Rádio Câmara

Reportagem Especial

O país sob a ótica dos correspondentes estrangeiros (08'59")

Com o crescimento do comércio entre China e Brasil, o interesse dos dois povos em se conhecerem também aumentou.

O correspondente da Rádio Internacional da China, Zhao Hengzhi, que prefere ser chamado de Luiz, afirma que o seu país está mais adiantado neste processo:

"O povo chinês, ou seja a China, tem um conhecimento muito profundo, eu posso dizer, muito profundo sobre todo o mundo, não só do Brasil. Argentina, Moçambique... qualquer país pequeno o povo chinês conhece, só que o mundo hoje em dia ainda não tem conhecimento, como se diz, igual, um conhecimento como o da China. Vocês pensam que o povo chinês ainda não sabe nada, é porque muitas pessoas não conhecem a China; mas o povo chinês conhece o Brasil."

Segundo Luiz, não é possível conhecer a China apenas pelas notícias de agências européias e norte-americanas. O jornalista explica que, além do desenvolvimento econômico, o Brasil é notícia agora pela proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Mas o que assusta os estrangeiros é a violência:

"Eu posso dizer que para o povo chinês, o Brasil hoje em dia já é um país bem organizado, bem legal. Sim, tem problemas, mas está tudo melhorando. E a gente sabe que o maior problema do Brasil é a segurança social e com a chegada da Copa do Mundo e das Olímpiadas, desde cedo o governo brasileiro também está fazendo uma coisa sem precedentes para lutar contra traficantes, especialmente no final do ano passado e até agora. Tem muitas operações militares nas favelas do Rio de Janeiro."

Há quatro anos no Brasil, Manuel Perez, correspondente da agência espanhola EFE, afirma que o país ainda precisa investir mais na sua imagem no exterior porque ela continua carregada de estereótipos:

"O que se tem fora do Brasil são mais preconceitos ou estereótipos do que outra coisa. Tipo: a imagem do Brasil, segundo o exterior, é samba, futebol, praias, pouco mais... realmente está faltando conhecer mais coisas outras desse país."

Perez conta o exemplo de alguns amigos que vieram visitá-lo no Rio de Janeiro:

"Alguns amigos meus, quando vieram me visitar, ficaram surpresos vendo, sei lá, uma cidade como o Rio, uma grande cidade, bastante mais parecida com uma grande cidade de lá do que poderiam imaginar. Pensavam que, talvez, o país era mais subdesenvolvido. Não se tem focado muito nessa ideia. O negócio de não se saber a dimensão da selva amazônica também é uma coisa geral. Não se sabe realmente a geografia do Brasil, não conhece muito bem até onde chega a floresta nem as diferenças climáticas que tem no país, climáticas e culturais. Realmente, a imagem lá fora do Brasil é muito a imagem do Rio, imagem do samba, da praia e do carnaval e, você sabe, o carnaval é diferente em todas as áreas do país, a cultura é muito variada no Nordeste, no sul, do interior... E a praia é uma realidade do litoral que no resto do país não tem."

Para o correspondente espanhol, a imagem do país é um pouco indefinida em áreas fundamentais como meio ambiente:

"Se sabe que, sim, o Brasil tem grandes atrativos ambientais, tem Amazônia, tem cuidado muito em produzir energia hidrelétrica, mas acho que também lá fora tem certo receio sobre a capacidade do Brasil em gerenciar toda essa riqueza ambiental que tem. Mas é mesmo por desconhecimento, eu sei que o Brasil está tentando, que tem feito toda uma campanha para explicar que o etanol não é produzido na Amazônia e para explicar todas essas campanhas que se estão fazendo para controlar o desmatamento, mas tem que continuar ainda informando muito mais porque isso sim é muito demandado pelos governos europeus e americanos. Os Estados Unidos estão talvez querendo participar nesses fundos de conservação da Amazônia, mas, claro, estão precisando dessas garantias de que o Brasil vai investir bem esse dinheiro."

Como o correspondente da agência EFE, o embaixador do Brasil na Rússia, Carlos Antonio Paranhos, compreende bem esta necessidade de aprimorar a imagem do país no exterior:

"O rússo médio tem uma visão muito simpática, muito favorável do Brasil, de uma maneira geral. Por exemplo, eles percebem o Brasil como um país de gente muito afável, muito simpática, com belezas naturais fantásticas, com uma costa maravilhosa. É claro que todo mundo ao ver fotografias identifiquem imediatamente o Rio de Janeiro, Iguaçu. Eu acho que eles têm uma imagem do país como muito simpática, digamos assim. O nosso desafio é o de traduzir essa simpatia, esse interesse que os russos têm, também numa visão mais sofisticada da realidade brasileira, de perceberem o Brasil como um país que não é só um produtor e exportador de matérias primas, mas é um país também hoje em dia que tem tecnologia de ponta, tem uma indústria diversificada, que é um grande exportador de aeronaves sofisticadas, que é um país que tem uma indústria bastante diversificada; e isso é um desafio para que eles tenham uma percepção mais completa."

O jornalista costa-riquenho Marco Sibaja, da Associated Press, explica que a passagem de Lula pela Presidência trouxe muito interesse, principalmente por ser um operário que chegou ao poder:

"Estamos ainda numa fase de mudança porque na América Latina tinha muito interesse por tudo que tivesse a ver com o presidente Lula, né? E ele também tinha muita presença, estava muito ativo, fazendo muita coisa pública e então gerava muita informação. Agora com a mudança para a presidenta Dilma, as coisas estão mudando; estamos ainda nesse período de descobrir como vai ser a cobertura daqui para frente, mas ainda sempre tem muita coisa que está acontecendo no Brasil que o mundo está acompanhando. Por exemplo, tudo que tem a ver com economia; o Brasil cada vez mais se afirma como um ator importante no cenário econômico, então agora que o Brasil anunciou corte no orçamento essas coisas interessam muito lá fora; todos os preparativos para os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo, são coisas que estão sendo acompanhadas. A decisão que o Brasil vai tomar sobre a compra de aviões, dos caças, também gera muito interesse, então é uma variedade de coisas muito grande que a gente acompanha."

Como seus colegas, Sibaja também cita a violência e adiciona a corrupção como problemas sempre preocupantes para os estrangeiros, especialmente os que querem investir no país. Mas afirma que as notícias muitas vezes traçam um cenário mais assustador que o real.

Ele mesmo teve algum trabalho para convencer um casal de amigos a não deixar de vir ao Rio de Janeiro para passar a lua-de-mel. Eles estavam com medo de ficar na cidade.

De Brasília, Sílvia Mugnatto

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