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Reportagem Especial

Especial Caos Urbano 5 - Acompanhe estórias de brasileiros que conseguem viver sem carro - ( 06' 46" )

  • Especial Caos Urbano 5 - Acompanhe estórias de brasileiros que conseguem viver sem carro - ( 06' 46" )

NA QUINTA E ÚLTIMA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE O TRÂNSITO NAS CIDADES, VOCÊ ACOMPANHA ESTÓRIAS DE BRASILEIROS QUE ESCOLHERAM VIVER SEM O CARRO. SERÁ QUE ISSO É POSSÍVEL? ACOMPANHE A REPORTAGEM DE DANIELE LESSA.

O ator Charles Murray trabalha com espetáculos sobre conscientização no trânsito. Ele faz parte do grupo paulista Companhia dos Ícones, que realiza pequenos shows a respeito de temas como a situação do transporte público, o dia-a-dia estressante de quem anda de ônibus ou de metrô, e o apego do motorista brasileiro em relação ao automóvel. Com leveza e bom humor, as apresentações debatem quais as alternativas para as pessoas que vivem em cidades onde o trânsito se transformou em problema. O ator reconhece as dificuldades do transporte coletivo, mas opina que nem sempre as pessoas buscam o carro por necessidade de locomoção.

É claro que o transporte público precisa se reestruturar para atender melhor essas pessoas, mas também mostrando que as pessoas querem ter um carro não porque como transporte é mais eficiente, mas elas querem ter um carro para se colocar em uma posição social com um status muito maior. Quem anda de ônibus é considerado, nessa sociedade, como um perdedor. A partir do momento que você tem um carro, você ganha um status social e passa a ser um vencedor.

E Charles Murray vive de acordo com suas idéias. Sempre usou ônibus e metrô, e afirma que se vira muito bem na cidade de São Paulo. O ator explica que usar o transporte coletivo é um ato social, pois preserva o meio ambiente e melhora o fluxo de veículos nas ruas, algo que beneficia a todos que circulam pela cidade.

Você vai economizar muito mais dinheiro; você tem um conforto até maior, com os corredores de ônibus, em alguns locais você vai até mais rápido, chega nos locais de maneira mais rápida e eficiente; ajuda a não poluir o meio ambiente, porque cada carro que se compra é mais um motorzinho para poluir o meio ambiente. Então você vai tendo uma atitude muito mais social, mais barata e com certeza, vai quebrar esse estigma do status, que é o que vende o carro hoje em dia.

Charles Murray conta que gosta de fazer shows infantis e aposta nas crianças para mudar a cultura individualista de que todos devem ter um automóvel. Ele brinca, dizendo que os grandes já estão muito viciados no carro.

Mas tem gente grande que tem carteira de motorista, dinheiro para comprar carro e prefere andar a pé. É o que acontece com a jornalista Ana Paula Ferraz, que mora em Brasília. Para ela, andar é uma terapia para o corpo e para a mente.

"Eu já incluo o excesso de carros até na parte da cabeça. Engarrafamento, todo mundo fica estressado. Caminhando não, você já chega logo no lugar. Aliás, eu já compro o sapato mais confortável porque sei que vou caminhar, não uso mais salto".

Se o tempo de caminhada é de até uns 40 minutos, Ana Paula vai caminhando sem problema. Se demora mais um pouco, ela pega um ônibus. Só pensa em comprar um carro para andar à noite, pois a segurança nos últimos tempo não anda fácil. A jornalista brasiliense resume a impressão que tem do trânsito: parece que existem mais carros do que pessoas.

"Um pouco caótico, né? Muito carro na hora do almoço, as pessoas perdem mais tempo no trânsito do que no almoço, eu acho. Em festa, você chega e tem um monte de carro e lá dentro não tem esse número de gente, eu queria saber que milagre é esse que mais carro que gente em Brasília".

Se você sente saudades de caminhar por ruas tranquilas, vai se dar bem com o escritor e jornalista Ney Reis, que fugiu do Rio de Janeiro e hoje mora em Teresópolis. Na região serrana próxima da capital fluminense, ele consegue se aproximar mais de uma vida tranquila, onde o trânsito congestionado não consome seu tempo e sua energia. Para o escritor, o trânsito pode ser uma oportunidade de troca entre as pessoas se elas tiverem um pensamento menos individualista e mais coletivo.

"A filosofia pode contribuir muito mais mostrando para as pessoas que elas fazem parte de um coletivo. Olhar mais pro outro, né? Viver mais em grupo. Por exemplo, a gente vê um mar de carros nos engarrafamentos com uma pessoa só dentro de cada um. De repente vamos lá, colocar três ou quatro amigos dentro do carro, ouvindo música, conversando, para passar por aquilo sem estresse, sem perder a sua saúde física e mental".

Ney Reis faz uma comparação entre a correria do trânsito e a ansiedade da vida moderna, onde as pessoas perseguem objetivos a toda velocidade, sem se importar com o companheiro ao lado. Para que o trânsito das cidades melhore, o escritor não recomenda novas obras ou políticas públicas. Ney Reis faz um convite para que as pessoas repensem o seu modo de viver.

" Tem que ter uma tirada do pé no acelerador pessoal. As pessoas tem que andar mais, tem que olhar mais. Elas não vêem nada, não vêem as pessoas que estão do seu lado. Ficam só mirando lá na frente, aquele objetivo que estão perseguindo e no final, chegam lá e não viveram nada, conseguem o seu objetivo que não é grande coisa assim não. Como diz aquele ditado em espanhol, não há caminhos, há caminhar. Não interessa qual é o caminho, o importante é caminhar. Eu acho que se você for por aí, a vida fica mais tranquila, menos estressante".

E seja a pé, de bicicleta, de ônibus ou de carro, um bom dia a todos os ouvintes...

De Brasília, Daniele Lessa

CHAMADA: AS CINCO REPORTAGENS SOBRE O TRÂNSITO DAS CIDADES BRASILEIRAS ESTÃO NA PÁGINA DA RÁDIO CÂMARA NA INTERNET. O ENDEREÇO É WWW.CAMARA.GOV.BR/RADIO. NA SEMANA QUE VEM, VOCÊ VAI ACOMPANHAR CINCO REPORTAGENS ESPECIAIS COM UM PANORAMA SOBRE A RELIGIOSIDADE DO BRASILEIRO.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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