Reportagem Especial

Especial Objetivos do Milênio 4 - Projeto Tamar (06'42")

Publicação: 25/06/2007 - 00:00

  • Especial Objetivos do Milênio 4 - Projeto Tamar (06'42")

NA REPORTAGEM ESPECIAL DE HOJE, VOCÊ VAI CONHECER UM POUCO MAIS SOBRE O PROJETO TAMAR, QUE ALÉM DE PRESERVAR A NATUREZA, CONTRIBUI PARA A CIDADANIA DA POPULAÇÃO LITORÂNEA.

No final dos anos 70, Guy Marcovaldi era um estudante de oceanografia, que costumava visitar praias desertas coletando amostras para o Museu Oceanográfico de Rio Grande. Numa dessas excursões, ele presenciou o que chamou de verdadeira chacina de tartarugas marinhas, no Atol das Rocas. Guy e seus amigos fizeram um relatório com fotografias e mandaram para as autoridades ambientais da época. Dois anos depois, eles foram chamados para elaborar um programa nacional de conservação da tartaruga marinha. Em 1980, foi destinado o primeiro recurso federal ao projeto chamado Tartaruga Marinha. Nascia o Projeto Tamar, conta Guy, que hoje é seu coordenador nacional.

"Aí nós fomos contratados para fazer um levantamento, desde o Oiapoque ao Chuí, para descrever a situação das tartarugas marinhas no Brasil. Depois de dois anos de levantamento, de barco, a pé, de cavalo, às vezes de carro, nós chegamos à conclusão, não muito animadora, que praticamente todas as tartarugas marinhas que chegavam ao Brasil não conseguiam se reproduzir, porque ou eram capturadas pelos pescadores na praia, ou seus ovos eram colhidos. O ciclo de reprodução das tartarugas marinhas estava interrompido. E era eminente a extinção delas em mais alguns anos ou décadas. Então a nossa missão era restabelecer o ciclo reprodutivo desses animais nas praias brasileiras."

Depois de identificados os principais pontos de desova de tartarugas, foram montadas bases do projeto na Praia do Forte, na Bahia, na praia de Comboios, no Espírito Santo e em Pirambu, litoral de Sergipe. Guy lembra que essas áreas eram ponto da pesca predatória de tartarugas. Para combater a matança, a equipe tinha duas opções: uma delas era usar a força e travar uma guerra com os pescadores. Mas os pioneiros do Projeto Tamar preferiram trazer os predadores para seu lado, explica Guy.

"Nós chamamos os próprios pescadores que matavam e vendiam os ovos de tartaruga para trabalhar para o projeto. Esse foi um grande divisor de águas e uma das receitas de sucesso do Tamar... Eles coletavam as desovas das tartarugas e transferiam para o cercado de incubação, onde os ovos eram chocados pelo calor do sol e depois os filhotes eram devolvidos para o mar. Cada pescador tinha 5 km de responsabilidade de praia, que era exatamente a área que ele atuava. Então, ele trabalhou no projeto garantindo que as tartarugas subissem, desovassem e voltassem para o mar, e não fossem molestadas por nenhum de seus colegas, ou por ele mesmo, que era o maior matador."

Dessa forma, o Projeto Tamar, além de defender as tartarugas marinhas, estava dando cidadania à população litorânea. O projeto Tamar começou também a confeccionar e vender produtos, o que emprega muitas pessoas. Hoje, o projeto Tamar é famoso também por seus centros de educação ambiental. Essa atividade começou quando os cercados de ovos de tartarugas e os aquários viraram pontos turísticos.

"Hoje são 22 bases do Tamar, desde Santa Catarina ao Ceará, onde trabalham cerca de 1.200 pessoas ... a grande maioria são pessoas do local, que trabalham na manutenção dos tanques, nas lojas, vendendo artesanatos ou produtos, nós temos duas confecções, uma no Espírito Santo, outra em Sergipe, onde não existe turismo. Os locais turísticos do Tamar vendem os produtos montados, confeccionados nos locais onde não tem turismo."

Guy revela que nesses 27 anos de Projeto Tamar, conseguiram deter a diminuição de tartarugas marinhas. Nos últimos quatro anos, está havendo um aumento na população, e a curva começou a subir. Entretanto, Guy salienta que ainda serão necessários alguns anos para que a tartaruga marinha saia definitivamente da lista de extinção.

Domingos Corrêa dos Santos, mais conhecido como Domingão, tem 45 anos e dedicou mais da metade da sua vida ao Projeto Tamar. Ele entrou para o projeto quando o Tamar estava começando suas atividades na Praia do Forte, em 1983. Domingão cuidava dos tanques de tartaguragas, das próprias tartarugas, da área do projeto, ou seja, era um faz-tudo no Tamar. Antes disso, era pescador e costumava pegar tartarugas e ovos. Seu Domingos conta que, no início, a população local não acreditava muito no propósito do Projeto Tamar.

"O pessoal não gostava muito. ´Ah, ao invés de tirar uma criança da rua, dar uma cesta básica para algum necessitado, aí vem preservar as tartarugas, a tartaruga não acaba, é coisa de Deus, da natureza´... Hoje eu acho que mudou o pensamento, porque o pessoal aqui na Praia do Forte, e em lugares perto. Ganha com isso muita coisa."

O dinheiro do projeto Tamar vem da venda de produtos, do patrocínio, principalmente da Petrobras e de recursos federais, através do Ibama. Guy explica que o histórico de mortalidade de tartarugas marinhas diminuiu sensivelmente depois da implantação do projeto Tamar. No primeiro ano do projeto, dois mil filhotes de tartarugas foram soltos. No último verão, já eram oitocentas mil tartaruguinhas saindo de seus ovos e encontrando o mar.

De Brasília, Adriana Magalhães.

AMANHÃ, NA ÚLTIMA MATÉRIA SOBRE PROJETOS QUE CONTRIBUEM PARA QUE O BRASIL ATINJA OS OBJETIVOS DO MILÊNIO, VOCÊ VAI CONHECER UMA AÇÃO QUE ENTREGA CISTERNAS À POPULAÇÃO, DANDO CIDADANIA A QUEM NÃO TINHA NEM MESMO ÁGUA PARA BEBER.

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