Reportagem Especial

Reprise - Especial IBGE 1 - Panorama da desigualdade social no Brasil (05'41")

Publicação: 14/07/2008 - 00:00

  • Reprise - Especial IBGE 1 - Panorama da desigualdade social no Brasil (05'41")

A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, conhecida como POF, é o retrato mais amplo das despesas no Brasil. O levantamento mostra onde o brasileiro emprega o seu dinheiro e quais as diferenças de consumo entre as classes sociais, além de destacar a imensa desigualdade que persiste no país. Os dados indicam que os brasileiros classificados como sendo os 10% mais ricos gastam dez vezes mais que os 40% mais pobres. A despesa per capita dos mais pobres ficou em 180 reais, enquanto os gastos dos mais ricos atingem a cifra de 1800 reais por pessoa. A POF mostrou também que habitação, alimentação e transporte respondem por 75% das despesas do brasileiro, sendo que essa proporção é ainda maior nas famílias pobres. O pesquisador do IBGE, José Antônio Soares, aponta que as pessoas com renda maior não consomem todo o dinheiro que ganham, enquanto as pessoas de renda mais baixa gastam tudo o que recebem com as despesas básicas de alimentação, moradia e transporte.

"Só das classes mais altas que não, você destina uma parte da sua renda para investimento. Mas as classes mais baixas usam quase tudo para consumo. Realmente você usa quase tudo para morar, comer e se transportar".

Os dados apontam que os brancos têm mais rendimentos e despesas que negros e pardos. As famílias chefiadas por homem também aparecem como tendo renda e gastos maiores do que aquelas chefiadas por mulheres. A Pesquisa de Orçamentos Familiares também mostra detalhes das despesas com educação, saúde, alimentação e religião. O chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, afirma que a POF é um retrato preciso das condições sociais brasileiras, pois o bem estar de uma pessoa está mais ligado ao que ela consome do que ao valor do contracheque ou ao que ela recebe como autônomo. Marcelo Neri explica ainda que uma pesquisa dessa dimensão é importante tanto para ajudar na elaboração de políticas públicas quanto para auxiliar empresas nos seus negócios.

"Por exemplo, empresas que querem saber qual o tamanho do mercado para determinado produto ou serviço em determinado segmento social, em determinada região, elas podem se servir muito bem da pesquisa de orçamentos familiares. Assim como os três níveis de governo".

Marcelo Neri diz ainda que a pesquisa faz uma interface entre o poder público e o privado. Por exemplo, saber quanto o brasileiro gasta com livros e mensalidades escolares é importante tanto para o governo quanto para as escolas particulares.

O economista Marcelo Neri destaca que a Pesquisa de Orçamentos Familiares evidencia a desigualdade de consumo, ou seja, quanto as pessoas efetivamente gastam no seu cotidiano. Ele aponta que com as políticas de transferência de renda implementadas a partir de 2001, houve uma queda da desigualdade no país. Se antes o Brasil era o terceiro país mais desigual do planeta, hoje melhoramos de posição, mas ainda estamos entre os dez mais desiguais.

"A POF permite olhar a desigualdade de consumo, a desigualdade do que importa mais às pessoas, que é o arroz com feijão na mesa, é a sua conta de luz, gás e telefone, quer dizer, quanto de fato as pessoas consomem de energia, de comida de diferentes tipos. E o retrato que a POF traça é inequívoco, nós somos ainda hoje um dos países mais desiguais do mundo".

Recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, divulgou um estudo que aponta a queda da desigualdade de renda no país. O pesquisador do IPEA, Fernando Gaiger, fala que ainda existem dúvidas se essa diminuição da desigualdade vai se sustentar, mas opina que a próxima Pesquisa de Orçamentos Familiares, que está saindo a campo em outubro, já irá captar esse movimento positivo em termos de igualdade de consumo.

"Nada que vá nos levar a considerar o país com um outro perfil, com uma sociedade mais equilibrada, mais equânime, mais justa, mas bem melhor do que a gente estava nas décadas passadas e nos anos passados. É uma queda de 4% nas desigualdades, que é o que levantam, que não é uma queda de grande envergadura, mas é uma coisa alvissareira no horizonte que a gente tem estado".

A pesquisa mostra ainda que as famílias das áreas urbanas gastam mais do que aquelas que vivem nas áreas rurais. No que diz respeito à educação, constatou-se que quanto mais anos de escolaridade, maior a renda. As famílias cujos responsáveis tinham pelo menos onze anos de estudo tiveram uma renda média de três mil e oitocentos reais. O rendimentos das famílias em que os responsáveis tinham menos de um ano de estudo foi cinco vezes menor, ficando em setecentos e cinquenta reais.

De Brasília, Daniele Lessa

A RÁDIO CÂMARA ACABOU DE REPRISAR A PRIMEIRA MATÉRIA DO ESPECIAL SOBRE A PESQUISA DE ORÇAMENTOS FAMILIARES DO IBGE, QUE FOI AO AR EM 17.09.2007.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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