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Reportagem Especial

Especial 4 - Projeto Tamar - 30 anos de luta (05'22")

  • Especial 4 - Projeto Tamar - 30 anos de luta (05'22")

Em defesa das tartarugas marinhas o projeto Tamar foi iniciado há 30 anos e devolveu aos mares em segurança dez milhões de tartarugas. Apesar de alto, o número não representa ainda a população natural do Brasil.

A coordenadora técnica do Tamar, Maria Ângela Marcovaldi explicou que de mil tartarugas que nascem somente uma chega à idade adulta o que ocorre depois de 30 anos, então o projeto só cobriu até agora uma geração desses animais.

"A gente não chegou nem perto ainda do nível histórico do que naturalmente existia de tarataruga marinha no litoral. Na verdade nesses 30 anos o Tamar apenas possibilitou que os animais completem o ciclo de vida porque antigamente as pessoas coletavam todos os ovos, matavam as matrizes, então não tinha mais como viabilizar que esses animais permanecessem se reproduzindo."

O Tamar cuida das cinco espécies que desovam no litoral brasileiro. O principal objetivo é fazer com que as tartaruguinhas completem seu ciclo de nascimento.

Mesmo chegando à idade adulta as tartarugas ainda enfrentam os acidentes provocados por redes de pesca e o acúmulo de lixo nos oceanos. As tartarugas acabam ingerindo sacos plásticos o que muitas vezes leva à morte desses animais.

"Esses animais enfrentam a questão da captura acidental. Diversos tipos de pescarias ao longo do litoral capturam as tartarugas. Não é a espécie alvo, não é o que aquela pescaria quer capturar, mas acaba capturando. Isso é um problema seríssimo tanto na pesca costeira, mais artesanal como na pesca oceânica que são as frotas mais industriais."

Quatro estudos científicos, com análise de dados de mais de 15 anos, revelam tendência de recuperação das populações de quatro das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: cabeçuda, de pente, oliva e de couro.

Ficou de fora apenas a tartaruga verde, cuja população é estável.

O Tamar, que teve início na Praia do Forte na Bahia, está hoje presente em nove estados: Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Ao todo o Tamar protege mil e cem quilômetros de praias, através de 23 bases de pesquisa mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e nas ilhas oceânicas.

Uma das chaves para o sucesso desta missão foi envolver as comunidades costeiras, que viviam da exploração das tartarugas no processo de proteção. Para isso, foram desenvolvidas formas alternativas de sustento, inclusive empregando parte dessas pessoas nas bases de preservação do Tamar.

Gustavo Stahelin, (Stelin) é coordenador técnico da Base do Tamar em Florianópolis. Ele conta da experiência realizada pelo Tamar com a cominidade de Barra da Lagoa.

"Isso levou um bom tempo, não foi de uma hora para outra, mas aos pouquinhos as comunidades foram se beneficiando e hoje em dia têm inúmeros grupos produtivos. Muitas das nossas camisetas, os uniformes por exemplo, nós temos duas confecções onde todos os funcionários são filhos de pescadores, esposas de pescadores e fazem a serigrafia, cortam o tecido, costuram e fazem todo o processo. Todos são funcionários e se beneficiam diretamente dessa interação e acabam se beneficiando desse tipo de trabalho."

Gustavo Stahelin disse ainda que como o Tamar está numa região turística, muitas vezes funciona como primeiro empregos de jovens que depois são absorvidos pelo mercado de trabalho ligado ao turismo.

Mas os biólogos do Tamar precisam da colaboração de todos os que usam as praias onde há ocorrência desses animais.

Maria Ângela alerta para o fato de que a ocupação desordenada da costa e o lixo deixado nas praias também causam danos às tartarugas.

Ela explica como é possível proteger as praias e consequentemente as tartarugas.

"O melhor que as pessoas podem fazer é diminuir o lixo na praia, não utilizar, se tiver casa de veraneio estar atento se a iluminação está adequada, se tiver alguma dúvida chamar o pessoal do Tamar para tentar adequar. É proibido o uso de veículos na praia nas principais áreas de reprodução."

O Tamar recebe visitantes durante todo o ano. Os ingressos e produtos vendidos em suas sedes servem para manutenção dos centros e das pesquisas.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o Tamar pode acessar a página www.tamar.org.br

De Brasília, Karla Alessandra.

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