Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Objetivos do Milênio 3 - Expedição Vaga-Lume (06'00")

  • Especial Objetivos do Milênio 3 - Expedição Vaga-Lume (06'00")

HOJE, O REPORTAGEM ESPECIAL VAI MOSTRAR UMA EXPEDIÇÃO QUE LEVA CULTURA AOS MAIS ESCONDIDOS RINCÕES DA AMAZÔNIA. SEU NOME É EXPEDIÇÃO VAGA-LUME.

Imagine uma vila perdida no meio da Amazônia. Onde só se chega de barco ou por estradas enlameadas. Imagine as pessoas e crianças que vivem nesses rincões. Agora, imagine que elas têm à sua disposição, bibliotecas que primam pela qualidade do seu acervo. Essa é uma das propostas do projeto Vaga-Lume: levar cultura aos mais escondidos vilarejos desse nosso imenso país, mais especificamente, à Amazônia Legal. A idéia do Vaga-Lume surgiu em 2001, quando 3 amigas paulistanas decidiram que gostariam de conhecer a fundo o Brasil. Mas o sonho era ir além de uma mera viagem turística: elas queriam fazer diferença na vida das pessoas que encontrassem. Foi assim, que começou a expedição Vaga-Lume, explica uma das idealizadoras, a presidente da associação Vaga-Lume, Sylvia Guimarães, que é historiadora e trabalhava, em São Paulo, na área social.

"O nome do projeto é expedição Vaga-Lume, porque primeiro ele foi uma grande expedição. A gente ficou 10 meses nessa região, implantando essas tais bibliotecas, dando cursos, chegando nessas comunidades, pegando material, indo conversar com as pessoas e professores. Esse ano foi a expedição vaga-lume. E aí, depois, ao retornar, a gente viu que tinha um trabalho muito bonito por fazer, uma necessidade grande desse trabalho, e aí decidiu dar continuidade, então até hoje a gente promove as expedições e cada vez mais colocando na frente do projeto pessoas das localidades."

Sylvia destaca que a qualidade é ponto principal na montagem das bibliotecas. Para viabilizar a proposta, os vaga-lumes recebem patrocínio de diversas empresas, inclusive amparados pela Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Além disso, recebem doações também de pessoas comuns. Outro ponto importante do projeto é a capacitação das pessoas da própria comunidade, para continuarem tocando a proposta por conta própria. Por isso, Sylvia programou, ainda para este ano, a capacitação de cerca de setenta pessoas.

A professora da rede pública do ensino fundamental de Belém, Ana Maria Cabral da Gama, é uma das multiplicadoras do projeto Vaga-Lume. Ela fez um curso de Mediação de Leitura com a expedição Vaga-lume, num assentamento rural na cidade paraense de Castanhal, em 2002. A partir daí, revela que sua vida profissional mudou, dando uma nova perspectiva no trabalho com as crianças. A professora Ana Cabral atesta a qualidade das bibliotecas do Vaga-Lume.

"A qualidade é excelente, as crianças, principalmente, os educadores, ficam completamente admirados da qualidade das bibliotecas. Porque, até então, a grande parte das escolas, é insignificante o número de escolas que tem biblioteca, e quando tem, o acervo não tem qualidade, não só em livros, a quantidade é pouca e a variedade também. É uma literatura que não é a melhor literatura. As bibliotecas vaga-lumes primam por essa literatura de qualidade, variada."

Depois do primeiro contato, Ana Cabral participa constantemente de eventos e cursos promovidos pela Vaga-Lume. Um deles é a Rede de Vaga-lumes, uma proposta que visa juntar, num intercâmbio cultural, duas realidades totalmente diferentes: da Amazônia e de São Paulo. Com todo o contato com o projeto, Ana Cabral tem autoridade de afirmar que as crianças gostam, sim, de ler, ao contrário do que diz o senso comum.

"Eu aprendi que as crianças querem ler, mas para isso precisa ter educadores motivados, que gostem de ler, que leiam para as crianças. Temos que ter também uma infra-estrutura, não basta só isso, tem que ter livros."

Sylvia confirma que não apenas as crianças, mas os adultos também se envolvem bastante no projeto porque gostam de ler e são carentes de cultura em suas comunidades. Ela conta que todo o desenrolar do projeto é um grande aprendizado e diz que vivenciou centenas de histórias emocionantes nesses seis anos de Vaga-Lume.

"Normalmente a gente se emociona muito com as crianças, que são muito emocionantes, mas também com as pessoas mais velhas, os mais sábios. Porque como a gente trabalha com histórias, a gente leva a literatura do mundo inteiro, e a gente sempre tem essa curiosidade, essa preocupação de escutar as histórias que existem nesses lugares. Então é uma coisa muito emocionante sempre é parar para ouvir a história de vida das pessoas."

A expedição Vaga-Lume já atendeu cerca de 6 mil famílias de mais de cem comunidades. Cada Biblioteca Vaga Lume implantada contém trezentos volumes, entre livros de literatura infantil, infanto-juvenil e livros de apoio para professores. Ao longo de dez meses, durante o ano de 2002, a Expedição Vaga Lume implantou 32 bibliotecas em 22 municípios, dos nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal.

De Brasília, Adriana Magalhães.

AMANHÃ, NA TERCEIRA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE PROJETOS SOCIAIS DOS OBJETIVOS DO MILÊNIO, VOCÊ VAI CONHECER UM POUCO MAIS O PROJETO TAMAR, DE PRESERVAÇÃO DAS TARTARUGAS MARINHAS.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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