Rádio Câmara

Reportagem Especial

Empreendedorismo no Brasil - Experiências de sucesso (07'06'')

  • Empreendedorismo no Brasil - Experiências de sucesso (07'06'')

Sandra Yokota é uma brasileira descendente de japoneses que viveu 20 anos no Japão, trabalhando duro para acumular recursos.

Teve que voltar para o Brasil e com o capital acumulado pensou em abrir um negócio. Pensou em uma loja de artigos para bebês, mas, em dúvida, buscou a assessoria do Sebrae.

O Sebrae analisou o perfil de Sandra e indicou que as habilidades dela talvez não estivessem tão ligadas ao comércio, mas à prestação de serviços. Sandra começou a buscar então informações sobre o turismo receptivo rural.

Hoje, após 7 anos, o negócio, o Terra Parque Hotel, em São Paulo, está faturando bem; mas Sandra lembra que o começo foi muito difícil.

"A empresa nossa ela foi toda projetada dentro do Sebrae, como é que vai ser o primeiro mês, o segundo mês, o terceiro mês... Só que a prática é um pouco diferente. Então nos tínhamos uma expectativa, ela foi bem menor do que nós imaginávamos que pudesse ser e o primeiro ano foi muito difícil, muito difícil. A princípio nós só trabalhávamos só com parque. Nós atendíamos escola, grupos para passar o dia e isso não sustentava o hotel porque era só alta temporada e final de semana. Então durante toda a semana, eu trabalhava no vermelho. O que que aconteceu? Nós fomos buscar conhecimento na área e aí é que eu fui realmente me capacitar de verdade para trabalhar nesta área. Conhecer o concorrente, descobrir o que que o concorrente tinha que eu não tinha, o que que o concorrente fez para quebrar. Eu visitei muitos hotéis que estavam falidos e eu ia atrás das pessoas. 'O que que aconteceu?'. E dessa forma eu fui descobrindo qual era o caminho que eu tinha que realmente seguir".

Para a empresária, não era admissível acabar com as economias acumuladas no Japão em um negócio fracassado. Ela conta que teve muita persistência:

"Mesmo a empresa estando no vermelho, nós pagávamos para a nossa equipe se capacitar. Então realmente era difícil, pegava o dinheiro que eu havia conseguido suado lá no Japão mês a mês e pagava curso para capacitar funcionário com a empresa negativa. 15, 16 mil negativo e nós tínhamos este tipo de comportamento".

Sandra ganhou prêmios de reconhecimento pelo seu esforço e em 2009 teve um crescimento bem superior ao planejado.

A música que você está ouvindo é da trilha sonora do desenho "A Princesa e o Sapo", da Disney.

Nesta parte, Tiana afirma que já "está quase lá" no caminho que vinha traçando para abrir o seu restaurante. Por trás do desenho, está um brasileiro, Haroldo Guimarães, que também trilhou um grande caminho para chegar a colaborador da Disney nesta animação.

Haroldo trabalhou com Maurício de Souza e quase se formou em arquitetura, mas desistiu ao conseguir uma bolsa para uma escola de artes na Califórnia.

Nos Estados Unidos, trabalhou em séries de TV da Disney e quando voltou para o Brasil abriu uma empresa, a HGN produções. Com os contatos da Disney, continuou produzindo séries como Aladdin e Pateta.

Na década de 90, as coisas ficaram mais difíceis quando os países asiáticos se tornaram mais competitivos para a produção das séries.

Mas em 2007, ao participar de uma feira no exterior por incentivo da Apex, a Agência Brasileira para a Promoção de Exportações e Investimentos, Haroldo reencontrou pessoas da Disney que o motivaram a concorrer para novos trabalhos:

"E isso nos levou a estar fazendo testes para 'A Princesa e o Sapo'. Nós produzimos três testes para 'A Princesa e o Sapo' e fomos um dos estúdios selecionados para estarem participando desse trabalho. A gente concorreu com alguns estúdios da Europa, da Ásia. Então esse filme foi todo produzido na matriz, em Los Angeles, a parte principal de história, animação. E tiveram três estúdios de apoio, que fizerem o traço final, a pintura, a composição e o desenho dos movimentos intermediários para dar animação. Então foram três estúdios que participaram: foi um estúdio no Canadá, um em Orlando, formado pelo estúdio antigo da Disney que tinha em Orlando, e a gente aqui no Brasil".

Como Sandra, Haroldo Guimarães também destaca a necessidade de o pequeno empresário ter persistência para continuar fazendo o que acredita que vai dar certo.

Mas os dois também são bons exemplos de pessoas que buscaram oportunidades no mercado, como explica o especialista em empreendedorismo, José Dornelas:

"O que é uma oportunidade? É você identificar um problema não resolvido no mercado, uma lacuna, um serviço que você sente que é deficiente como usuário e você não tem tantos fornecedores pra atender. A partir daí, provavelmente, você está tendo um potencial de oportunidade a ser identificado, mas para você ter uma clareza e ter uma mensuração dessa oportunidade, seria interessante você fazer uma pesquisa de mercado mais precisa que identificasse a viabilidade potencial".

Leozita de Oliveira, que teve que fechar as portas de sua loja de roupas femininas após 15 anos de trabalho, acredita que esta busca por mais informações poderia ter mudado o seu destino. Ela conta que os seus problemas começaram com o recebimento de cheques sem fundos:

"Aí eu começa a facilitar no cartão de crédito pra não receber o cheque. Daí quando os cartões do pessoal já estavam todos estourados, aí foi complicado, não deu mais não".

Para Dornelas, o conhecimento de mercado dos candidatos a empresários têm aumentado o número de empreendedores por oportunidade:

"O Brasil, historicamente, sempre teve mais empreendedores de necessidade que oportunidade. A gente tem observado na pesquisa do Gem nos últimos anos uma reversão dessa tendência. Você tem observado uma quantidade maior de empreendedores de oportunidade que aqueles que empreendem por necessidade. Isso é decorrência total de um desenvolvimento econômico mais interessante, uma estabilidade e é isso, não tenha dúvidas, que realmente muda a perspectiva de empreender no nosso país".

Em 2001, a taxa de empreendedorismo por oportunidade da população adulta era de 8,5%. Hoje, é de 9,4%.

De Brasília, Sílvia Mugnatto

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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