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Reportagem Especial

O Natal ao redor do mundo - A celebração dos cubanos e dos povos andinos (09'30'')

  • O Natal ao redor do mundo - A celebração dos cubanos e dos povos andinos (09'30'')

MÚSICA: "Fiesta de navidad" (com Celia Cruz)
"Fiesta de navidad, fiesta de navidad
Prepárate Manuela
Mata el lechonzito
Calienta la cazuela
y buscame un traguito
Arribate Manuela
y metale candela a ese rico sopón
Que sabrozón..."

Em ritmo de rumba e salsa, os cubanos celebravam intensamente o Natal até o fim da década de 50 século passado.

A ilha, repleta de descendentes europeus e africanos, foi palco de uma rica miscigenação que originou as peculiares manifestações culturais de Cuba, sobretudo na música.

Mas o país se fechou depois que a revolução liderada por Fidel Castro derrubou o ditador Fulgêncio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos.

Ao abraçar o socialismo soviético em pleno período da Guerra Fria, Cuba se afastou dos padrões religiosos difundidos no ocidente.

O Natal deixou de ser feriado na ilha. O dia primeiro de janeiro ganhou destaque no calendário de festas, não só por marcar o início de um novo ano, mas também por ser o dia da vitória da revolução de Fidel.

A médica cubana Ileana Vasquez, que vive há seis anos no Brasil, fala sobre os atuais costumes das festas de fim de ano em Cuba.

"Na verdade, para nós, o dia verdadeiro para fazer festa é 31 de dezembro. Esse é o nosso costume. Aí, sim, todo mundo espera a virada do ano e aí se fazem festas com carne de porco - a comida tradicional - em todos os lugares. O dia de Natal é considerado mais religioso e é por isso que o costume foi se perdendo porque lá não tem religião."

Após a visita do Papa João Paulo II a Havana, em 1998, o dia 25 de dezembro voltou a ser feriado em Cuba, mas segundo Ileana, a comemoração é bem discreta e restrita aos cristãos da ilha.

"Na verdade, o governo não proibiu nunca nenhuma comemoração. Só que foi se perdendo o costume e, hoje em dia, os que mais fazem a comemoração são as pessoas mais religiosas. A pessoa que quiser coloca a árvore, faz festa, faz a ceia tradicional. As pessoas, por si mesmas, podem fazer o que quiserem: se querem celebrar, fazem sem problema nenhum. Mas, por exemplo, como outros países capitalistas, que colocam os enfeites para você comprar muita coisa de Natal, não, porque a economia de Cuba não dá para isso e o governo não prioriza isso".

Mesmo entre os cristãos, a data é celebrada sem grandes enfeites nem luzes. O furor consumista de presentes de Natal, muito comum nos países ocidentais, também não é registrado em Cuba.

Resta aos religiosos aproveitar a data do nascimento de Cristo para refletir e rezar por um mundo melhor.

MÚSICA: "Canción de navidad" (de/com Silvio Rodríguez)
"La gente luce estar de acuerdo,
maravillosamente todo
parece afín al celebrar.
Unos festejan sus millones,
otros la camisita limpia
y hay quien no sabe qué es brindar.
Mi canción no es del cielo,
las estrellas, la luna,
porque a ti te la entrego,
que no tienes ninguna..."

O continente americano, em geral, comemora o Natal de forma globalizada, com base nos aspectos espirituais do Cristianismo e materiais do capitalismo.

Além de Cuba, é possível encontrar celebrações diferentes, por exemplo, entre os povos andinos, descendentes das civilizações incas.

O berço desses povos está em plena cordilheira dos Andes, em terras que hoje formam Peru, Bolívia, Equador e Chile e comemoram o Natal com ritmos bem tradicionais, como a saya.

MÚSICA: "Saya navidad" (flautas)
"Ia-ia-ia-ia ya nació Jesus
El rey, el sol, el salvador (2X)"

O boliviano Alvaro Arauz vive no Brasil há cinco anos, mas ainda se lembra bem da tradição andina das comemorações do Natal, sobretudo entre os aymaras e os quechuas, principais etnias do país.

Alvaro trabalha na embaixada da Bolívia, em Brasília, e conta como os andinos de seu país driblam a pobreza para celebrar o nascimento de Cristo em clima de muita festa.

"As características dos povos andinos seguem a tradição de séculos passados. Os povos da área rural, onde moram nossos irmãos aymaras, têm um costume um pouco mais limitado porque, infelizmente, são parte da sociedade que não tem condições econômicas para criar um jantar como é feito na zona urbana. A comemoração é bem mais limitada, mas a essência do Natal é a mesma: lembrar o nascimento de Jesus através de cerimônias mais típicas do local, que seriam as cerimônias andinas. Uma reunião familiar que tem o hábito de se fazer oração pela chegada de Jesus. Só varia o tipo de alimentação."

MÚSICA: "Saya navidad" (grupo Amadeus/Colômbia)
"Llega la navidad
Con la saya vamos a celebrar
Esa noche de luz,
Noche buena, vengan a cantar
Bailen la saya, dancen la fiesta
Por que nació Jesus
Todos unidos y mui contentos
En la navidad..."

A saya, que você ouve ao fundo, o huayño, a cueca e o chuntunqui são alguns dos muitos ritmos que entoam o Natal dos povos da Cordilheira dos Andes. A música sempre foi um elemento cultural marcante na região e se enriqueceu na mistura com tradições levadas pelo colonizador espanhol.

Os villancicos, que são canções natalinas típicas na península ibérica desde o século 15, ganharam novas sonoridades que se adaptaram bem à altitude andina, como conta o boliviano Alvaro Arauz.

"Para o dia 24, à meia-noite, a população prepara um jantar familiar. A família fica reunida e aguarda também a vinda de grupos de villancicos, que são aqueles meninos que adoravam a chegada de Jesus. São meninos vestidos com roupas tradicionais indígenas, que vão batendo às portas das famílias e vão celebrar uma espécie de rito andino, com músicas andinas".

Já no povoado andino de San Pablo, no Peru, a celebração natalina conta com uma curiosa disputa entre Belchior, Gaspar e Baltazar, os três reis magos que seguiram a estrela-guia até Belém para presentear Jesus com incenso, mirra e ouro.

Só que, lá nos Andes peruanos, os três são substituídos por homens que representam Inkarri, o rei inca; Mistirri, o rei mestiço; e Negrorri, o rei negro.

Eles devem disputar uma corrida de cavalo durante as comemorações do Natal. E, de acordo com a tradição andina, é o resultado dessa corrida que vai determinar o sucesso da colheita nas regiões agrícolas do Peru.

MÚSICA: "Los reyes magos" (com Mercedes Sosa)
"Llegaron ya, los reyes y eran tres
Melchor, Gaspar y el negro Baltazar
Arrope y miel
Le llevaran
Y un poncho blanco de alpaca real.
Changos y chinitas duermanse
Que ya Melchor, Gaspar y Baltazar
Todos los regalos dejaran
Para jugar mañana al despertar.
El niño dios muy bien lo agradeció
Comió la miel y el poncho lo abrigó
Y fue despues
Que sonrió,
Y a medianoche el sol relumbró".

De Brasília, José Carlos Oliveira

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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