Reportagem Especial

Especial Economia Solidária 1 – Uma usina de reciclagem que aposentou as carroças dos catadores de papel de Brasília (04'56")

Publicação: 01/09/2008 - 00:00

  • Especial Economia Solidária 1 – Uma usina de reciclagem que aposentou as carroças dos catadores de papel de Brasília (04'56")

A RÁDIO CÂMARA APRESENTA DE HOJE À QUARTA-FEIRA DESTA SEMANA, UMA SÉRIE DE MATÉRIAS ESPECIAIS QUE MOSTRAM ALGUNS PROJETOS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA E CULTURA. AS TRÊS EXPERIÊNCIAS APRESENTADAS NESTA SÉRIE TÊM O APOIO DA ENCUBADORA DE EMPRESAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, QUE OFERECE ASSESSORIA PARA PROJETOS COMUNITÁRIOS DE ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS. HOJE, PARA COMEÇAR, VAMOS CONHECER A COORTRAP, COOPERATIVA DE RECICLAGEM, TRABALHO E PRODUÇÃO. ACOMPANHE OS DETALHES NA REPORTAGEM DE DANIELE LESSA

Há nove anos, eles eram carroceiros que moravam em barracos no cerrado no Distrito Federal, bem próximo aos ministérios. Hoje, 144 pessoas trabalham juntas, dividindo despesas e lucros em uma cooperativa de reciclagem. A Coortrap existe desde 2000, quando cerca de 700 carroceiros ganharam um terreno do governo para iniciar a cooperativa para reciclagem de papel, jornal e garrafas pet. Janilson Santana, que hoje é diretor geral da Coortrap, conta que os primeiros anos foram difíceis. Havia muita desunião entre os catadores, e a cooperativa só começou a crescer depois que as pessoas aprenderam a trabalhar juntas.

"Nós nos organizamos e veio mais convênio pra gente, veio mais parceria. E agora, quem saiu está voltando pouco a pouco. E saíram porque? Porque eles queriam trabalhar individual, aí com o trabalho individual só via o meu lado, o lado dele, sempre aqui dentro tinha aquela pessoa que botava uma pessoa pra trabalhar pra ele e ia pagar essa pessoa"

Com a organização das pessoas, a cooperativa de reciclagem aos poucos foi conseguindo apoio financeiro de bancos. Na parede se vêem as fotografias dos primeiros tempos, quando só havia o barro vermelho do terreno. Hoje o galpão imenso impressiona. São sacos e mais sacos de papel que se empilham até o teto, enquanto as mulheres rapidamente vão separando os papeis. Já os homens trabalham na rua, recolhendo e juntando o material para ser levado para a usina. As carroças já foram aposentadas, hoje a cooperativa tem caminhões para recolher sua matéria prima. Cada cooperado ganha cerca de 380 reais por mês.

A esposa de Janilson, Joelma Santos, destaca que a cooperativa pôde tirar as crianças do lixo e das ruas. Enquanto os pais trabalham na usina, as crianças estão na escola. Além de separar o material que chega na usina, algumas mulheres trabalham com artesanato. As folhas do Diário Oficial da União se transformam em vasilhas e bolsas cheias de estilo. O ambiente é intimista, as mulheres conversam enquanto misturam a cola e o papel. Mas Joelma explica que a jornada das artesãs é dupla.

"A gente tem 11 mulheres aqui, mas a gente só trabalha dois dias aqui no artesanato. A cooperativa não tem renda para remunerar as mulheres, então elas têm que trabalhar lá embaixo e aqui, aí é difícil tirar as pessoas de lá pra vir trabalhar no artesanato. Tem que trabalhar lá e aqui."

A Incubadora Social e Solidária da Universidade de Brasília apóia iniciativas que sejam baseadas em três pilares: autogestão, democracia e solidariedade. Atualmente são 12 os projetos apoiados, entre associações de artesãos e cooperativas de trabalho. Pedro Henrique Isaac é coordenador da Incubadora e confirma a experiência que ouvimos na usina de reciclagem Coortrap: o que faz o empreendimento funcionar é o vínculo que cada pessoa tem com o grupo.

"Outra coisa importante é que ela tenha nas outras pessoas um vínculo social estabelecido e que ela se sinta parte pertencente ao grupo. Isso é muito importante nesses coletivos que se formam, e isso tudo gera a viabilidade do empreendimento. Não é uma pessoa, mas um grupo de pessoas que vão em busca de um mesmo objetivo."

A Incubadora da UnB oferece assessoria e cursos de capacitação para associações e cooperativas, em todas as fases do trabalho: no planejamento, produção e comercialização. Quando há verba disponível, também são disponibilizados equipamentos e matéria-prima. Pedro Henrique explica o que é preciso para conseguir o apoio da Incubadora.

"A gente quer que ele seja coletivo, então que tenha um mínimo de 10 pessoas envolvidas; que tenha uma gestão democática, por mais que não seja perfeito, a busca incessante por essa gestão democrática é algo que a gente vai estar sempre buscando fazer; e o que empreendimento também tenha viabilidade econômica."

A única despesa para o empreendimento é o pagamento de uma taxa de 20 reais para apresentar o empreendimento na Incubadora. Depois disso, o projeto será analisado e se for aceito, toda a assessoria é gratuita. O telefone da Universidade é 3347-8648.

De Brasília, Daniele Lessa

AMANHÃ, NA SEGUNDA MATÉRIA DA SÉRIE ESPECIAL SOBRE PROJETOS DE CULTURA E ECONOMIA SOLIDÁRIA, VOCÊ VAI CONHECER A COMPANHIA ARTCUM, QUE REÚNE ARTISTAS QUE TRABALHAM NO RESGATE DA CULTURA POPULAR. AS TRÊS REPORTAGENS DESTA SÉRIE TAMBÉM PODEM SER OUVIDAS NA PÁGINA DA RÁDIO CÂMARA NA INTERNET. O ENDEREÇO É WWW.RADIO.CAMARA.GOV.BR.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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