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Reportagem Especial

Jovens líderes: a relação com a política (04'34")

  • Jovens líderes: a relação com a política (04'34")

Escândalos políticos, denúncias de corrupção, processos contra políticos parados na Justiça são fatos que desacreditam cada vez mais a sociedade sobre a importância do exercício da democracia participativa no país.

Na esteira do desânimo também vão os jovens que já começam a aprender lições de cidadania mergulhados em casos não solucionados de irregularidades no setor público.

Mas nem toda a juventude está contaminada. Em todo o país, grupos se mobilizam para pressionar por mudanças diretamente na política ou organizam ações sociais para investir num futuro mais consciente sobre o papel do cidadão.

O estudante Raul Cardoso, por exemplo, liderou os protestos e cobranças pela renúncia do ex-governador do Distrito Federal, envolvido em denúncias do Mensalão com empresas e parlamentares.

À frente do Diretório Central dos Estudantes na Universidade de Brasília, Raul prova que jovem gosta, sim, de política. Por que não?

"O jovem tem um papel central na vida política e, querendo ou não, a política está presente em todos os aspectos, em todos os momentos da nossa vida. Falar que a gente não gosta da política, que a gente não participa, é quase falar que a gente não gosta da vida, que a gente não participa de nada da vida, né?"

O movimento estudantil organizado, no entanto, ainda é minoria no país, de acordo com especialistas em ciências sociais.

O professor de sociologia da Universidade de São Paulo Gustavo Venturi coordenou, em 2003, uma pesquisa sobre jovens na política e diferenciou a participação juvenil dos anos 60 e 70 contra a ditadura e os movimentos de agora.

Segundo Gustavo Venturi, o engajamento estudantil dos anos de chumbo refletia a sociedade da época, insatisfeita com o regime. A falta de interesse da maioria dos jovens hoje na política, então, também é reflexo da falta de cultura político-partidária dos brasileiros.

"Por toda a nossa história, por falta de cultura político-partidária e outros fatores fazem com que não haja um engajamento muito elevado na população como um todo e isso vai se refletir também entre os jovens. O que seria surpreendente é se os jovens tivessem num patamar acima desse padrão social."

O professor Gustavo Venturi acredita que os exemplos de mobilização juvenil, ainda que isolados, têm efeito multiplicador para as futuras gerações e aposta na educação para a cidadania como amplificadora da democracia representativa, que, segundo ele, é importante, mas limitada.

"Acredito que está vinculado a uma educação para a cidadania de forma mais ampla. Tem sim a possibilidade e a necessidade de ser mais discutida desde o ensino fundamental, porque essa formação, estar alerta a este tipo de possibilidade pode ser trabalhado desde as primeiras socializações."

O estudante Raul Cardoso sabe da importância da política partidária, mas deseja visibilidade para o outro lado também, o da mobilização comunitária.

"Como a gente pode sair desse ciclo vicioso de achar que está sozinho no mundo, que é uma sensação que muitas vezes acontece, é primeiro a gente buscar sempre em meios de comunicação, em internet e coisas do tipo, cada vez mais informações e, principalmente, não deixar que a sensação de solidão nos deixe abater e achar que a realidade é essa mesmo e deve continuar como ela está. Ao contrário, se existe um problema que a gente enxergue é nosso dever questionar e nosso dever lutar para mudar para melhorar, como a gente acha que deve ser."

De Brasília, Keila Santana

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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