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Reportagem Especial

Cultura 3 - Pontos multiplicam cultura pelo país (06'00'')

  • Cultura 3 - Pontos multiplicam cultura pelo país (06'00'')

No Rio Grande do Norte, jovens de escolas públicas têm a oportunidade de fazer oficinas de fotografias. Eles já publicaram coleção de cartões postais e realizaram exposições itinerantes. No outro extremo do país, no Rio Grande do Sul, um centro cultural promove a cultura indígena local, realizando apresentações teatrais, de danças e músicas. Além disso, faz pesquisas para criar material didático para escolas indígenas. Esses projetos tão diferentes entre si têm em comum uma característica: são pontos de cultura. O Programa Cultura Viva, do ministério da Cultura, contempla iniciativas culturais justamente como essas, que envolvem a comunidade em atividades de arte, cultura, cidadania e economia solidária. Os interessados inscrevem o projeto existente há pelo menos dois anos num edital público. Quando aprovadas, as ações são transformadas em Pontos de Cultura e passam a receber 185 mil reais pelo período de dois anos, divididos em parcelas. Dessa forma, as propostas são potencializadas, explica Cesária Alice Macedo, gerente de gestão do programa Cultura Viva, responsável pela instalação e conveniamento dos Pontos de Cultura.

"Eles se empoderam e viram protagonistas dessa ação cultural, com a comunidade envolvendo cada vez mais agentes culturais e outras parcerias, com outras instituições, e vai ampliando esse trabalho, que também pode gerar emprego e renda a partir dessa formação pela qual eles vão passando ao longo deste processo. E também o ministério oferece oficinas de formação, de cultura digital, enfim, tem todo um processo que vai ampliar esse saber-fazer desses pontos."

Os Pontos de Cultura surgiram em 2004. Hoje, são mais de 500 pontos conveniados, espalhados por todo o Brasil. Cesária destaca que a tendência do programa é se expandir cada vez mais, com a proposta de conveniar até 3 mil pontos de cultura até o final de 2010.

O Grupo Atitude é um ponto de cultura que oferece oficinas de djs, teatro, dança e música, além de salas de leitura, a cerca de trezentos jovens carentes em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. A coordenadora Flávia Nascimento enumera as mudanças que ocorreram depois que o grupo, que surgiu em 97, virou ponto de cultura.

"Com o ponto de cultura, a gente teve a oportunidade de trazer mais cursos para dentro do grupo Atitude, que são os cursos de DJ, teatro e dança, que são os cursos que o ponto de cultura está oferecendo... é uma iniciativa do Ministério da Cultura e a gente tem um recurso trimestral para poder estar dando uma bolsa a esses profissionais, são jovens da comunidade, que se destacaram, para eles darem o curso gratuito dentro da instituição. E o Ponto de Cultura é um lugar onde tem várias ações culturais, movimentando a comunidade, com esse intuito dos jovens estarem tendo mais acesso à cultura."

Outra vantagem de se tornar Ponto de Cultura é que existem encontros regionais e nacionais com outros projetos, o que enriquece muito cada iniciativa, destaca Flávia. Outro Ponto de Cultura no Distrito Federal é a biblioteca T-Bone. A história dessa biblioteca começa num açougue, há 13 anos. O dono da loja, Luiz Amorim, colocou alguns livros na estante para os clientes. O projeto foi crescendo, os exemplares foram se multiplicando, até que a vigilância sanitária proibiu a convivência entre picanhas e livros. Daí, foi montada uma biblioteca num local separado. Hoje, a biblioteca T-Bone tem cerca de 6 mil exemplares, todos frutos de doação. O coordenador Renato Alencar explica o que mudou quando o projeto virou ponto de cultura.

"Acrescentou muito porque tem a ajuda financeira, para compra de equipamentos, computadores, equipamentos de áudio, vídeo. Como a gente já desenvolvia as atividades, ele acrescentou demais o que a gente já fazia. Que é atividade de incentivo para crianças carentes, para crianças da Estrutural. A gente traz essas crianças aqui para a biblioteca mesmo toda semana, passam o dia, fazem um lanche, só envolvidos com os livros. Então o ponto de cultura acrescentou bastante com esse apoio."

Renato conta que essas crianças, moradoras de uma invasão próxima a Brasília, visitam a biblioteca duas vezes por semana. Os monitores acompanham os meninos na roda de leitura, contação de história e até confecção de brinquedos artesanais. Essas crianças não teriam nenhum outro contato com os livros, nem na própria escola.

De Brasília, Adriana Magalhães.

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De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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