenta dificuldades com a qualificação dos guias de turismo. A presidente do Sindicato dos Guias de Turismo do Amazonas, Rocilda Oliveira da Silva, diz que muitos profissionais do estado atuam sem regulamentação.

A informação é confirmada pela presidente da Amazonastur, Oreni Campelo Braga da Silva.

"Muitos deles, quando vence cadastramento, não se regulamentam porque não pagaram INSS, não pagaram isso ou aquilo. Nós estamos trabalhando duas frentes: capacitar com idioma esse guia que tem o curso de guia, mas que não fala o idioma. E esses guias que falam fluentemente o idioma e que estão no mercado a fazer curso de guia. Queremos tirar da informalidade aquelas pessoas que estão criando problema para quem está na formalidade."

O Ministério do Turismo desenvolve um programa de qualificação profissional para a Copa de 2014, o "Bem Receber Copa". O projeto tem como meta capacitar mais de 300 mil pessoas até 2013.

Para a proprietária do hotel de selva Malocas Jungle Lodge, Marinilda Godde, a qualificação é fundamental. Ela já participou do programa de capacitação voltado ao ecoturismo "Aventura Segura", desenvolvido pelo Ministério do Turismo, Sebrae e Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura, Abeta.

"Nós trabalhamos com pessoas simples, que conhecem bem a selva e tudo, mas que precisam de uma instrução, como utilizar esse conhecimento, como não se perder na hora de passar informações e esse projeto ´Bem Receber Copa´ só veio a completar o ´Aventura Segura´, que já tinha sido integrado antes na nossa empresa e nós ganhamos nossa certificação."

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O desenvolvimento de ecoturismo no Brasil esbarra também nos custos. Com o dólar desvalorizado em relação ao real, o país se tornou uma opção cara, inclusive, para os estrangeiros. E, no caso dos brasileiros, viajar por longas distâncias pode dificultar a ida de visitantes para as regiões Norte e Centro-Oeste durante a Copa, como explica o consultor em ecoturismo Roberto Mourão, diretor do Instituto EcoBrasil.

"Você imagina uma pessoa que venha da Europa fazendo uma escala em São Paulo, Salvador ou Fortaleza e viajar mais três ou quatro horas e gastar o mesmo tanto de dinheiro para poder sair de Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro ou São Paulo para chegar à Amazônia. O mesmo se aplica a um custo menor para o Pantanal."

Apesar das dificuldades, a secretária de Turismo do Mato Grosso, Teté Bezerra, está otimista quanto ao potencial de Cuiabá como cidade-sede da Copa de 2014. Ela lembra que o Mato Grosso é o único estado com três ecossistemas: Amazônia, Pantanal e Cerrado.

A apenas 65 quilômetros da capital mato-grossense está o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, com belas paisagens do cerrado brasileiro e um circuito de cachoeiras, como destaca Teté Bezerra.

"Nós estamos num constante contato e intervenção, junto também com a contribuição do ICMBio, que administra o parque com projeto e proposta de recuperação do Parque Nacional da Chapada. (...) Além disso, nós iremos também em torno do parque fazer determinadas obras que trarão essa infraestrutura turística, melhor receber o turista, um complexo de rio, cachoeira e um complexo de restaurantes e bares. Nós assinamos um termo de cooperação com a Gecopa, que é a agência que administra a questão da copa em Mato Grosso, a implatação de um teleférico que terá extensão de 1.400 metros dentro de um vale na Chapada dos Guimarães que dará toda uma visibilidade cênica da própria Chapada os Guimarães."

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, administra os parques brasileiros e, em conjunto com o Ministério do Turismo, desenvolve um projeto de melhorias em 25 parques nacionais, para incentivar os visitantes que vierem para a Copa de 2014 a conhecer as unidades de conservação próximas às cidades-sede dos jogos.

De Brasília, Ana Raquel Macedo

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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