Rádio Câmara

Reportagem Especial

Programa Nuclear Brasileiro - Política nuclear (02'42'')

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O governo trabalha com a perspectiva de dobrar, até 2030, os quase 100 mil megawatts que o país gera hoje de energia. Isto seria necessário para que o Brasil possa manter um ritmo de crescimento constante nos próximos anos. Para fazer isto, ainda há muito potencial na matriz hidráulica, que hoje representa quase 90% do total.

Mas o secretário de Planejamento do Ministério de Minas e Energia, Paulo Costa, afirma que um grande papel estará reservado à energia térmica:

"A geração térmica, ela vai ter um papel de geração na base. E qual é a geração térmica que é competitiva para gerar na base: a nuclear, a carvão e a biomassa. O gás natural ainda vai ter um papel expressivo, mas ele vai ser para operar de forma complementar. Ele vai flutuar em função das condições de mercado e das condições hidrológicas".

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil, Alfredo Tranjan Filho, disse que a energia proveniente da biomassa deverá ser empregada na produção de biodiesel, ou seja, não significará um incremento significativo na matriz.

Tranjan explica ainda que a energia nuclear também funcionará como uma proteção contra as dificuldades climáticas. É que as futuras usinas hidrelétricas não poderão ter grandes reservatórios de água tanto em função do meio ambiente quanto pelas possibilidades físicas. Tranjan lembra ainda que a fonte hidráulica não é suficiente:

"Mesmo que utilizemos os 163 mil megawatts disponíveis para associá-los à matriz energética brasileira, nós vamos chegar nos anos 2035 com um prático esgotamento da fonte hidráulica. Então, nós necessitaremos de fato das fontes térmicas".

Para Tranjan, os ambientalistas travam uma falsa discussão ao condenar o uso de energia térmica a partir do carvão ou a nuclear:

"Essa discussão de qual é a melhor forma de energia, se é eólica, se é solar, se é biomassa, se é carvão... isso não passa de uma enorme falácia. Acabou isto. Nós não temos a menor condição de ficar escolhendo energia. Nós temos que usar todas porque vamos precisar de todas. Mas de maneira responsável".

Para o coordenador da campanha nuclear do Greenpeace no Brasil, André Amaral, o país tem sim a alternativa de utilizar ainda mais as energias alternativas como a solar e a eólica. O Greenpeace só aceita o uso de material radioativo para a produção de radiofármacos.

De Brasília, Sílvia Mugnatto

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