Rádio Câmara

Reportagem Especial

Empregos no Brasil - Os investimentos no ensino técnico e tecnológico (6'30'')

  • Empregos no Brasil - Os investimentos no ensino técnico e tecnológico (6'30'')

Geralmente os jovens que estão no ensino médio têm muitas dúvidas sobre o que vão fazer. Ouça os comentários de alguns estudantes do segundo grau sobre o que pretendem fazer e sobre o que esperam de suas profissões:

"Eu tenho alguma ideia do que eu posso fazer, mas ainda não tenho certeza"

"Eu planejo fazer arquitetura"

"Porque gosto na verdade, eu gosto disso, acho interessante"

"Prefiro o que dá mais dinheiro e depois fazer o que eu gosto"

"Acho que hoje em dia está muito difícil escolher o que a gente gosta e, na sociedade capitalista, o melhor é ter dinheiro"

Para o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco, seria necessária uma reforma universitária para facilitar este processo para os jovens:

"Nós entendemos que é exigir muito de um jovem de 16, 17 anos que faça uma opção para a vida toda como no caso do vestibular; e é isso que leva a uma evasão muito grande mesmo nos cursos públicos. Em torno de 20% dos jovens trocam de curso ao longo da faculdade. Nós entendemos que o mais correto seria, como a maioria dos países fazem, seria trabalhar com um ciclo básico em determinada área e a partir deste ciclo básico os alunos poderem fazer a sua opção".

Empresas como a Petrobras, que têm carência de certos tipos de profissionais, já se preocupam inclusive em influenciar a escolha destes jovens ainda na fase do ensino médio, como afirma a gerente de Planejamento e Avaliação de Recursos Humanos da Petrobras, Mariângela Mundim:

"Porque depois que o jovem já entrou na faculdade, ele basicamente já escolheu uma profissão. Então a gente tem que fazer um trabalho nas escolas no nível médio para poder seduzir o jovem para que ele escolha uma profissão que seja vinculada ao nosso segmento de negócios".

Hoje em dia, além de escolher o curso, o estudante também tem várias opções de escolas. Existem as universidades públicas, mas também existem várias opções de escolas particulares e há o ressurgimento das escolas técnicas de nível superior, tanto federais quanto estaduais. Também deve ficar mais fácil optar por uma universidade pública em qualquer região do país com a decisão do governo e de algumas universidades de centralizarem o processo de seleção pelo Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, como explica Elieser:

"Apesar da resistência que existe porque contraria muitos interesses, de donos de cursinhos, de grupos de dentro das universidades que fazem o vestibular; essa é uma das medidas mais progressistas e revolucionárias que o Ministério da Educação possa ter feito. É a possibilidade de que o teu filho se quiser pedir ingresso no curso de Jornalismo da UFRGS, por exemplo, ou do Rio Grande do Norte, e não necessariamente ali onde ele tem o acesso mais fácil".

Elieser acredita que ainda há uma cultura muito forte em torno dos cursos que concedem os títulos de bacharéis. O governo vem fazendo um esforço, porém, para reforçar as escolas técnicas e tecnológicas que também têm nível superior e até oferecem cursos de mestrado e doutorado. O Brasil tinha 140 destas escolas, mas o governo quer chegar a 400 até o final deste ano:

"Hoje, no Brasil, se faz um esforço hercúleo nessa área, estamos investindo R$ 1,2 bilhão na rede federal, mas além disso nós temos consciência que a rede federal por si só não resolve este problema. Estamos investindo mais R$ 1,1 bilhão para recuperar as escolas profissionais dos estados, as redes estaduais, para que elas também possam ofertar mão-de-obra qualificada".

Para definir quais cursos devem ser oferecidos e em quais regiões, segundo Elieser, existe um processo de consulta pública para aproximar a oferta das demandas de cada região:

"Primeiro fazemos uma análise socioeconômica da região e a escolha dos cursos não se dá a partir de uma definição de cima para baixo da parte do Ministério da Educação, mas sim através de sucessivas audiências públicas nas quais participam os sindicatos patronais, trabalhadores, as representações políticas da região, as administrações locais e regionais; portanto há uma grande afinidade entre os cursos ofertados pela rede federal e os processos produtivos locais. A maior prova disto é que nas nossas pesquisas de egressos, elas demonstram que mais de 60% deles ficam trabalhando num raio de 50 km da escola aonde eles fizeram os seus estudos".

Para o vice-presidente da Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, José Roberto Giraldini, os estudantes devem procurar mesmo a melhor opção na área escolhida. Ele explica que na sua área, por exemplo, as escolas particulares são as que têm o melhor equipamento:

"Porque as universidades do setor público ainda exigem muito investimento, o governo não fez este investimento nas universidades públicas nos últimos anos. Mas o setor privado, que hoje corresponde a mais de 80% da oferta do número de vagas no ensino superior na nossa área, na área tecnológica, está preparado sim para receber e oferecer esse contingente de profissionais que a sociedade necessita".

Sem dúvida, o melhor remédio neste momento de grandes escolhas é a informação. Conversar com profissionais da área pretendida pode ser um primeiro passo importante.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

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