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Reportagem Especial

Especial IBGE 2 - Saiba como o brasileiro gasta para cuidar da sua saúde - (04'20'')

  • Especial IBGE 2 - Saiba como o brasileiro gasta para cuidar da sua saúde - (04'20'')

NESTA SEMANA, A RÁDIO CÂMARA APRESENTA UMA SÉRIE DE REPORTAGENS SOBRE A PESQUISA DE ORÇAMENTOS FAMILIARES DO INSTITUTO NACIONAL DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, O IBGE.EM CINCO REPORTAGENS, VOCÊ VAI CONFERIR UM PANORAMA SOBRE OS DADOS DA PESQUISA, QUE MOSTRAM UM PERFIL DAS DESPESAS DO BRASILEIRO. NA MATÉRIA DE HOJE, A REPÓRTER DANIELE LESSA APRESENTA OS DADOS SOBRE COMO O BRASILEIRO GASTA PARA CUIDAR DA SUA SAÚDE.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE traçou um panorama do consumo do brasileiro, ou seja, o quanto e como gastamos nosso dinheiro. E saúde é sempre uma questão sensível para todos. O brasileiro gasta de 4% a 6% de sua tenda com assistência à saúde, onde entram despesas com planos de saúde e medicamentos. E os números da pesquisa indicam que os mais pobres, que ganham até quatrocentos reais, gastam 76% do seu orçamento de saúde com medicamentos. Nas famílias que ganham acima de três mil reais, o gasto com remédios consumiu 24% dos recursos reservados para a assistência à saúde.
Quanto mais alta a renda, maior o gasto com planos ou seguros de saúde, sendo que apenas 25% dos brasileiros afirmam contar com esse tipo de assistência. Para o gerente da Pesquisa de Orçamentos Famíliares do IBGE, Edilson Nascimento, as famílias com maior renda que têm plano de saúde podem fazer uma assistência preventiva e assim ter um gasto menor com medicamentos.

"As famílias que têm plano de saúde têm condição de agir preventivamente, né? Isso significa que provavelmente também vai acontecer o gasto com medicamentos e outros tipos de gastos com assistência à saúde bem menor em relação a uma outra família mais pobre que não tem essa capacidade de prevenção".

No entanto, a médica sanitarista Ligia Bahia critica essa interpretação e lembra que os dados da pesquisa são proporcionais e não absolutos. Ou seja, o peso da compra dos remédios é mais suave para aqueles que tem renda maior, o que não significa que esse segmento precise comprar menos medicação. Lígia Bahia, que integra o Laboratório de Economia Política da Saúde da UFRJ, lembra ainda que, em geral, os planos de saúde não cobrem despesas com remédios.

"A suposição é que os ricos não gastam com medicamentos porque eles estão protegidos pelos planos de saúde. A idéia mais ou menos é essa, essa é uma falsa idéia, até porque, no Brasil, os planos privados de saúde não propiciam cobertura para medicamentos".

A médica explica que o fato dos mais pobres gastarem mais com medicamentos se deve ao fato que essa faixa social não tem como arcar com os planos de saúde. Em termos proporcionais eles gastam mais com remédios, mas Ligia Bahia garante que isso não significa que eles comprem mais remédios que as faixas da população com maior renda.

"Seria ótimo dizer que a população com menor renda consome muito medicamento, é justamente o contrário. Gasto com medicamento é elástico, quer dizer, quando as pessoas têm mais dinheiro elas consomem mais medicamento, quando elas têm menos dinheiro, elas deixam de comprar medicamento, o que é uma tragédia".

Essa é justamente a situação que a empregada doméstica Antônia Pereira vive. Vivendo em uma cidade satélite a 40 quilômetros de Brasília e ganhando um salário mínimo, ela conta que em alguns meses consegue comprar o remédio que a filha precisa, mas em outros meses a criança fica sem a medicação.

"O dinheiro é muito pouco, é muito despesa. Eu tenho uma filha, ela tem bronquite, o remédio é muito caro. Às vezes dá pra comprar, às vezes não dá. Quando sobra um dinheirinho eu guardo pra comprar remédio. Ela precisa todo mês e o remédio é muito caro. Eu vou no posto mas nunca tem no posto o remédio".

A Pesquisa de Orçamentos Familiares destaca ainda a diferença de gastos com saúde nas diferentes regiões do país. Nas regiões Norte e Nordeste, a média de despesas com assistência à saúde não chegou a cem reais, enquanto no Sudeste, o gasto chega a 180 reais, e no Sul, 129 reais por mês.

De Brasília, Daniele Lessa

NA MATÉRIA DE AMANHÃ DA SÉRIE ESPECIAL SOBRE A PESQUISA DE ORÇAMENTOS FAMILIARES DO IBGE, VOCÊ ACOMPANHA OS DADOS SOBRE AS DESPESAS DO BRASILEIRO COM ALIMENTAÇÃO. ESTA SÉRIE TAMBÉM PODE SER OUVIDA NA PÁGINA DA RÁDIO NA INTERNET PELO ENDEREÇO WWW.CAMARA.GOV.BR

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