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Reportagem Especial

Reprise - Especial Cana-de-açúcar 2 - Quais os reflexos do aumento da produção da cana na economia brasileira (05'44'')

  • Reprise - Especial Cana-de-açúcar 2 - Quais os reflexos do aumento da produção da cana na economia brasileira (05'44'')

NESTA SEMANA, A RÁDIO CÂMARA ESTÁ REPRISANDO A REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE A PRODUÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NO BRASIL.NA REPORTAGEM DE HOJE, VOCÊ VAI CONFERIR, COM A REPÓRTER MONICA MONTENEGRO, QUAIS OS REFLEXOS DO AUMENTO DA PRODUÇÃO NA ECONOMIA BRASILEIRA.

O otimismo domina os produtores de cana-de-açúcar. A produção cresce a cada ano desde a safra 2001/2002. Dois fatores são apontados como fundamentais para esse cenário. O desenvolvimento dos motores flex e a necessidade mundial de substituir fontes de energia poluentes - como o petróleo - por matrizes renováveis, como os biocombustíveis. O assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura, José Ricardo Severo, conta que a produção de cana deve dobrar até 2010, e já calcula os investimentos que devem ser feitos até 2014.

"O setor está calculando em torno de 10 bilhões de reais de investimentos tanto em novas unidades industriais, como investimentos em área plantada"

Já a União da Indústria da Cana-de-Açúcar estima que, até 2012, o país terá 86 novas plantas industriais. O setor que hoje emprega diretamente cerca de 1 milhão de trabalhadores, sendo a metade apenas na produção da cana, espera criar em torno de 360 mil novos postos de trabalho diretos por causa dos novos investimentos.

Para atender a demanda crescente, a fronteira agrícola tem se expandido. O diretor de logística e gestão empresarial da Companhia Nacional de Abastecimento, Sílvio Porto, observa que 70% da atividade canaveira do país se concentra em São Paulo. Mas a expansão de áreas de cultivo tem sido maior no sul de Minas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.

"No caso do Centro-Oeste, tem talvez uma limitação em relação a São Paulo por causa do regime de chuvas. Certamente em SP e Paraná a tendência é a produtividade ser superior. De qualquer forma, o que permite que haja a expansão para esses estados é a disponbilidade de áreas. Em um primeiro ciclo, principalmente porque o valor da terra e do arrendamento sejam menores que em SP, embora a gente perceba que já houve um crescimento tanto do valor da terra quanto do arrendamento expressivo por conta dessa procura que ocorreu nos últimos dois anos"

O diretor da Conab afirma que, em alguns casos, o valor da terra chegou a dobrar. Mas Sílvio Porto destaca que pelos menos 80 % das áreas onde há cultivo de cana no país são arrendadas.

Outra tendência verificada nos últimos anos é a crescente participação de estrangeiros na atividade canavieira. Algumas estimativas apontam que os grupos internacionais são responsáveis por entre 10 e 20% da produção do setor. Mas os números podem estar sub-avaliados, como observa o físico e engenheiro, José Walter Bautista Vidal.

"Há uma intenção americana de tomar conta do programa brasileiro e isso é muito perigoso. Eles estão comprando terras e terra é uma coisa sagrada. E isso está correndo solto, sem nenhuma intervenção do governo. A própria lei que regula a compra de terras por estrangeiros não está sendo obedecida, baseada naquela regra absurda que qualquer empresa que se registra no Brasil passa a ser brasileira. O capital é totalmente estrangeiro, mas se registrou no cartório passa a ser brasileira. Então você procura saber quantas terras foram vendidas, você não consegue, porque consta no cartório que são terras brasileiras"

Para o diretor executivo da Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro, Marcos Sanches Vieira, a presença de estrangeiros pode ter um lado positivo, por estimular a competitividade. Mas ele também defende uma regulação.

"Empresários de outros países, como França, Holanda, Alemanha, Japão estão adquirindo empresas aqui. Acho que é uma preocupação que o empresariado e o próprio governo precisam administrar, o quanto seria permitido que esses capitais entrem nesse setor que é estratégico, o setor de energia, não podemos nunca perder a maioria desse setor"

Além da disponibilidade e baixo custo das terras, o Brasil atrai os investidores estrangeiros devido às vantagens que a cana apresenta em relação ao milho para a produção de álcool, como detalha José Graziano, representante da ONU na área de Agricultura e Alimentação na América Latina e Caribe.

"Para produzirmos um litro de álcool, ele gera oito vezes mais energia do que ele consome. Um litro de álcool de milho gera apenas 1 vez e meia a energia que consome para ser produzido, então o balanço energético é muito favorável. Além disso, o álcool de cana é um grande redutor da poluição ambiental. Para cada mil litros de álcool, eu tenho uma redução de 2,5 toneladas de CO2"

Justamente por essa característica, o setor também pode obter lucros com a venda de créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, como prevê o Protocolo de Kyoto. A tonelada de carbono está custando, em média, 5 dólares.

De Brasília, Mônica Montenegro.

A RÁDIO CÂMARA ACABOU DE REPRISAR A SEGUNDA MATÉRIA DO ESPECIAL SOBRE O CULTIVO DE CANA-DE-AÇÚCAR NO BRASIL, PROGRAMA QUE FOI AO AR SETEMBRO DO ANO PASSADO .

3ª MATÉRIA

NESTA SEMANA, A RÁDIO CÂMARA ESTÁ REPRISANDO REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE A PRODUÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR NO BRASIL. DEPOIS DE APRESENTAR UM HISTÓRICO DO CULTIVO E OS REFLEXOS DESSA ATIVIDADE PARA A ECONOMIA BRASILEIRA, A REPÓRTER MONICA MONTENEGRO TRAZ HOJE ALGUMAS DAS CRÍTICAS QUE TÊM SIDO FEITAS AO SETOR.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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