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Reportagem Especial

Empregos no Brasil - As carreiras mais promissoras (8'09'')

  • Empregos no Brasil - As carreiras mais promissoras (8'09'')

Faltam engenheiros no mercado. E vão continuar faltando nos próximos anos. Esta é uma opinião unânime entre os especialistas. A grande procura acontece não só por causa do crescimento da economia que impulsiona áreas como a construção civil, mas também pela demanda de setores específicos como o de petróleo, por exemplo.

É o que explica o vice-presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, José Roberto Giraldini:

"Em especial na área da tecnologia, onde está a construção civil, e também na área de transporte, na área de energia, na área da mobilidade, porque hoje muitas destas ações são reflexos de contratações nos últimos anos, de projetos que foram iniciados nos últimos anos, alguns como o Programa de Aceleração do Crescimento. E com a estabilização da economia, nós passamos a ter aí uma certa tranquilidade e um aumento da demanda por estes profissionais".

Para Giraldini, a chamada área tecnológica volta a ser procurada após um longo período de ascensão das carreiras mais tradicionais, como medicina e direito, que teriam um retorno financeiro mais estável.

Às voltas com a necessidade de contratar cerca de 9 mil profissionais até 2013, grande parte deles engenheiros, a gerente de Planejamento e Avaliação de Recursos Humanos da Petrobras, Mariângela Mundim, explica por que este profissional é importante:

"O engenheiro tem uma formação mais completa porque ele tem uma visão um pouco mais sistêmica e também tem o conhecimento tecnológico, matemático que o prepara para estes desafios".

Mariângela lembra que a Petrobras vem descobrindo novas áreas de prospecção, sendo que a principal delas é a situada na camada do pré-sal no oceano.
Para a construção de cascos e de plataformas marítimas, a empresa também se depara com o sucateamento da indústria naval brasileira:

"Então a gente está numa fase de aquecimento tremendo da indústria naval e a gente não só não tem profissionais qualificados como a gente tem poucas escolas que formam engenheiros navais e não tem professores também. Então a gente tem que antecipar estes fatos e buscar iniciativas que procurem mitigar este cenário que não é tão favorável".

O diretor de Operações da CNI, Rafael Lucchesi, afirma que de cada 100 formandos, pouco mais de 4 são de cursos de engenharia. Na China, este percentual sobe para 40%. Mas a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Leila Nascimento, cita outras áreas em alta, além da engenharia:

"Daqui para frente ainda está muito ligada à parte da engenharia mesmo, está muito ligada à parte dos serviços, cursos como, no caso do Direito, voltados para o Direito internacional, que é uma área bastante interessante. Nós estamos atuando muito com outros países e essa área cresce. A área de relações internacionais. Os técnicos voltados para a parte de eletrônica, técnicos voltados para a parte de saúde, os cursos da área de saúde, uma vez que tem se falado bastante na qualidade de vida das pessoas; desenvolvimento sustentável é pauta em todos os países e aqui no Brasil não é diferente. Se a gente quer se relacionar com países de fora, a gente precisa cuidar muito bem da saúde profissional e pessoal destas pessoas. Então são áreas que crescem bastante e que tendem a buscar profissionais extremamente capacitados".

Lúcio Tezotto, gerente de atendimento da Catho Online, complementa a lista com outras ocupações:

"Dentro da área comercial e de reparação, nós temos o próprio vendedor, um representante comercial, gerente comercial, gerente de vendas; engenheiros civis, mestres-de-obras, todas as atividades profissionais que estão relacionadas à área de construção civil, desde o nível mais baixo e até as áreas de apoio que vão oferecer materiais para a construção; e também na parte da indústria. Nós percebemos uma retomada na indústria metalúrgica, automobilística, de bens de consumo, de eletrodomésticos, de eletroeletrônicos, que são desde os operários até os responsáveis por logística, os engenheiros de fábrica, essas profissões são as que estão mais relacionadas a essa procura, ao aumento da demanda no mercado nos últimos meses".

Eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, além do próprio crescimento da economia, têm impulsionado o setor de turismo e, dentro dele, a hotelaria e a gastronomia. Para Leila Nascimento, crescimento econômico e turismo estão combinados:

"É que o Brasil, ele vem sendo muito procurado não só para parte de diversão e entretenimento, mas também para o turismo de negócios. Os investidores estão olhando para o Brasil e estão vendo no Brasil possibilidades de investimento, de crescimento, de instalação de negócios no Brasil. E essa área é uma área que ainda está aquém de profissionalização que possa atender a todas estas demandas porque são específicas".

Mas o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Hospedagem e Gastronomia de São Paulo e região, Francisco Calasans, afirma que os profissionais do setor ainda não têm a valorização necessária para terem interesse na qualificação:

"O garçom, a arrumadeira, mesmo a recepcionista, na hotelaria tem um piso salarial, o maior piso salarial é o de São Paulo, que é R$ 736,00. A gente sabe que aqui na construção civil o servente de pedreiro - em função da oferta e da procura - está com R$ 900, R$ 200 a mais. Então é preciso haver aí uma conscientização do setor patronal senão não vamos ter o número de profissionais necessário. Porque os profissionais que têm uma certa visão eles sentem que têm que trabalhar de uma forma passageira porque o futuro não é promissor".

A dificuldade em encontrar pessoas qualificadas no setor de gastronomia faz com que o recém-formado Thiago Freitas, de 25 anos, busque ele próprio treinar o pessoal que contrata:

"Realmente, há uma escassez de profissionais qualificados. Para você achar profissionais qualificados para a área é meio difícil. Quando você acha, eles acabam sendo meio dispendiosos, Porque como eles são escassos, acaba sendo um profissional bem caro".

O próprio Thiago é um bom exemplo do ótimo momento que vive este setor. Com apenas dois anos de formado, abriu este ano o seu próprio restaurante em Recife, de comida contemporânea. Como conselho para os jovens que pretendem entrar no ramo, ele destaca apenas estudar muito e ter humildade.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

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