Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Economia Solidária 3 – Mulheres driblam o desemprego e a depressão bordando flores e amizades na Associação Grão Mulheres em Ação (05'52")

  • Especial Economia Solidária 3 – Mulheres driblam o desemprego e a depressão bordando flores e amizades na Associação Grão Mulheres em Ação (05'52")

A RÁDIO CÂMARA APRESENTA HOJE A ÚLTIMA MATÉRIA DA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE PROJETOS DE CULTURA E ECONOMIA SOLIDÁRIA BEM SUCEDIDOS. TODOS OS PROJETOS DA SÉRIE RECEBERAM O APOIO DA ENCUBADORA DE EMPRESAS SOLIDÁRIA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. HOJE, VOCÊ VAI CONHECER UM GRUPO DE ARTESÃS QUE BURLOU O DESEMPREGO E A DEPRESSÃO E HOJE ESTÁ NO DESFILE DO CAPITAL FASHION WEEK. ACOMPANHE COM A REPÓRTER DANIELE LESSA.

As artesãs se reúnem nos fundos da casa de Francisca Lúcia, em Recanto das Emas, cidade que fica a 40 quilômetros de Brasília. O quarto de costura é pequeno e calorento, então as mulheres ficam no quintal, ao ar livre. Elas bordam flores em cores alegres, e os pedaços de tecido irão embelezar saias, blusas e vestidos. O trabalho começou no ano 2000, e em meio às dificuldades, foi avançando. Com o apoio da Universidade de Brasília e junto com outros grupos, as bordadeiras da Associação Grão Mulheres em Ação integra o primeiro espaço de economia solidária de Brasília - a loja Bem me Quero - que fica no Shopping Jardim Botânico. A presidente do grupo, Francisca Lúcia, é mulher de sorriso aberto. Quando passou dos 40 anos e se viu desempregada, ela viu no bordado uma possibilidade de voltar ao mercado de trabalho. As mulheres foram se juntando e hoje o grupo é muito mais do que uma alternativa de emprego.

"Todas as artesãs têm espaço para falar, para ver o produto da outra, dar opinião, criticar positivamente. Nós somos um grupo de mulheres que têm respeito uma pela outra, respeito pelo trabalho da outra. Nosso objetivo é crescermos juntas, aqui não tem separação, aqui somos todas iguais. Tem a presidente, mas a presidente continua sendo artesã"

O dinheiro com as vendas na loja Bem me Quero é dividido para a manutenção da empresa e da Associação, no entanto mais da metade do valor vai para a artesã que bordou a peça. A empresa ainda não está dando lucro. A divulgação é pouca, a loja fica escondida no subsolo do shopping. Se na parte financeira o empreendimento ainda não deu lucro, a convivência entre as mulheres já gerou frutos, como diz Ângela Gonçalves, dona de casa de 53 anos, desempregada, que foi em busca de trabalho e encontrou uma família.

"O relacionamento junto de todas, cada uma tentando ajudar. Quer dizer, resumindo tudo, passa a ser uma outra família que você adquire, além da sua, mais uma família. A convivência ali vai tornando os laços afetivos, aí vai ajudando cada uma."

Ângela conta que as mulheres do grupo são todas mães de família na mesma faixa de idade, os problemas são quase sempre os mesmos. Na convivência, então elas buscam se ajudar. Outra companheira, Luzia de Sousa, ficou viúva há cinco anos e é freqüentadora do grupo há dois. Ela não desgruda os olhos do bordado enquanto confirma os benefícios da convivência no grupo.

"Tô viciada nisso aqui, esse é o meu problema... eu já me acostumei com a reunião delas aqui. A gente está junto e não vê a tarde passar. A gente passa uma tarde tranqüila, a gente troca idéias, uma ensina para a outra o que a outra não sabe, uma ajudando a outra."

Os horizontes das mulheres foram se ampliando no trabalho em grupo. Elisabete Rodrigues é vice-presidente da Associação, e destaca as mulheres que saem fortalecidas quando trabalham juntas. Elas passam a saber mais dos seus direitos e encontram um suporte para não aceitar a violência.

"Com as experiências que a gente adquire fora daqui, a gente passa a valorizar mais a mulher, já tem dois anos que a gente participa do Dia Internacional da Mulher na Câmara dos Deputados, passamos a conhecer mais leis, a saber como indicar às mulheres que estão sofrendo e sofreram como nós, para nós só tem a gratificar. Eu nunca enfrentei violência doméstica, mas conheço vários casos de pessoas que você pode ter como indicar."

Elisabete tem o olhar seguro, mas conta que tinha uma forte depressão antes de entrar no grupo. Mas a convivência dissolveu a tristeza.

"Ah, hoje em dia eu não tenho depressão mais, hoje é tudo diferente, nós fizemos vários cursos, para nós foi muito gratificante, foi uma terapia também, foi muito bom. Através da associação é que a gente vai conseguindo esse tipo de coisa."

Os produtos das bordadeiras de Recanto das Emas são delicados e cada peça é única.
O trabalho já foi reconhecido e as artesãs tem sido convidadas para participar de grandes eventos, como o Capital Fashion Week, em Brasília.

De Brasília, Daniele Lessa

TERMINA AQUI A SÉRIE ESPECIAL SOBRE ALGUNS PROJETOS DE CULTURA E ECONOMIA SOLIDÁRIA BEM SUCEDIDOS. AS TRÊS MATÉRIAS DA SÉRIE PODEM SER OUVIDAS NA PÁGINA DA RÁDIO CÂMARA NA INTERNET.

O ENDEREÇO É WWW.RADIO.CAMARA.GOV.BR. ESTA SÉRIE TEVE PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA, TRABALHOS TÉCNICOS DE MILTON SANTOS E EDIÇÃO DE APRÍGIO NOGUEIRA.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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