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Reportagem Especial

Especial 1 - A história da domesticação e o Direito dos Animais (04'49")

  • Especial 1 - A história da domesticação e o Direito dos Animais (04'49")

Quando nossos ancestrais deixaram de ser caçadores-coletores passando a ser fazendeiros algumas espécies de animais começaram a ser domesticadas para proporcionar a seus donos conforto, alimentação e ajudar nos trabalhos pesados.

Os cientistas apenas supõem como os cães e os humanos iniciaram sua aproximação. Uma das teorias sugere que filhotes de lobos foram retirados das matilhas e levados para as aldeias.

Outra teoria propõe que os lobos mais mansos não tinham medo de andar em meio aos locais onde os humanos jogavam lixo para procurar comida.
Já os gatos convivem com os homens desde a antiguidade e tinham por função controlar a população de ratos.

A veterinária Marina Morena explica que com a oferta de alimentos por parte dos homens, cães, gatos e aves se aproximaram das primeiras tribos não nômades, deixando de ser selvagens.

"O cão era selvagem, a ave era selvagem, eram todos animais de natureza, livres, tanto que tem ainda matilha de cães que vivem soltos, que são ainda selvagens , não tem contato com humanos e devido à isso eles são considerados selvagens. Então eles vieram se aproximando do ser humano através da alimentação - que o ser humano tinha comida em abundância - e aí eles foram se aproximando da gente por esse motivo. E aí cada vez mais eles foram vindo para perto da gente e se tornaram animais de estimação."

Marina Morena afirma que cães e gatos ganharam conforto e segurança de um lado, mas perderam espaço para atividades físicas e a convivência em grupo.

Especialistas afirmam que quanto mais domesticada uma espécie, mais diferente de seus ancestrais selvagens ela se torna.

Por exemplo, o cérebro dos animais domesticados pode diminuir e suas habilidades sensoriais podem se tornar menos exatas. Supõe-se que essas mudanças ocorram porque o animal não precisa do mesmo nível de inteligência ou de sentidos de visão e audição apurados para sobreviver domesticado.

Outras mudanças comuns incluem orelhas moles, pêlos cacheados e, principalmente, mudanças no tamanho do animal e nos seus hábitos de acasalamento.

Animais domesticados têm maior possibilidade de se acasalar em qualquer época do ano, e não em determinadas temporadas, como fazem em ambiente selvagem. Essas e outras mudanças costumam fazer com que os animais domesticados pareçam drasticamente diferentes de seus ancestrais selvagens.

Infelizmente esse processo de domesticação deixou o homem com a impressão de que os animais existiam somente para serví-lo. Então começaram a ocorrer abusos, com animais sendo treinados de forma cruel ou sendo enjaulados para que os humanos pudessem se divertir.

Revertendo essa quadro de abusos seculares, várias entidades e pessoas dedicam sua vida a proteger esses animais sejam eles pequenos ou grandes.

Atualmente vários advogados defendem os direitos dos animais, sendo o principal deles o direito a não pertencerem a ninguém.

Daniel Braga Lourenço, professor de direito da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, é um dos defensores dos direitos dos animais.

"O primeiro direito dos animais é o de não ser propriedade de outrem. Ou seja, direito de não ser explorado, o direito de não ser escravizado. Esse me parece ser um direito fundamental e desse direito fundamental se desdobrariam outros como por exemplo: direito à vida, o direito à integridade física e psicológica e o direito a liberdade corporal."

Daniel Lourenço esclarece que os direitos dos animais não serão nunca iguais aos dos homens e nem é essa a intenção dos que defendem uma forma mais digna de vida para os não humanos.

Ele defende que a forma como animais tem sido usados ao longo da história seja repensada e alterada porque já foi mais que comprovado que animais são sensíveis.

Daniel Braga acredita que mesmo o uso para alimentação de animais pode ser repensado pela sociedade porque é mais um costume que uma necessidade do ser humano.

"A gente não está obviamente pretendendo que os animais detenham direito a voto, o direito à educação é uma gama de direitos bem mais fundamental, bem mais ligada à dimensão sensível dos animais."

O direito atualmente não diferencia um animal de um objeto. Para Daniel Lourenço o trabalho maior é reinterpretar a legislação que já existe.

De Brasília, Karla Alessandra.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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