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Reportagem Especial

Reprise - Especial Transplantes 4 - Conheça o drama de quem espera na fila de transplantes (07'20")

  • Reprise - Especial Transplantes 4 - Conheça o drama de quem espera na fila de transplantes (07'20")

NESTA SEMANA, A RÁDIO CÂMARA REPRISA UMA SÉRIE DE REPORTAGENS SOBRE TRANSPLANTES NO BRASIL, QUE FOI AO AR NOVEMBRO DO ANO PASSADO.

HOJE VOCÊ VAI SABER COMO COMO FUNCIONA A LISTA DE ESPERA PARA QUEM PRECISA RECEBER UM TRANSPLANTE. CONFIRA A HISTÓRIA DE CÉLIA MARIA, QUE PERDEU O MARIDO DEPOIS DE UMA ESPERA DE SEIS MESES POR UM CORAÇÃO, E CONHEÇA A PROFESSORA MARIA JOSÉ, QUE ESTÁ INTERNADA NO INCOR ESPERANDO PELO TRANSPLANTE.

Maria José tinha 25 anos quando a doença de Chagas foi diagnosticada. A enfermidade crônica não tem cura e com o passar dos anos compromete gravemente o funcionamento do coração. A professora universitária que ensina literatura infantil, português e inglês conta que fez acompanhamento médico nesse período, mas de dez anos para cá sentiu que seu coração se enfraquecia. Um enfarte veio em dezembro do ano passado e em março deste ano, a internação no Incor. Há oito meses ela aguarda por um novo coração em um quarto do hospital, de onde não pode sair nem de cadeira rodas pois a ordem é não se cansar. Seu coração precisa de cada batida para seguir na espera. Pela gravidade do caso, Maria José está na fila de prioridade. Ela conta que alguns corações já chegaram, mas não eram compatíveis.

"Às vezes acha algum próximo e eles fazem exames. Muitas vezes há alguma situação de estresse porque você faz exame achando que pode ser aquele dia e passa o dia inteiro esperando resultado e não é compatível. Você tem que aceitar a decepção e se reacomodar e achar motivos pra continuar vivendo bem, porque eu vivo bem aqui.´

Maria José faz questão de destacar a competência e o carinho da equipe do Incor, em São Paulo, local que se transformou no seu lar. Apesar da grande limitação física, que só permite que ela saia da cama para a cadeira uma vez por dia, ela segue buscando atividades e participa da ong ´Salve o Coração", que trabalha na divulgação da importância da doação de órgãos.

"A minha limitação física é bem grande, mas assim mesmo eu leio, eu assisto filmes, eu trabalho pra ong, eu tenho muita fé. Eu tô tranquila aqui, esperando, e fazendo tudo o que eu posso para viver cada dia melhor que o outro."

Maria José reconhece que sua vida se transformou ao longo dessa espera. E apesar da incerteza do dia de amanhã, desfruta da felicidade trazida por cada dia de vida.

"Eu tive uma transformação muito grande depois que eu entrei aqui em termos de valores, em termos de estilo de vida. Você pode fazer de um mundo de 26 metros quadrados o seu mundo, você pode ter o paraíso e não ter nada. Você pode estar em um resort imenso com a praia na frente e não ser feliz. Eu estou esperando um coração, mas eu sou feliz."

De acordo com dados do Ministério da Saúde, pouco mais de sessenta e nove mil pessoas aguardam na fila do transplante. Esperando por um coração, são cerca de 330 pacientes. No Brasil, funciona o sistema de lista única. A Lista Única Nacional é formada pelo conjunto das Listas Estaduais que, por sua vez, são formadas pelas Listas Regionais. O critério da lista engloba outros aspectos além da ordem de chegada. O primeiro deles é o compatibilidade, que exige que doador e receptor apresentam exames médicos compatíveis. Sendo satisfeita a exigência da compatibilidade, outro ponto determinante da escolha do receptor é a urgência do transplante. Quem estiver em pior situação de saúde terá preferência, mesmo que tenha sido o último a entrar na lista.

Roberto Garcia esperou seis meses por um coração, e nesse período ficou internado na Unidade Coronariana do Incor, em São Paulo. Com problemas cardíacos desde 1997, em março deste ano ele entrou na fila do transplante. No dia 25 de outubro, chegou um órgão de um doador compatível. O coração vinha de Campinas em um dia de muita chuva e congestionamento, e o médico acionou a Defesa Civil para o órgão fosse levado de helicóptero. A esposa de Roberto, Célia Maria Garcia, lembra a emoção da chegada.

"Desci o elevador, eu e a minha cunhada, irmã do Roberto, e nós recebemos o coração na chegada do Incor. Chegando, agradecendo à Deus, aquele coração caminhando e a gente junto com o coração, colocamos no elevador para ser transplantado, foi muita emoção. Mas infelizmente não deu certo. Nós estamos conformados, confortados porque fizemos todo o possível e o impossível e os médicos e enfermeiros do Incor também.´

Roberto faleceu no dia dois de novembro, com 63 anos. Célia Maria diz que a idade avançada e as infecções recorrentes sofridas antes da cirurgia fizeram com que os órgãos do marido ficassem debilitados. Ela, que é uma das diretoras da ong "Salve o Coração´, destaca que a lista de espera é séria e respeita os critérios médicos. Célia Maria, que mora na cidade de Fartura, no estado de São Paulo pertinho da divisa com o Paraná, pretende continuar o trabalho na ong, para ajudar a salvar o coração de outros pacientes.

"Eles transplantam mesmo, se você estiver lá e chegar e chegar a sua vez, não tem essa de você ter 63 anos, ser arriscado, não, eles colocam mesmo. Eu perdi o meu marido mas não perdi a fé e vou continuar com a ong. Faço questão de sair de Fartura, quase 400 quilômetros para participar da reunião da ong.´

E para finalizar a reportagem, Célia Maria deixa o slogan da ong: "Abra o coração, doe órgãos, você deixará mais que saudades".

De Brasília, Daniele Lessa

A RÁDIO CÂMARA ACABOU DE REPRISAR A QUARTA MATÉRIA DA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE TRANSPLANTES NO BRASIL, QUE FOI AO AR EM NOVEMBRO DO ANO PASSADO.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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