Rádio Câmara

Reportagem Especial

A busca pela beleza - Os cuidados com as cirurgias plásticas (06'55'')

  • A busca pela beleza - Os cuidados com as cirurgias plásticas (06'55'')

Graziela Oliveira era magra, pesava 50 quilos. Mas queria modelar o corpo para o carnaval. Por indicação da massagista, foi procurar o médico Marcelo Caron, como conta sua irmã, Patrícia Oliveira.

"Então, ela era uma pessoa totalmente magra, mas que não se sentia bem porque tinha estria e celulite, ela não se sentia bem por isso. Mas não era nada que fosse para eliminar gordura, ela estava querendo apenas modelar o corpo dela. Ela já tinha tentado outros médicos, mas nenhum quis resolver nada com ela porque achavam que não tinha nada pra mexer nela. E esse não, ele garantiu que era o melhor."

Graziela morreu em fevereiro de 2002, com infecção generalizada após complicações na cirurgia. Ela tinha 26 anos.

Marcelo Caron falsificou o diploma de especialização em cirurgia plástica. Cinco mulheres morreram após as cirurgias, e mais de 30 tiveram o corpo deformado.

O médico já foi condenado na Justiça, mas segue recorrendo e aguarda em liberdade. Patrícia Oliveira alerta que quando a mulher é muito vaidosa pode colocar a vida em risco.

Ela aconselha a buscar informações do médico junto ao Conselho Regional de Medicina.

"Que além do paciente buscar essas referências com outras pessoas que tenham feito algum procedimento com o médico, saber onde ele vai fazer a cirurgia, se o hospital realmente tem uma UTI toda equipada, não simplesmente uma ambulância que leve para o hospital mais próximo, que o CRM seja consultado de fato, que esse libere para os pacientes uma ficha mais limpa do profissional."

Volta e meia a situação se repete - a morte de mulheres jovens em complicações depois de cirurgias plásticas.

Entre a vaidade das pacientes e a ganância dos médicos, quem se prejudica mais são as pessoas que se colocam nas mãos de um mau profissional.

Alguns casos até não representam risco à vida, mas podem deixar marcas para sempre. Nem mulheres famosas estão a salvo.

Casos de estrelas de cinema ficaram famosos, como Melanie Griffith e Meg Ryan, que perderam a harmonia dos traços ao abusar do preenchimento nos lábios.

O psiquiatra Raphael Boechat lembra que cabe ao médico respeitar o limite quando uma intervenção pode ser prejudicial.

"A função do médico não é fazer o que o paciente quer, a função do médico é fazer o que ele acha que deve ser feito. Ele estudou pra isso, teve a formação pra isso, o paciente não. Esses casos que a gente sabe que são uma aberração, que não teria porque fazer, esticar mais, puxar o rosto ou colocar prótese, porque isso não vai resolver. O médico tem que ter uma postura dura, rígida e dizer ao paciente que não vai fazer. Mas infelizmente têm colegas que fazem e a gente que se misturam interesses econômicos."

O cirurgião plástico Ruben Penteado é integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e destaca que cabe ao médico colocar os limites para as pacientes. Mas ele admite que é difícil punir os maus profissionais.

"O corporativismo existe, o problema é que ele é deturpado. A classe é representada por um conselho, que deve defendê-la de princípio, e defendê-la significa também punir os maus profissionais dessa classe, pois os maus profissionais causam prejuízos para a classe como um todo. O problema é que essa diferença entre punição e defesa acaba se misturando e se perdendo. Então, a burocracia que existe para fazer um julgamento acaba muitas vezes atrasando e dificultando a punição exemplar desses profissionais."

O Brasil faz jus ao título de paraíso da cirurgia plástica. Em 2008, foram cerca de 700 mil procedimentos contabilizados.

O cirurgião Ivo Pitanguy, até hoje, é conhecido e respeitado no exterior. E, atualmente, o país conta com excelentes profissionais.

Ao lado disso, seguem existindo os médicos que falsificam especializações e manipulam os sonhos das pacientes. Para não passar por esses perigos, o médico Ruben Penteado faz alguns alertas.

"Primeiro, é procurar se informar a respeito daquela pessoa com quem você pretende trabalhar. Segundo, cuidado com os exageros, com as fantasias, as ilusões, promessas de milagres. Terceiro, cuidado com o preço. O preço muito alto não é sinônimo de sucesso, mas o preço muito baixo, desconfie. O bom procedimento com um bom material e um local adequado, ele tem um custo que não pode ser deixado de lado. Se o custo é muito baixo é porque alguma coisa está sendo deixada de lado. Então cuidado com o preço exageradamente baixo."

Rubem Penteado recomenda sensatez e equilíbrio na hora de fazer uma intervenção. Ele lembra que os padrões de beleza mudam, o que pode ser uma decepção para as pessoas.

Se hoje os seios fartos e a boca carnuda estão na moda, amanhã pode ser diferente e quem abusou do silicone pode se arrepender.

Tércia Guimarães fez uma grande cirurgia há nove anos. Depois de quatro filhos, sentiu vontade de modelar a barriga e colocar silicone nos seios. Procurou um bom profissional e diz que até hoje se sente bem com a escolha.

"Me senti muito bem, me senti poderosa, me senti bonita, massageou o ego. Acho que foi no momento certo, fiz aos 45 anos. Até hoje, hoje estou com 54, até hoje eu estou me sentindo muito bem com isso."

Tércia conhece mulheres que fizeram plástica e só descobriram que o médico não tinha especialização depois da cirurgia.

"Tem muita gente que fala: ah, fulano faz mais barato. Eu acho que não pode ser assim. Procura o CRM dele, procura ver qual a história profissional, procura ver qual a experiência dele, se ele tem especialização. Por incrível que possa parecer, conheço gente amiga minha que fez com determinado médico e descobriu depois da cirurgia que ele não tinha especialização em cirurgia plástica. Acho isso um perigo, acho um risco muito grande."

Na busca pela beleza, se a escolha for pela plástica, que seja com a maior segurança possível.

De Brasília, Daniele Lessa

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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