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Reportagem Especial

Jovens líderes - Projeto leva consciência política a estudantes de escola pública do DF (04'39")

  • Jovens líderes - Projeto leva consciência política a estudantes de escola pública do DF (04'39")

Eles são jovens, eles são muitos e alguns deles são líderes. Adolescentes e jovens adultos interessados não apenas em diversão e estudos e afetados não somente por espinhas no rosto.

Vários grupos se organizam para fazer diferença na sociedade, mesmo que seja na escola ou no bairro onde moram.

Pessoas que antes dos 25 anos já entenderam que a mobilização política e social muda a vida da comunidade e das gerações futuras.

Assim é o estudante Arthur Ribeiro, 18 anos, que sai da escola pública onde cursa o terceiro ano do ensino médio para monitorar uma turma de jovens de outra escola com oficinas de comunicação, cidadania e os interesses coletivos do bairro onde vivem.

Arthur faz parte do Projeto ONDA do Instituto de Estudos Socioeconômicos, o Inesc, que há 30 anos atua na defesa dos direitos humanos e orçamento público junto ao Congresso Nacional.

O estudante ajuda outros colegas a levantar os temas de interesse de cada grupo social e discutir o papel do jovem nessa sociedade.

"O jovem que debate, por exemplo, que não tem verba para educação, de que a verba para pagar a dívida pública é maior do que a da educação, o jovem que tem isso na ponta da língua, se ele vai se revoltar, ele vai se manifestar, esse é o papel da discussão e depois vem a prática, é a gente tentar tirar uma ação que volte essa discussão para que a gente consiga aplicar"

Arthur Ribeiro teve que lutar dentro da própria escola para conseguir manter o funcionamento do grêmio estudantil, mas ainda não tem planos de ampliar a participação política dele para o campo formal, em disputas de cargos eletivos públicos. Ele prefere continuar a mobilização dentro do projeto de oficinas de debates.

"Como não há respeito ao idoso, não há respeito ao jovem, então o jovem sempre é o inexperiente, e a massa de voto não é a juventude, que acaba não elegendo seus representantes."

Com o apoio de organismos internacionais, como o Unicef, o projeto ONDA já formou cerca de 500 adolescentes de escolas públicas do Distrito Federal nos três anos de existência dentro do Inesc.

A coordenadora do projeto, Márcia Acioli, acredita que o jovem tem muito a sugerir e agir diretamente na comunidade.

"A gente participa de audiências públicas, participa do fórum OCA, que é forum de orçamento criança e adolescente, e os meninos tem pautado suas questões nesses lugares. Numa audiência pública na Câmara Legislativa, eles conquistaram R$ 2 milhões a educação, por exemplo, e já participaram de audiências públicas por mais vagas na educação infantil. Então eles começam a ter ações mais visíveis"

Os jovens que assumem lideranças na sociedade hoje no país não querem ser herdeiros dos problemas sociais decorrentes das ações ou omissões de gente grande. O efeito multiplicador das pequenas ações é a esperança de um grupo, representada por jovens como o Arthur Ribeiro.

"Acho que o jovem não se vê reconhecido na política, o jovem não vê política para ele, por isso não gosta de política. Ele não sabe que tem meios legais e tem meios de fazer pressão para construir as políticas para ele. Acho que se a gente tivesse orientação, espaço de formação política dentro do colégio a gente poderia mudar esse quadro"

De Brasília, Keila Santana.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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