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Reportagem Especial

Empregos no Brasil - As soluções para falta de qualificação e escassez de mão-de-obra (4'13'')

  • Empregos no Brasil - As soluções para falta de qualificação e escassez de mão-de-obra (4'13'')

O presidente do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Márcio Pochmann, afirma que um dos principais problemas de empregabilidade da mão-de-obra no Brasil é a baixa qualificação ou uma qualificação inadequada.

Para resolver o problema, o país conta com esforços tanto do governo quanto dos estados no sentido da criação de programas específicos. Mas este esforço, segundo Pochmann, pode ser perdido justamente pela falta de uma coordenação geral:

"Nós fazemos um esforço grande de formação, mas isto não é organizado de uma maneira sistêmica, articulada, integrada. E muitas vezes esta forma de organização da preparação da mão-de-obra no Brasil ela não é a mais eficiente. Então, seria interessante que houvesse um plano nacional que organizasse, que integrasse e articulasse as diferentes instituições que são responsáveis pela qualificação da mão-de-obra".

Pochmann explica ainda que existe uma dificuldade das pequenas e médias empresas na seleção de mão-de-obra, já que geralmente não têm departamento de recursos humanos.

O professor de Economia da UnB, Carlos Alberto Ramos, também identifica a necessidade de políticas públicas que incentivem a mobilidade dos trabalhadores pelo país:

"Quando você tem um processo de desenvolvimento e crescimento muito rápido pode faltar mão--de-obra em uma região e sobrar na outra. Então qualquer instrumento que você utilize para, de alguma forma, acelerar ou acentuar a mobilidade da mão-de-obra pelo território é uma forma de aumentar a eficiência no mercado de trabalho".

No setor industrial, inclusive, alguns especialistas não descartam a possibilidade de importação de mão-de-obra, como explica o diretor de Operações da Confederação Nacional da Indústria, Rafael Lucchesi:

"Não temos um cenário claro com relação à importação, talvez em alguma situação muito pontual para recursos mais avançados. Mas esperamos que sejamos capazes de responder à possibilidade de expansão da indústria brasileira sem elevação de custo, o que impossibilitaria, em alguns mercados, que essa expansão ocorra no Brasil".

Segundo Rafael, porém, o mais importante é mesmo aumentar a formação educacional básica. Ele afirma que apenas 10% dos jovens estão na universidade no Brasil, enquanto outros países formam de 30% a 50% dos jovens.

Mas o professor da UNB, Carlos Alberto Ramos, acredita que o principal investimento, que é o na educação básica, é também o que demora mais para gerar resultados:

"A educação não é um processo de fazer linguiça, falando popularmente, ou seja, isso leva muito tempo. Imaginemos que faltam engenheiros em certos setores de atividade. Produzir, entre aspas, um engenheiro leva muitos anos. Então as políticas públicas são de longo prazo. Um investimento na formação profissional, na educação, na acumulação de habilidades, é um processo de longo prazo, é um investimento que um país faz na força de trabalho que ele tem".

Para resolver os problemas de curto prazo, inclusive os que podem ser gerados pela realização de grandes eventos no país como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, sugeriu até a criação de um PAC do emprego, numa referência ao Programa de Aceleração do Crescimento criado para agilizar as obras de infraestrutura no país.

O objetivo seria concentrar esforços para que o país não tenha problemas que se não forem enfrentados agora, dificilmente serão resolvidos a tempo próximo à dois eventos da magnitude da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

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