Rádio Câmara

Reportagem Especial

Alimentos de alto teor calórico e baixos valores nutricionais (04'12'')

  • Alimentos de alto teor calórico e baixos valores nutricionais (04'12'')

Biscoito recheado, salgadinho de pacote, refrigerante... alimentos cada vez mais presentes na alimentação de crianças e adultos trazem dentro de suas embalagens reluzentes mais que um sabor agradável, possuem grandes quantidades de conservantes, alto teor calórico e baixo valor nutricional.

Preocupada com o grande consumo desses alimentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou, através de portaria publicada no Diário Oficial em junho, que esses produtos deverão conter em suas embalagens avisos de que o consumo excessivo poderá ocasionar problemas cardíacos, obesidade, diabetes e cárie dentária.

A proposta segue o modelo adotado nos maços de cigarro que há alguns anos veiculam em suas embalgens alertas sobre os malefícios do uso daquele produto.

Para a diretora do Citen - Centro Integrado de Terapia Nutricional - a endocrinologista, Ellen Paiva, a decisão da Anvisa é um início do processo de mobilização de toda a sociedade contra os males causados pela obesidade, que já é a maior causa de morte evitável no mundo.

"É um começo, assim que começou nos outros países e é assim que nós estamos começando, e é isso que nós temos que fazer mesmo. Os rótulos, olha a importância dos rótulos, há quanto tempo que a gente tem batido nessa questão que rótulo tem que ser acessível, que as pessoas tem que saber quanto de sal tá comendo, quanto de açúcar está comendo, olha o quanto nós já conseguimos com os rótulos. Hoje o rótulo já tem um grande número de informação que qualquer pessoa consegue entender o que tem ali."

Mas, a endocrinologista vai além, e defende que produtos com muito açúcar, gordura ou sódio sejam retirados dos supermercados e que campanhas de conscientização sejam realizadas periodicamente em todo o país.

Para ela é preciso restringir o acesso a esses alimentos, aplicando multas às empresas e estebelecimentos comerciais.

"Restrição a esse volume de biscoito, salgadinhos, refrigerantes, restrição porque como que se pode num país onde o leite desnatado é mais caro que o leite integral? Como pode se taxar o leite desnatado e não taxar a gordura saturada do leite integral?"

Outro ponto que é combatido pelos especialistas é a propaganda de alimentos que deve ser restrita nos horários da programação infantil.

Para a endocrinologista, especilizada em obesidade infantil, Katia Barbosa, é preciso restringir a propaganda porque as crianças não tem filtro para separar o herói de determinado tipo de alimento.

"Você tem associada essa propaganda a heróis, a bonequinhos, a valentões que vão lá e fazem tudo que o menininho quer ser e ele não tem o filtro para selecionar o que é verdade ao que não é verdade. Então é bom diminuir a propaganda nos horário que as crianças veem mais televisão e não associar isso a heróis porque na verdade não há nenhuma associação entre um herói e um biscoito."

Mas nem todo mundo é favorável à proibição.

O deputado federal Milton Monti, do PR de São Paulo, apresentou proposta que anula a resolução da Anvisa. O deputado reconhece a importância de uma alimentação adequadada mas considera a resolução da Anvisa inconstitucional.

"Se formos imaginar o seguinte: nós vamos combater a criminalidade estabelecendo uma norma que as pessoas não podem sair de casa após as 20 horas, não estamos combatendo a causa, estamos combatendo os efeito. Proibir a propaganda para que as crianças não comam sanduíche ou não comam muito sanduíche. Isso tem que ser uma questão de educação, de orientação que deve ser feita pela escola e pela família."

Milton Monti afirma que o assunto deve ser tema de amplo debate no Congresso Nacional e depois, se for o caso, tratado em lei federal e a Anvisa não tem direito constitucional de legislar sobre publicidade.

De Brasília, Karla Alessandra

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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