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Reportagem Especial

Programa Nuclear Brasileiro - Investimentos para o setor nuclear (04'11'')

  • Programa Nuclear Brasileiro - Investimentos para o setor nuclear (04'11'')

Conheça hoje os investimentos que o país pretende realizar até 2030 para aumentar a participação da energia nuclear na matriz energética brasileira.

Além das 3 usinas nucleares de Angra dos Reis e das 4 que serão construídas, duas no Nordeste e duas no Sudeste, dois investimentos importantes do programa brasileiro são um reator que terá a capacidade de produzir radiofármacos e uma fábrica de centrífugas para que o país possa aumentar a sua capacidade de enriquecimento de urânio.

Segundo o presidente das INB, Indústrias Nucleares do Brasil, Alfredo Tranjan Filho, a fábrica dará autossuficiência ao país neste setor a partir de 2014:

"Então a partir de 2014, a produção de centrífugas continuando a mesma; ela não só atende a entrada da quarta, da quinta, da sexta, da sétima e da oitava novas usinas como tem uma pequena sobra. Por que? Porque é anseio da INB, não só atender a demanda do mercado nacional. Porque o dia em que a idade do urânio acabar e vier a fusão e for substituindo gradativamente a fissão, nós não queremos ter enterrado no chão aquilo que ainda poderia ter criado divisas".

Luciano Pagano Júnior, superintendente do programa nuclear da Marinha, explica que a tecnologia para o enriquecimento do urânio já está consolidada no país:

"Hoje o que nós temos é um processo do ponto de vista industrial incipiente, consolidado do ponto de vista tecnológico, mas não do ponto de vista de produtividade. E é importante ressaltar o seguinte: o ganho de escala que a gente teria nesse processo permitiria, por exemplo, uma forte nacionalização de componentes que hoje são comprados no exterior. Que não são produzidos no país não por dificuldades tecnológicas, mas por dificuldades de escala, dificuldades econômicas".

Pagano Júnior explica que o Brasil gastou menos de 300 milhões de dólares para desenvolver sua tecnologia de enriquecimento do urânio. Segundo ele, os Estados Unidos planejam gastar agora cerca de 3 bilhões de dólares para desenvolver uma tecnologia semelhante. É que os norte-americanos pretendem substituir uma tecnologia que é mais antiga porque o seu parque nuclear também foi desenvolvido mais cedo.

Em relação ao minério, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, explica que a autossuficiência ocorrerá a partir de 2013, quando a produção de Caetité, na Bahia, será somada à nova produção de Santa Quitéria, no Ceará. Esta produção está sendo feita pela INB em parceria com uma empresa privada:

"A empresa vai ficar com o fosfato, que tem em grande abundância com o minério, e ela vai entregar então à INB urânio e aí então nós teremos urânio com quantidade suficiente para todas as centrais que já estão programadas, as que estão em funcionamento e as outras programadas".

As 4 novas usinas nucleares, previstas para estarem concluídas até 2030, ainda estão passando por um processo de escolha dos melhores locais. O diretor de planejamento da Eletronuclear, Pérsio Jordani, explica como está o processo para a central do Nordeste:

"Nossa expectativa é de que no final de 2011 serão apresentadas até 5 alternativas de local ao Congresso Nacional; ótimas do ponto de vista técnico, mas para uma escolha de natureza política. Isto permitirá que as duas primeiras usinas desta central entrem em operação em 2020."

O novo reator para a produção de radiofármacos deverá ser construído até 2015 e terá a função de suprir o país de materiais como molibdênio e tecnécio. Estes materiais são usados em procedimentos médicos. Odair Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, explica que em 2009 o país teve problemas de abastecimento destes materiais por causa de uma crise mundial do setor.

Segundo Gonçalves, o Brasil tem 4 reatores para radiofármacos, mas eles não produzem materiais mais modernos.

De Brasília, Sílvia Mugnatto

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