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Reportagem Especial

O Natal ao redor do mundo - As peculiaridades dos ciganos e a diversidade no Oriente (11'11'')

  • O Natal ao redor do mundo - As peculiaridades dos ciganos e a diversidade no Oriente (11'11'')

MÚSICA: "Ya llegó la noche buena" (com María José Santiago)
"El lucerillo del alba
anuncia un rayo de sol
que le ilumina la cara
al Divino Redentor.
Entonando un ruiseñor
una copla de agua fresca
que le ilumina la cara
al mayor de los profetas..."

Os povos ciganos são errantes por natureza e vagam pelo mundo desde a Idade Média. Conta-se que eles são descendentes das populações que habitavam os atuais territórios da Índia e do Paquistão e que foram obrigados a emigrar para o ocidente, atravessando rios, florestas e reinos inimigos entre si.

Hoje os ciganos são encontrados aos milhares, sobretudo nas periferias das cidades. Muitos deles são alvo de preconceito e vivem marginalizados, mas todos guardam muito orgulho da cultura que expressam na música, na dança e nas artes em geral.

Eles não têm religião própria e costumam dar um toque especial à crença predominante nos países que os acolhem. O presidente da ONG Embaixada Cigana, Nicolas Ramanush, conta algumas das peculiaridades de seu povo na comemoração do Natal:

"Por exemplo, não costumamos enfeitar árvores sintéticas, como esses pinheirinhos que as pessoas compram e enfeitam com motivos de neve e bolas coloridas. Quando enfeitamos uma árvore, nós o fazemos num quintal e enfeitamos uma árvore de louro. E o enfeite é mais próximo da natureza: então, nós costumamos colocar bombons embalados na árvore, alguns objetos que lembrem o nosso lado mais espiritualizado - como uma cruz, uma estrela - e, normalmente, no lugar das bolas, poderíamos colocar frutas, como maçã, principalmente".

Os povos ciganos são divididos em clãs. Aqui no Brasil, predominam os Kalon, que mantêm a tradição de peregrinação pelo país, e os Sinti, que costumam se fixar um pouco mais em determinado lugar.

Nicolas Ramanush é Sinti e explica que, para os ciganos, o misticismo também é levado em conta para celebrar o nascimento de Jesus.

"Para o Natal, temos a prática de rituais. Não pode faltar o ´manrô´, que significa pão. E esse pão deve ser partido à mão, no momento da comemoração. Ele deve ser embebido em uma taça de vinho de cristal, com detalhes em ouro, e depois molhado rapidamente no sal grosso e levado à boca com um pedido de Natal. A comemoração do Natal para nós também tem a ver com a comemoração do solstício: o manrô, que é o nosso pão, passou pelo fogo, pela água, pelo ar e, obviamente, pela terra que deu o trigo. Ele contém os quatro elementos e é, por isso, que nós o utilizamos no natal".

MÚSICA: "Ya llegó la noche buena" (com María José Santiago)
"Y un ramo de mariposillas
de vuelo brillante
le alegran la cara
al Niño más Grande.
Ya llegó la Noche Buena
con zambomba y pandereta.
Ya llegó la Noche Buena
Vamos a formar una fiesta
pa celebrar que el Mesías
ya se encuentra en nuestra tierra..."

A Ásia, maior continente do planeta, é berço de civilizações milenares que hoje cultuam crenças muito específicas.

Só o Oriente Médio, região entre o Mediterrâneo e o Golfo Pérsico, viu surgirem três das principais religiões do mundo: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Foi na Ásia que também nasceram o Budismo, o Xintoísmo e o Hinduísmo, que hoje arrastam multidões de fiéis seguidores.

Os cristãos são minoria no mundo oriental, mas nem por isso o nascimento de Jesus passa despercebido na região. Na China Socialista, é possível encontrar lanternas de papel, flores e árvores de Natal enfeitando as casas de famílias cristãs.

No Iraque, nem a ditadura de Saddam Hussein nem a Guerra do Golfo impediram a tradição de se queimar pilhas de espinhos secos durante o Natal. Diz a lenda de lá que a forma da chama indica o futuro da família no ano seguinte.

Cristãos orientais, e até mesmo os seguidores de outras religiões, também já se renderam aos símbolos comerciais do Natal. Ninguém mais se espanta, por exemplo, ao encontrar Papai Noel e suas renas cantando "Jingle Bells" nos centros comerciais da emergente Índia.

MÚSICA: "Jingle Bells" (Índia)

O Japão é outro país seduzido pelos símbolos comerciais do Natal ocidental. O massoterapeuta brasileiro Ricardo Yuji Fujii viveu sete anos no país e viu de perto as celebrações de 25 de dezembro em grandes cidades japonesas, como Tóquio, Osaka, Nagoya e Quioto.

Apesar de budistas e xintoístas serem ampla maioria entre a população, a data do principal marco do Cristianismo é feriado no Japão e, segundo Yuji Fujii, movimenta os shoppings do país.

"O Natal começou a ser comemorado com mais força a partir dos anos 90. O povo jovem comemorava mais. Você via muitos casais nas ruas, de mãos dadas, trocando presentes. O que é diferente é em relação às famílias. O encontro de famílias lá, que é proporcionado aqui no Natal, acontece no Ano Novo. As pessoas mais velhas não se interessam muito por esse feriado. O que é abrangente no Japão é que é um país capitalista, é um país muito consumista, então, o Natal entrou lá para ficar e, aos poucos, vai se inserindo no universo japonês".

E, nesse aspecto, Yuji Fujii percebeu que os japoneses se inspiram no modo norte-americano de comemorar o Natal.

"A figura de Papai Noel é bem americanizada mesmo. Então, música, propaganda e tudo o que é coisa comercial, eles se espelham muito nos Estados Unidos."

MÚSICA: "Silent night" (versão de Kiyoshi Kono Yoru)

O arqueólogo e professor de História da Unicamp, Pedro Funari, é um estudioso das celebrações do Natal no mundo. Ele identifica, entre os povos orientais, verdadeiros focos de resistência aos modismos.

"Nesses países em que os cristãos são minoria, a festividade de Natal não é oficial, não é difundida amplamente, como é o caso da Síria. Então, a comemoração do Natal nesses países, como a Síria e o Egito, por parte dos cristãos, ainda é carregada daquela tradição de freqüentar a missa, de fazer uma festividade com as pessoas em casa, fazer uma refeição de caráter mais reservado e simbólico".

A tradição de católicos, ortodoxos e protestantes diz que Jesus Cristo nasceu, há quase 2011 anos, em Belém, cidade encravada na Cisjordânia e disputada hoje por palestinos e israelenses, no conturbado Oriente Médio.

Quando há trégua nos conflitos, a cidade costuma receber peregrinações de visitantes cristãos e não-cristãos durante o natal.

Esse encontro ecumênico em Belém acontece porque, apesar de muita gente no mundo usar a religião para fazer a guerra, é inegável que há pelo menos um dado positivo unindo praticamente todas as crenças: a propagação dos ideais de amor ao próximo, respeito à vida, bondade, caridade e paz.

MÚSICA: "El tamborilero" (tradicional, com Raphael)
"El camino que lleva a Belén
baja hasta el valle que la nieve cubrió
los pastorcillos quieren ver a su rey
le traen regalos en su humilde zurrón
ropopom pom ropopom pom
Ha nacido en un Portal de Belén
el niño Dios
ropopom pom ropopom pom
El camino que lleva a Belén
yo voy marcando con mi viejo tambor
nada mejor hay que te pueda ofrecer
Su ronco acento es un canto de amor
ropopom pom ropopom pom.
Cuando Dios me vió tocando ante él
me sonrió".

De Brasília, José Carlos Oliveira

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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