Rádio Câmara

Reportagem Especial

Jovens líderes - A relação com a política (04'31")

  • Jovens líderes - A relação com a política (04'31")

Escândalos políticos, denúncias de corrupção, processos contra políticos parados na Justiça são fatos que desacreditam cada vez mais a sociedade sobre a importância do exercício da democracia participativa no país.

Na esteira do desânimo também vão os jovens que já começam a aprender lições de cidadania mergulhados em casos não solucionados de irregularidades no setor público.

Mas nem toda a juventude está contaminada. Em todo o país, grupos se mobilizam para pressionar por mudanças diretamente na política ou organizam ações sociais para investir num futuro mais consciente sobre o papel do cidadão.

O estudante Raul Cardoso, por exemplo, liderou os protestos e cobranças pela renúncia do ex-governador do Distrito Federal, envolvido em denúncias de mensalão com empresas e parlamentares.

À frente do Diretório Central dos Estudantes na Universidade de Brasília, Raul prova que jovem gosta sim de política, por que não?

"O jovem tem um papel central na vida política e querendo ou não a política está presente em todos os aspectos, em todos os momentos da nossa vida. Falar que a gente não gosta da política, que a gente não participa, é quase falar que a gente não gosta da vida, que a gente não participa de nada da vida, né"

O movimento estudantil organizado, no entanto, ainda é minoria no país, de acordo com especialistas em ciências sociais.

O professor de sociologia da Universidade de São Paulo, Gustavo Venturi, coordenou em 2003 uma pesquisa sobre jovens na política e diferenciou a participação juvenil dos anos 60 e 70 contra a ditadura e os movimentos de agora.

Segundo Gustavo Venturi, o engajamento estudantil dos anos de chumbo refletia a sociedade da época, insatisfeita com o regime. A falta de interesse da maioria dos jovens hoje na política, então, também é reflexo da falta de cultura político-partidária dos brasileiros.

"Por toda a nossa história, por falta de cultura político-partidária e outros fatores fazem com que não haja um engajamento muito elevado na população como um todo e isso vai se refletir também entre os jovens. O que seria surpreendente é se os jovens tivessem num patamar acima desse padrão social"

O professor Gustavo Venturi acredita que os exemplos de mobilização juvenil, ainda que isolados, tem efeito multiplicador para as futuras gerações e aposta na educação para a cidadania como amplificadora da democracia representativa, que segundo ele, é importante, mas limitada.

"Acredito que está vinculado a uma educação para a cidadania de forma mais ampla. Tem sim a possibilidade e a necessidade de ser mais discutida desde o ensino fundamental, porque essa formação, estar alerta a este tipo de possibilidade pode ser trabalhado desde as primeiras socializações"

O estudante Raul Cardoso sabe da importância da política partidária, mas deseja visibilidade para o outro lado também, o da mobilização comunitária.

"Como a gente pode sair desse ciclo vicioso de achar que está sozinho no mundo, que é uma sensação que muitas vezes acontece, é primeiro a gente buscar sempre em meios de comunicação, em internet e coisas do tipo, cada vez mais informações e principalmente não deixar que a sensação de solidão nos deixe abater e achar que a realidade é essa mesmo e deve continuar como ela está. Ao contrário, se existe um problema que a gente enxergue é nosso dever questionar e nosso dever lutar para mudar para melhorar, como a gente acha que deve ser"

De Brasília, Keila Santana

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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