Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Museu 1 - Histórico e números da atividade musuelógica no Brasil (05'35'')

  • Especial Museu 1 - Histórico e números da atividade musuelógica no Brasil (05'35'')

ANO QUE VEM, 2008, SERÁ O ANO IBERO-AMERICANO DOS MUSEUS. OS PREPARATIVOS PARA MOVIMENTAR E POPULARIZAR AS CERCA DE DUAS MIL E QUINHENTAS INSTITUIÇÕES MUSEOLÓGICAS BRASILEIRAS JÁ COMEÇARAM. ATÉ QUINTA-FEIRA, O REPÓRTER JOSÉ CARLOS OLIVEIRA VAI APRESENTAR UMA SÉRIE DE QUATRO MATÉRIAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL DOS MUSEUS E A BUSCA DE SOLUÇÕES PARA SEUS PRINCIPAIS PROBLEMAS.

NESTA PRIMEIRA REPORTAGEM, SAIBA UM POUCO MAIS SOBRE O HISTÓRICO E OS NÚMEROS EM TORNO DA ATIVIDADE MUSEOLÓGICA NO BRASIL.

Artes e patrimônios pré-históricos ou contemporâneos inundam museus de todo o mundo com um objetivo muito claro: preservar a memória material da humanidade. A atividade museológica, já inteiramente consolidada na Europa e nos países ricos da América do Norte, só registrou crescimento no Brasil a partir da segunda metade do século passado.

Atualmente, o Departamento de Museus do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ligado ao Ministério da Cultura, é o principal órgão executivo das ações de apoio aos museus brasileiros. O coordenador técnico do Iphan, Mário Chagas, lembra que o Brasil engatinhou bastante até levar a atividade realmente a sério.

"Em 1801, quando da chegada da família real ao Brasil, o Brasil tinha dois museus. Quando acabamos o século 19, o Brasil tinha chegado a alguma coisa em torno de 12 museus. Enquanto em outros países, se fala que o século 19 foi o ´século dos museus´, isso não foi assim no Brasil. No entanto, nós iniciamos o século 20 com 12 museus e acabamos o século 20 com praticamente 2.400 museus. Foi uma coisa extraordinária. É como se, na verdade, estivéssemos vivendo o nosso ´boom´ de memória, a nossa explosão de memória exatamente no século 20."

Hoje, em pleno século 21, o Sistema Brasileiro de Museus registra cerca de duas mil e quinhentas instituições que preservam e expõem os testemunhos materiais do homem para fins de difusão cultural, de pesquisa, de educação ou de simples lazer. Neste número, estão incluídos desde o tradicionalíssimo Museu Nacional, o primeiro do país - instalado no Rio de Janeiro em 1818 -, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, até pequenos centros de patrimônios individuais, como aqueles abertos na casa da poetisa Cora Coralina, em Goiás Velho, e na casa do seringueiro Chico Mendes, em Xapuri, no Acre. Mário Chagas afirma que o "boom" museológico no Brasil abriu espaço para a preservação multicultural do país e para a popularização dos museus.

"São várias experiências que estão dando também uma nova cara para os museus. Os museus também hoje têm uma diversidade. Eu gosto de dizer que, assim como podemos falar numa biodiversidade, podemos falar também numa ´museudiversidade´. Existem museus muito variados hoje e a imaginação brasileira é muito criativa e acaba recriando, ressignificando e reinventando experiências de museus."

Esse processo de popularização, no entanto, ainda é lento. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, mostrou que cerca de 70 por cento dos brasileiros nunca foram a um museu. Geralmente, essas instituições atraem muitos pesquisadores e estudantes em busca de conhecimentos específicos, mas enfrentam resistência para se firmarem também como espaço de lazer. Especialistas atribuem essa dificuldade à visão errônea de que os museus são um espaço elitista. Mesmo assim, o diretor do Departamento de Museus do Iphan, José do Nascimento, comemora o aumento gradual de visitações.

"Em 2003, tínhamos 16 milhões de visitantes e agora temos 20 milhões de visitantes por ano nos museus. São investimentos de uma maneira geral, com campanhas de chamamento, como a ´Semana dos Museus´, a ´Primavera dos Museus´ e o fórum nacional. Nós vamos lançar a campanha de associação de amigos, de visitação com as escolas. Estamos trabalhando no sentido de, cada vez mais, ampliar a visitação e a relação da sociedade com os museus brasileiros."

Apesar das ações de popularização dessas instituições, uma pesquisa do Observatório de Museus e Centros Culturais, organizada pelo Iphan em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz, mostra que as autoridades e os museólogos ainda terão muito trabalho pela frente. A coleta de dados foi feita basicamente no Rio de Janeiro e em Niterói. A esmagadora maioria dos entrevistados disse que a falta de divulgação é o principal fator que dificulta a visitação aos museus. Muitos disseram só ter tomado conhecimento dos acervos e das exposições por informações de amigos, no melhor estilo boca-a-boca. A violência urbana e os custos com transporte e alimentação também foram citados como fatores que atrapalham os planos de visitação.

A mesma pesquisa revelou que os visitantes costumam ficar de 30 minutos a duas horas nos museus e consideram o programa em si de baixo custo. As mulheres, os adultos entre 30 e 49 anos de idade e as pessoas com escolaridade superior e com renda domiciliar mensal superior a 2 mil reais formam o perfil do típico visitante de museus na região metropolitana do Rio de Janeiro. Futuramente, a pesquisa será ampliada para outras regiões do Brasil.

De Brasília, José Carlos Oliveira

CONHEÇA AMANHÃ, NA SEGUNDA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE OS MUSEUS, A EXPERIÊNCIA DE RESGATE DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO QUE PODE AJUDAR A REDUZIR O ESTIGMA DE VIOLÊNCIA DA FAVELA DA MARÉ, NO RIO DE JANEIRO.

ESTA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS VAI AO AR DESTA SEGUNDA ATÉ QUINTA-FEIRA EM DOIS HORÁRIOS: DENTRO DO JORNAL CÂMARA ABERTA, ÀS 07:30 DA MANHÃ E TAMBÉM AS ONZE HORAS DA NOITE.

SE VOCÊ QUISER, AS MATÉRIAS TAMBÉM ESTÃO DISPONÍVEIS EM NOSSA PÁGINA NA INTERNET, NO ENDEREÇO WWW.RADIO.CAMARA.GOV.BR/RADIO

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